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	<title>Curadorias &#8211; Poéticas da Experiência</title>
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	<description>Grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG (linha Pragmáticas da Imagem)</description>
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		<title>Poéticas da luta e políticas de articulação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Apr 2022 14:21:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
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					<description><![CDATA[Aiano Bemfica1 e Luís Flores2 A vida organizada em torno dos filmes” é uma definição amplamente aceita para a cinefilia tradicional. Mas nesse momento, quando o mundo está em ebulição e o planeta à beira de uma catástrofe, tal concepção de amor ao cinema soa irresponsável, até narcisista. O que precisamos agora é de uma cinefilia que esteja em pleno contato com seu momento presente global – que o acompanhe, que se mova e viaje com ele. Não importa o quão ardente e apaixonado seja nosso amor por esse meio, o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema (Girish Shambu, 2019)3. &#8220;Decía el Viejo Antonio que la libertad tenía qué ver también con el oído, la palabra y la mirada. Que la libertad era que no tuviéramos miedo a la mirada y a la palabra del otro, del diferente. Pero también que no tuviéramos miedo de ser mirados y escuchados por los otros. Y luego agregó que el miedo se podía oler, y que abajo y arriba ese miedo despedía un olor diferente. Dijo además que la libertad no estaba en un lugar, sino que había que hacerla, construirla en colectivo. Que, sobre todo, no se podía hacer sobre el miedo del otro que, aunque diferente, es como nosotros (Subcomandante Marcos, 2006)4. Era ainda a primeira metade de 2020, quando começamos a pensar formas de elaborar uma curadoria para integrar o site do Poéticas da Experiência. Estávamos recém-submersos nos impactos e nas transformações que o contexto de pandemia, moldado pela gestão nefasta do Governo Federal, impôs a todas e todos. Assim como muitas pessoas e coletivos mundo afora, tentávamos entender de que maneira responder ao novo cenário, de que modos reorganizar nossas vidas e nossas possibilidades de existir no mundo. Parecia um desafio tremendo continuar fazendo coisas concretas, que sempre nos foram prementes e fundamentais: con-viver, celebrar encontros, partilhar ideias e ações, pensar e construir, coletivamente, um outro mundo possível, um mundo outro. Foi no bojo dessa busca que surgiu, dentro do nosso grupo de pesquisa, a ideia de criar uma curadoria relacionada às nossas pesquisas e inquietações. Passados mais de dois anos do nosso impulso inicial, quando enfim conseguimos dar corpo à proposta que aqui compartilhamos, o Brasil já acumula mais de 663 mil mortos pela COVID-19 (11% das mortes no mundo, em um país que tem apenas 3% da população mundial), e ultrapassa a marca de 30 milhões de pessoas contaminadas — representando cerca de 6% dos dados globais de contágio. Consequências, vale repetir, da política genocida do capitalismo, do rentismo e do militarismo, forças que se agrupam em torno de Bolsonaro, impulsionada pelo discurso negacionista que agrava o quadro social de um país que sofre, ademais, com o empobrecimento e com o aumento da carestia. O experimento que movemos (e que nos moveu), entranhado no desejo de restabelecer os laços e os encontros de luta no presente, foi o de inverter um pouco a chave daquilo que se entende, convencionalmente, por curadoria artística, isto é, a seleção especializada de determinados objetos estéticos a partir de um prisma subjetivo mais focalizado. Em vez disso, quisemos experimentar a curadoria como um locus de encontro (provisório e restrito, é certo) para a combinação de lutas que se fazem inadiáveis, mesmo diante do fim do mundo, pois brotam e crescem no limiar improvável de incontáveis mundos que acabam e ressurgem diariamente. Se uma crise sanitária em escala global é cenário novo para os que vivemos neste século, são muitas outras as crises que vêm violando, desde tempos remotos, diversos grupos, territórios e formas de existência. Desde o despojo como prática colonial, ao abandono histórico das periferias urbanas, passando pelas violências sistêmicas em todos os campos da existência; em um mundo que se quer organizado pelos de cima, como o nosso, não se pode amar, pensar, cultuar, ocupar, partilhar ou lutar de maneira livre, sem sofrer com os vilipêndios do poder estabelecido e seus discursos pretensiosamente hegemônicos. A imposição, muitas vezes, é de ordem estética, e vai moldando silenciosamente — pelas vias do streaming, da Netflix, da Amazon, da HBO, do velho império de Hollywood reeditado — as possibilidades de existir debaixo do céu, modelando, normatizando, homogeneizando as manifestações plurais da vida sobre a terra. Onde uns querem impor, pela velha força da violência e da exploração, o consenso do que é e do que se forma, representando e reduzindo o tecido social a fórmulas comerciais (e comercializáveis) de política e de liberdade, nosso intuito foi o de escutar aqueles que lutam e resistem, os que defendem a vida, em âmbitos muito concretos. Por meio “da escuta, da palavra e do olhar”, como fala o Viejo Antonio, em uma das epígrafes que abrem este texto, a busca pela liberdade vem sendo construída e a história transformada por movimentos que, ainda que limitados em escala, são articulados “a partir da consciência organizada de grupos e coletivos que se conhecem e se reconhecem mutuamente, abaixo e à esquerda, e que constroem outra política” (Subcomandante Marcos, 2006, p. 8). Concordando com Girish Shambu que “o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema”, nos pareceu decisivo reinventar o processo curatorial como um lugar não apenas de reflexão e construção de sentido, a partir de uma montagem entre obras, mas de articulação de lutas e pensamentos emancipatórios, de modo a tecer diálogos com pessoas que cotidianamente constroem possibilidades para superar as crises de “um mundo em ebulição” em um “planeta à beira de uma catástrofe”.&#160;Talvez como resposta ao nosso absoluto — ou relativo — isolamento, uma das muitas consequências do período pandêmico (que partilhamos), passamos a ver a curadoria também como território de articulação política, reconhecendo-a como sítio de encontro para diferentes pensamentos, convocando e atravessando obras que, juntas, impulsionam formas outras de construção de escutas, palavras e olhares. Convidamos, então, lutadoras e lutadores populares, lideranças ativas em alguns dos processos mais importantes de continuidade e reinvenção do presente, para construírem, conosco, não um programa curatorial rigidamente delimitado,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right" id="12nota"><em>Aiano Bemfica<sup><a href="#nota1">1</a></sup> e Luís Flores</em><sup><a href="#nota2">2</a></sup></p>



