Sobre

“No entanto, é assim que é preciso encarar a imagem na sua realidade sensível e nas suas operações ficcionais; é necessário admitir que elas se encontram a meio caminho entre as coisas e os sonhos, num entre-mundo, num quase-mundo, onde talvez se joguem as nossas dependências e as nossas liberdades.” (Marie-José Mondzain)

Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG (linha de pesquisa Pragmáticas da Imagem) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência estuda as múltiplas manifestações do audiovisual contemporâneo – nos domínios da fotografia, do cinema e das artes visuais e performáticas – levando em conta os processos de criação, a organização dos elementos expressivos e as formas de fruição. As discussões privilegiam os diferentes modos como as imagens figuram, convocam e produzem a experiência dos sujeitos, tendo em vista sua historicidade.

O grupo Poéticas da Experiência se reúne quinzenalmente, com a participação de alunos e alunas da graduação e da Pós-Graduação e dos professores André Brasil, Anna Karina Bartolomeu, César Guimarães, Cláudia Mesquita, Eduardo de Jesus e Roberta Veiga.

Breve Histórico

O Poéticas da Experiência iniciou sua atuação no âmbito ampliado do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade (GRIS), vinculado ao PPGCOM-UFMG, e veio a se constituir como um grupo independente – em 2007 – a partir da interlocução entre duas pesquisas: uma conduzida pelo prof. César Guimarães, denominada “Estéticas do um qualquer: novas figurações do homem  ordinário”, e outra realizada pelo prof. Bruno Souza Leal, intitulada “Narrativas do real: o realismo na TV brasileira”.  Esse trabalho conjunto se alicerçou, em um primeiro tempo, em dois esforços: o desenvolvimento do projeto “A instituição narrativa do real: sobre a experiência mediada no cinema e na televisão” (apoiado pelo CNPq) e a organização de simpósios dedicados a determinar ­– sob uma perspectiva renovada –  os lugares que a experiência estética ocupava nos fenômenos comunicativos, sem se restringir seja ao domínio dos objetos artísticos, seja aos preceitos da doutrina estética forjada no âmbito da filosofia. Os dois eventos resultaram na organização dos livros Comunicação e experiência estética (Editora da UFMG, 2006) e Entre o sensível e o comunicacional (Autêntica, 2010).  Esse esforço em trazer para o campo da comunicação o estudo dos fenômenos estéticos – partilhado com colegas de outras instituições – culminou (em 2006) na criação de um novo grupo de trabalho junto à Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, denominado Estéticas da comunicação, que perdura até hoje, com um novo nome, Comunicação e experiência estética.

Pouco a pouco, com o surgimento de demandas cada vez mais específicas e diferenciadas por parte dos orientandos dos professores que fundaram o grupo,  no que concernia aos objetos empíricos, conceitos e metodologias, surgiu uma nova subdivisão: o prof. Bruno Leal fundou o Núcleo de Estudos Tramas Comunicacionais: Narrativa e Experiência, enquanto o prof. César Guimarães continuou à frente do grupo Poéticas da Experiência, com uma nova ementa. Entre 2009 e 2011, os professores integrantes do Poéticas da experiência organizaram e participaram de três edições de um Seminário Temático dedicado às relações entre cinema e política no âmbito da Sociedade Brasileira de Estudos do Cinema e do Audiovisual (SOCINE). Esse empenho compartilhado levou à criação do I Colóquio Cinema, Estética e Política, de 10 a 15 de abril de 2011, em Belo Horizonte, na UFMG, e a partir daí se sucederam edições anuais do evento.

Atualmente, o Poéticas da Experiência abriga pesquisas interessadas na produção contemporânea do cinema e da fotografia no Brasil, seus modos de elaboração da história, de diagnóstico e intervenção no presente; experiências do cinema mundial (especialmente os cinemas africanos, asiáticos e latinoamericanos), seja em seus aspectos históricos (ligados às realidades políticas singulares de seus países de origem), seja em suas relações com os contextos de colonização; as relações do cinema, da fotografia e das artes visuais com as questões contemporâneas de gênero (ligadas aos feminismos, em suas interseccionalidades, e à experiência dos grupos LGBTI+); os processos de formação e de produção audiovisual e sua incidência nas narrativas e formas fílmicas, especialmente aqueles nascidos junto às comunidades indígenas, quilombola, dos terreiros de axé e junto aos movimentos sociais; as relações do cinema e das artes visuais com os espaços urbanos, as territorialidades e os fluxos comunicacionais; as questões epistemológicas ligadas às mediações das imagens, implicando os protocolos de encontro entre diferentes saberes e tradições.