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<p id="3nota" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><em>A vida organizada em torno dos filmes” é uma definição amplamente aceita para a cinefilia tradicional. Mas nesse momento, quando o mundo está em ebulição e o planeta à beira de uma catástrofe, tal concepção de amor ao cinema soa irresponsável, até narcisista. O que precisamos agora é de uma cinefilia que esteja em pleno contato com seu momento presente global – que o acompanhe, que se mova e viaje com ele. Não importa o quão ardente e apaixonado seja nosso amor por esse meio, o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema (Girish Shambu, 2019)<sup><a href="#nota3">3</a></sup>.</em></p>
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<p id="4nota" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><em>&#8220;Decía el Viejo Antonio que la libertad tenía qué ver también con el oído, la palabra y la mirada. Que la libertad era que no tuviéramos miedo a la mirada y a la palabra del otro, del diferente. Pero también que no tuviéramos miedo de ser mirados y escuchados por los otros. Y luego agregó que el miedo se podía oler, y que abajo y arriba ese miedo despedía un olor diferente. Dijo además que la libertad no estaba en un lugar, sino que había que hacerla, construirla en colectivo. Que, sobre todo, no se podía hacer sobre el miedo del otro que, aunque diferente, es como nosotros (Subcomandante Marcos, 2006)<sup><a href="#nota4">4</a></sup>.</em></p>



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<p><strong></strong>Era ainda a primeira metade de 2020, quando começamos a pensar formas de elaborar uma curadoria para integrar o site do Poéticas da Experiência. Estávamos recém-submersos nos impactos e nas transformações que o contexto de pandemia, moldado pela gestão nefasta do Governo Federal, impôs a todas e todos. Assim como muitas pessoas e coletivos mundo afora, tentávamos entender de que maneira responder ao novo cenário, de que modos reorganizar nossas vidas e nossas possibilidades de existir no mundo. Parecia um desafio tremendo continuar fazendo coisas concretas, que sempre nos foram prementes e fundamentais: <em>con-viver</em>, celebrar encontros, partilhar ideias e ações, pensar e construir, coletivamente, um outro mundo possível, <em>um mundo outro</em>. Foi no bojo dessa busca que surgiu, dentro do nosso grupo de pesquisa, a ideia de criar uma curadoria relacionada às nossas pesquisas e inquietações.</p>



<p>Passados mais de dois anos do nosso impulso inicial, quando enfim conseguimos dar corpo à proposta que aqui compartilhamos, o Brasil já acumula mais de 663 mil mortos pela COVID-19 (11% das mortes no mundo, em um país que tem apenas 3% da população mundial), e ultrapassa a marca de 30 milhões de pessoas contaminadas — representando cerca de 6% dos dados globais de contágio. Consequências, vale repetir, da política genocida do capitalismo, do rentismo e do militarismo, forças que se agrupam em torno de Bolsonaro, impulsionada pelo discurso negacionista que agrava o quadro social de um país que sofre, ademais, com o empobrecimento e com o aumento da carestia.</p>



<p>O experimento que movemos (e que nos moveu), entranhado no desejo de restabelecer os laços e os encontros de luta no presente, foi o de inverter um pouco a chave daquilo que se entende, convencionalmente, por curadoria artística, isto é, a seleção especializada de determinados objetos estéticos a partir de um prisma subjetivo mais focalizado. Em vez disso, quisemos experimentar a curadoria como um <em>locus</em> de encontro (provisório e restrito, é certo) para a combinação de lutas que se fazem inadiáveis, mesmo diante do fim do mundo, pois brotam e crescem no limiar improvável de incontáveis mundos que acabam e ressurgem diariamente. Se uma crise sanitária em escala global é cenário novo para os que vivemos neste século, são muitas outras as crises que vêm violando, desde tempos remotos, diversos grupos, territórios e formas de existência. Desde o despojo como prática colonial, ao abandono histórico das periferias urbanas, passando pelas violências sistêmicas em todos os campos da existência; em um mundo que se quer organizado pelos de cima, como o nosso, não se pode amar, pensar, cultuar, ocupar, partilhar ou lutar de maneira livre, sem sofrer com os vilipêndios do poder estabelecido e seus discursos pretensiosamente hegemônicos.</p>



<p>A imposição, muitas vezes, é de ordem estética, e vai moldando silenciosamente — pelas vias do streaming, da Netflix, da Amazon, da HBO, do velho império de Hollywood reeditado — as possibilidades de existir debaixo do céu, modelando, normatizando, homogeneizando as manifestações plurais da vida sobre a terra. Onde uns querem impor, pela velha força da violência e da exploração, o consenso do que <em>é</em> e do que <em>se forma</em>, representando e reduzindo o tecido social a fórmulas comerciais (e comercializáveis) de política e de liberdade, nosso intuito foi o de escutar aqueles que lutam e resistem, os que defendem a vida, em âmbitos muito concretos.</p>



<p>Por meio “<em>da escuta, da palavra e do olhar</em>”, como fala o Viejo Antonio, em uma das epígrafes que abrem este texto, a busca pela liberdade vem sendo construída e a história transformada por movimentos que, ainda que limitados em escala, são articulados <em>“a partir da consciência organizada de grupos e coletivos que se conhecem e se reconhecem mutuamente, abaixo e à esquerda, e que constroem outra política” </em>(Subcomandante Marcos, 2006, p. 8). Concordando com Girish Shambu que “o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema”, nos pareceu decisivo reinventar o processo curatorial como um lugar não apenas de reflexão e construção de sentido, a partir de uma montagem entre obras, mas de articulação de lutas e pensamentos emancipatórios, de modo a tecer diálogos com pessoas que cotidianamente constroem possibilidades para superar as crises de “um mundo em ebulição” em um “planeta à beira de uma catástrofe”.&nbsp;Talvez como resposta ao nosso absoluto — ou relativo — isolamento, uma das muitas consequências do período pandêmico (que partilhamos), passamos a ver a curadoria também como território de articulação política, reconhecendo-a como sítio de encontro para diferentes pensamentos, convocando e atravessando obras que, juntas, impulsionam formas outras de construção de escutas, palavras e olhares. Convidamos, então, lutadoras e lutadores populares, lideranças ativas em alguns dos processos mais importantes de continuidade e reinvenção do presente, para construírem, conosco, não um programa curatorial rigidamente delimitado, mas uma rede aberta de filmes e pensamentos. Às/aos convidadas/os, propusemos que indicassem uma ou mais obras e, a partir delas, gravassem um comentário que estabelecesse possíveis relações entre o(s) filme(s) e o mundo.</p>



<p>Não propomos, aqui, o cinema que decorre simplesmente dos códigos do bom gosto padronizado, e muito menos o cinema que advém da normatização histórica, ideológica e comercial das manifestações imagéticas que atravessam o nosso mundo. Queremos, isso sim, compartilhar um cinema vivo, diverso, pulsante, um cinema cuja poética expresse algo da vontade inalienável de corpos e olhares viventes, em movimento insubmisso com o sopro das lutas de nosso tempo, um cinema que não se faça como experiência estética cômoda e condicionada, mas, antes, como atmosfera — meio — pulsante de imagens que fortalecem as formas de emancipação e de articulação política.</p>



<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p><strong>NOTAS</strong></p>



<p id="nota1" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="#12nota">1</a></sup> Mestre em comunicação social pela Universidade Federal de Minas Gerais e membro do grupo de pesquisa Poéticas da Experiência, vinculado à linha Pragmáticas da Imagem, é também graduado em Antropologia Social pela mesma universidade. Paralelo ao seu percurso acadêmico, é cineasta e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e realiza filmes intimamente ligados aos processos políticos contemporâneos. Em um trabalho que busca aproximar os dois eixos de sua trajetória, se dedica a pesquisar intersecções entre as lutas sociais e a produção/circulação de imagens realizadas no bojo destes processos. Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/7764526174770889">http://lattes.cnpq.br/7764526174770889</a></p>



<p id="nota2" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="#12nota">2</a></sup> Doutor em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, com pesquisa dedicada ao cineasta alemão Harun Farocki. Mestre em Cinema pelo Programa de Pós-graduação em Artes da EBA-UFMG, com dissertação dedicada ao cineasta francês Max Ophuls, com o título Max Ophuls, mestre de cerimônias: mise en scène reflexiva em La ronde e Lola Montès. Graduado em Ciência da Computação pelo DCC/UFMG. Professor, educador, curador e pesquisador de cinema, atua também como ensaísta e tradutor. Organizador dos livros O Cinema de Trinh T. Minh-ha (2015) e O Cinema de Rithy Panh (2013). Curador das retrospectivas dos cineastas Rithy Panh (CCBB, 2013) e Trinh T. Minh-ha (Caixa Cultural, 2015) no Brasil. Curador do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte nos anos de 2015, 2016 e 2017. Curador do forumdoc.bh no ano de 2015. Desde 2019, é curador do Cinecipó — Festival do Filme Insurgente, desde 2019. Desde 2020, é curador da Lona &#8211; Mostra Cinemas e Territórios, uma iniciativa do MLB &#8211; Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas. Participa do projeto artístico e educativo Coletivo de Cinema, voltado para a inclusão do audiovisual nas escolas públicas. Organiza o programa educativo gratuito Cinema — Sensação de Mundo, destinado ao público infantil. Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/5896277282332288">http://lattes.cnpq.br/5896277282332288</a></p>



<p id="nota3" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="http://3nota">3</a></sup> Passagem do texto “Por uma nova cinefilia”, de Girish Shambu, traduzido por Ingá Patriota e publicada na Revista Cinética em 20 de abril de 2020. Disponível em: <a href="http://revistacinetica.com.br/nova/traducao-de-por-uma-nova-cinefilia-girish-shambu/">http://revistacinetica.com.br/nova/traducao-de-por-uma-nova-cinefilia-girish-shambu/</a></p>



<p id="nota4" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="http://4nota">4</a></sup> Passagem de “Tocar el Verde &#8211; Calendário e Geografia de la Destrucción&#8221;, terceira parte do livro “Ni centro, ni periferia” que reúne falas do vocero zapatista Subcomandante Marcos (2006, p.33).</p>



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<p><strong>Convidada: Capitã Pedrina (Capitã da Guarda de Massambique de Nossa Senhora das Mercês de Oliveira, MG</strong>)<strong><br>Filme: <em>Café com Canela</em> (Ary Rosa e Glenda Inácio, 2017)</strong></p>



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<p><strong>“Café com Canela” (Ary Rosa e Glenda Inácio, 2017, 102min)</strong></p>



<p>O filme ficou disponível neste post até o dia 18/5/22. Agradecemos à diretora e ao diretor, às/aos produtoras/es e às/aos distribuidoras/es pela janela de exibição generosa!</p>



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<p><strong>Convidado: Pai Sidney – Tat&#8217;etu Odesidoji<br>Filme: <em>Besouro</em> (João Daniel Tikhomiroff, 2009)</strong></p>



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<p><strong>“Besouro” (João Daniel Tikhomiroff, 2009, 95min)</strong></p>



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</div></figure>



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<p><strong>Convidado: Gabriel Lopo (Jornalista e Produtor Cultural)<br>Filmes: <em>A luta do povo</em> (Renato Tapajós, 1980) e <em>Pandelivery</em> (Guimel Salgado e Antônio Matos, 2020)</strong></p>



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<p><strong>“A Luta do Povo” (Renato Tapajós, 1980, 30min)</strong></p>



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<p><strong>“Pandelivery” (Guimel Salgado e Antônio Matos, 2020, 15min)</strong></p>



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</div></figure>



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<p><strong>Convidada: Letícia Oliveira (MAB)<br>Filme: <em>Mineiros</em> (Amanda Dias, 2020) e <em>O Povo Constrói </em>(2020)</strong></p>



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<p><strong>Mineiros (Amanda Dias, 2020, 23&#8242;)</strong></p>



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<p><strong>O Povo Constrói (2020, 13&#8242;)</strong></p>



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<iframe title="O Povo Constrói | Documentário" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/dwYMSVqdLyA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong>Convidado: Frei Gilvander (Comunicador e Assessor Nacional da Comissão Pastoral da Terra &#8211; CPT)<br>Filme: <em>Mataram Irmã Dorothy</em> (Daniel Junge, 2008)</strong></p>



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<p><strong>“Mataram Irmã Dorothy” (Daniel Junge, 2008, 100min)</strong></p>



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</div></figure>



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<p><strong>Convidadxs: Coletivo Olhares (Im)Possíveis<br>Filmes: &#8220;Ano 2020&#8221; e &#8220;Contramonumento 1&#8221;</strong></p>



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https://vimeo.com/704158045
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<p><strong>“Ano 2020” (Coletivo Olhares (Im)Possíveis, 2021, 16min)</strong></p>



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https://vimeo.com/704255176/d241593038
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<p><strong>“Contramonumento #1” (Coletivo Olhares (Im)Possíveis, 2022, 10min)</strong></p>



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<p></p>



<p class="has-text-align-center">* * *</p>



<p></p>



<p><strong>Convidado: Edinho Vieira (Cineasta e Coordenador Nacional do Movimento de Lua nos Bairros, Vilas e Favelas &#8211; MLB)<br>Filme: <em>A vizinhança do tigre</em> (Affonso Uchoa, 2014)</strong></p>



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</div></figure>



<p><strong>“A Vizinhança do Tigre”<em> (Affonso Uchoa, 2014, 95min)</em></strong> — <a rel="noreferrer noopener" href="https://vimeo.com/ondemand/avizinhancadotigrevod/325878771" target="_blank">Clique aqui para alugar</a><br><strong>(Caso alguém deseje obter um link de acesso individual, gratuitamente, fazer contato com Luís Flores — 031 9-8487-5413)</strong></p>



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</div></figure>



<p></p>



<p class="has-text-align-center">* * *</p>



<p><strong>AGRADECIMENTOS</strong></p>



<p>André Brasil, Arthur Medrado, Capitã Pedrina, Cardes Amâncio, Coletivo Olhares (Im)Possíveis, Daniel Queiroz, Edinho Vieira, Ester Antonieta, Frei Gilvander, Gabriel Lopo, Izabella Bontempo, Letícia Oliveira, Letícia Péret, Pai Sidney – Tat&#8217;etu Odesidoji</p>



<p><strong>APOIO</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://embaubafilmes.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="722" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-1024x722.webp" alt="" class="wp-image-1021" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-1024x722.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-300x211.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-768x541.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50.webp 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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		<title>Leona Vingativa: explicitamente política</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2020/10/leona-vingativa-explicitamente-politica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2020 17:21:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
		<category><![CDATA[Leona]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Vingativa]]></category>
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					<description><![CDATA[Frame do vídeo &#8220;Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional, de Victor de la Rocque (2014) Por Álvaro Andrade Se apenas recentemente Felipe Neto, a maior personalidade da internet brasileira, passou a usar sua popularidade para promover pautas progressistas em que acredita, desde 2012, quando tinha apenas 13 anos, a artista paraense Leona Vingativa já tentava fazer uso de sua visibilidade nas redes com esse objetivo. Logo, não é de se espantar que, nestas eleições de 2020, ela esteja concorrendo a uma vaga na câmara municipal de Belém, em uma candidatura coletiva. O momento não poderia ser mais oportuno para (re)ver e pensar algumas de suas aparições performáticas em vídeo que têm como alvo a política institucional. Todos lançados e disponíveis no YouTube, os primeiros vídeos são de 2012, e o último, deste ano, é a primeira peça audiovisual de sua campanha. O trabalho de Vingativa sempre foi carregado de política, principalmente de políticas do corpo, expressão com a qual me refiro, grosso modo, às relações que se estabelecem pela presença dos corpos nos espaços públicos, sejam estes reais ou virtuais. Para além da compreensão de que não há um fora na política, ainda mais especificamente, refiro-me à política que se dá pelo tensionamento que um corpo provoca ao frequentar, de modo subversivo, espaços regidos por normas hegemônicas. Já em Leona Assassina Vingativa (2009), vídeo com o qual ela inicia sua trajetória como pessoa pública, sua presença disruptiva salta aos olhos. Nele, Vingativa tem apenas 11 anos, é uma criança negra, de um bairro empobrecido de Belém (PA), e encarna, contracenando com o amigo adolescente Paulo Colucci (Aleijada Hipócrita), uma mulher poderosa num típico embate dos capítulos finais de uma telenovela. Leona Assassina Vingativa (2009) A paródia é precisa no texto e na estrutura dramática da cena, mas há algo que escapa. O cenário e o figurino são mínimos, quase inexistentes, expondo a condição real da vida de quem a atua. Enquanto fabulam outras existências possíveis, certa feminilidade é performada até explodir no corpo de Vingativa. A energia excede em muito o registro telenovelesco, para além inclusive da paródia, e ultrapassa também os limites da brincadeira infantil que origina a encenação. O campo é atravessado por risadas e outros elementos vindos do extracampo, como pessoas que aparecem de soslaio nos cantos do plano, e uma força parece pulsar entre ficção e realidade. Elas se divertem enquanto atuam, e o resultado é magnético e chocante. Sua vitalidade alegre, por um lado, e o realismo ruidoso da técnica, do cenário e da caracterização que expõem corpo e contexto, por outro, sugerem em negativo os limites das normas hegemônicas: sejam sociais, referentes ao gênero, ao lugar da infância, à classe etc; sejam do audiovisual, em sua assepsia impositiva, cristalizada e disfarçada como único padrão técnico aceitável. Tudo o que vira cinzas na radicalidade incendiária da performance. Nessa seleção que proponho, a política é também essa, porém potencializada por uma dobra. São vídeos explicitamente políticos porque se direcionam ao campo da política como o senso comum a reconhece &#8211; que envolve partidos, eleições, mandatos etc &#8211; e que aqui proponho chamarmos de &#8220;a política dos políticos&#8221;. Afinal de contas, em nosso país, o mundo da política institucional está tão ou mais sequestrado do que o das imagens pelo sujeito hegemônico (homem, branco, cis, de classes médias e altas). Para se ter uma ideia, olhando apenas para o gênero, o Brasil tem menos parlamentares mulheres do que 151 países. A presença performática de Vingativa nesses vídeos, portanto, encara um duplo embate, pois tenta agir em um meio ainda mais dominado pelo oponente. Esta paródia de Marcelo Adnet ilustra bem o modelo normativo ao qual me refiro. Marcelo Adnet &#8211; Propaganda eleitoral gratuita (2014) Como assim, uma assassina vingativa engajada politicamente em causas progressistas? Nos seis vídeos listados e comentados abaixo, em imagens e sons em que se permitem sombras e ruídos, a artista contrapõe a esse modelo asséptico (na linguagem) e ascético (na tentativa de construir a imagem de heróis humildes e livres de qualquer contradição, sombra ou opacidade), o erotismo e a sensualidade como principais potências. Como afirma Audre Lorde (1984): &#8220;Há tentativas frequentes de se equiparar a pornografia e o erotismo, dois usos diametralmente opostos do sexual. Por causa de tais tentativas, se tornou recorrente separar o espiritual (psíquico e emocional) do político, vê-los como contraditórios ou antitéticos. “Como assim, uma revolucionária poética, um traficante de armas que medita?”. Da mesma forma, temos tentado separar o espiritual do erótico, e assim temos reduzido o espiritual a um mundo de afetos insípidos, do asceta que deseja sentir o nada. Mas nada está mais distante da verdade. Porque a posição ascética é uma do mais grandioso medo, da mais extrema imobilidade&#8221;. Seus primeiros trabalhos explicitamente políticos são de 2012, quando a Vingativa era apenas uma adolescente. Em três pequenos vídeos, ela aparece apoiando a candidata a vereadora DJ Gadá. Os registros sugerem seu envolvimento precoce com a política, bem como uma compreensão de comunidade (no caso, a LGBTQIA+) que tem estado presente em boa parte de seu trabalho. A preocupação com o coletivo e com a representatividade é verbalizada por ela no terceiro vídeo: &#8220;Eu tô cansada de olhar na câmera e só ver héteros. Tá na hora de mudar&#8221;. Pelo viés do gênero, Vingativa chama a atenção para o sujeito dominante na política institucional e expressa o interesse de que grupos pelos quais se sente representada ocupem e transformem esses espaços, para que se possa ver a diferença. A mudança que ela tenta promover na câmara é prefigurada na imagem, que também difere do habitual. A luminosidade insípida comum aos vídeos de campanha, frequentemente gravados de dia, aqui é substituída pelas sombras noturnas. Simbolicamente, a assunção das sombras sugere um outro lugar de enunciação, que contrapõe à luz que esconde e controla uma penumbra que revela e permite. A mensagem verbal, porém, é direta e sublinhada pelo dedo indicador apontado a quem assiste. O gesto, que remete à iconografia hegemônica de convocação à luta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="640" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-1024x640.png" alt="" class="wp-image-877" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-1024x640.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-300x188.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-768x480.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Frame do vídeo &#8220;Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional, de Victor  de la Rocque (2014)</p>



<p>Por Álvaro Andrade</p>



<p>Se apenas recentemente Felipe Neto, a maior personalidade da internet brasileira, passou a usar sua popularidade para promover pautas progressistas em que acredita, desde 2012, quando tinha apenas 13 anos, a artista paraense Leona Vingativa já tentava fazer uso de sua visibilidade nas redes com esse objetivo. Logo, não é de se espantar que, nestas eleições de 2020, ela esteja concorrendo a uma vaga na câmara municipal de Belém, em uma candidatura coletiva. O momento não poderia ser mais oportuno para (re)ver e pensar algumas de suas aparições performáticas em vídeo que têm como alvo a política institucional. Todos lançados e disponíveis no YouTube, os primeiros vídeos são de 2012, e o último, deste ano, é a primeira peça audiovisual de sua campanha.</p>



<p>O trabalho de Vingativa sempre foi carregado de política, principalmente de políticas do corpo, expressão com a qual me refiro, grosso modo, às relações que se estabelecem pela presença dos corpos nos espaços públicos, sejam estes reais ou virtuais. Para além da compreensão de que não há um fora na política, ainda mais especificamente, refiro-me à política que se dá pelo tensionamento que um corpo provoca ao frequentar, de modo subversivo, espaços regidos por normas hegemônicas. Já em Leona Assassina Vingativa (2009), vídeo com o qual ela inicia sua trajetória como pessoa pública, sua presença disruptiva salta aos olhos. Nele, Vingativa tem apenas 11 anos, é uma criança negra, de um bairro empobrecido de Belém (PA), e encarna, contracenando com o amigo adolescente Paulo Colucci (Aleijada Hipócrita), uma mulher poderosa num típico embate dos capítulos finais de uma telenovela.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leona Assassina Vingativa (2009)</p>



<p>A paródia é precisa no texto e na estrutura dramática da cena, mas há algo que escapa. O cenário e o figurino são mínimos, quase inexistentes, expondo a condição real da vida de quem a atua. Enquanto fabulam outras existências possíveis, certa feminilidade é performada até explodir no corpo de Vingativa. A energia excede em muito o registro telenovelesco, para além inclusive da paródia, e ultrapassa também os limites da brincadeira infantil que origina a encenação. O campo é atravessado por risadas e outros elementos vindos do extracampo, como pessoas que aparecem de soslaio nos cantos do plano, e uma força parece pulsar entre ficção e realidade. Elas se divertem enquanto atuam, e o resultado é magnético e chocante. Sua vitalidade alegre, por um lado, e o realismo ruidoso da técnica, do cenário e da caracterização que expõem corpo e contexto, por outro, sugerem em negativo os limites das normas hegemônicas: sejam sociais, referentes ao gênero, ao lugar da infância, à classe etc; sejam do audiovisual, em sua assepsia impositiva, cristalizada e disfarçada como único padrão técnico aceitável. Tudo o que vira cinzas na radicalidade incendiária da performance.</p>



<p>Nessa seleção que proponho, a política é também essa, porém potencializada por uma dobra. São vídeos <strong>explicitamente políticos</strong> porque se direcionam ao campo da política como o senso comum a reconhece &#8211; que envolve partidos, eleições, mandatos etc &#8211; e que aqui proponho chamarmos de &#8220;a política d<strong>o</strong>s polític<strong>o</strong>s&#8221;. Afinal de contas, em nosso país, o mundo da política institucional está tão ou mais sequestrado do que o das imagens pelo sujeito hegemônico (homem, branco, cis, de classes médias e altas). Para se ter uma ideia, olhando apenas para o gênero, <a rel="noreferrer noopener" href="https://oglobo.globo.com/sociedade/brasil-tem-menos-parlamentares-mulheres-do-que-151-paises-22462336" target="_blank">o Brasil tem menos parlamentares mulheres do que 151 países</a>. A presença performática de Vingativa nesses vídeos, portanto, encara um duplo embate, pois tenta agir em um meio ainda mais dominado pelo oponente. Esta paródia de Marcelo Adnet ilustra bem o modelo normativo ao qual me refiro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Marcelo Adnet &#8211; Propaganda eleitoral gratuita (2014)</p>



<p><strong>Como assim, uma assassina vingativa engajada politicamente em causas progressistas?</strong></p>



<p>Nos seis vídeos listados e comentados abaixo, em imagens e sons em que se permitem sombras e ruídos, a artista contrapõe a esse modelo asséptico (na linguagem) e ascético (na tentativa de construir a imagem de heróis humildes e livres de qualquer contradição, sombra ou opacidade), o erotismo e a sensualidade como principais potências. Como afirma Audre Lorde (1984):</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">&#8220;Há tentativas frequentes de se equiparar a pornografia e o erotismo, dois usos diametralmente opostos do sexual. Por causa de tais tentativas, se tornou recorrente separar o espiritual (psíquico e emocional) do político, vê-los como contraditórios ou antitéticos. “Como assim, uma revolucionária poética, um traficante de armas que medita?”. Da mesma forma, temos tentado separar o espiritual do erótico, e assim temos reduzido o espiritual a um mundo de afetos insípidos, do asceta que deseja sentir o nada. Mas nada está mais distante da verdade. Porque a posição ascética é uma do mais grandioso medo, da mais extrema imobilidade&#8221;.</p>
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</div>



<p class="has-text-align-left" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">Seus primeiros trabalhos explicitamente políticos são de 2012, quando a Vingativa era apenas uma adolescente. Em três pequenos vídeos, ela aparece apoiando a candidata a vereadora DJ Gadá. Os registros sugerem seu envolvimento precoce com a política, bem como uma compreensão de comunidade (no caso, a LGBTQIA+) que tem estado presente em boa parte de seu trabalho. A preocupação com o coletivo e com a representatividade é verbalizada por ela no terceiro vídeo: &#8220;Eu tô cansada de olhar na câmera e só ver héteros. Tá na hora de mudar&#8221;. Pelo viés do gênero, Vingativa chama a atenção para o sujeito dominante na política institucional e expressa o interesse de que grupos pelos quais se sente representada ocupem e transformem esses espaços, para que se possa ver a diferença.</p>



<p>A mudança que ela tenta promover na câmara é prefigurada na imagem, que também difere do habitual. A luminosidade insípida comum aos vídeos de campanha, frequentemente gravados de dia, aqui é substituída pelas sombras noturnas. Simbolicamente, a assunção das sombras sugere um outro lugar de enunciação, que contrapõe à luz que esconde e controla uma penumbra que revela e permite. A mensagem verbal, porém, é direta e sublinhada pelo dedo indicador apontado a quem assiste. O gesto, que remete à iconografia hegemônica de convocação à luta e é lembrado sobretudo na figura inquisidora do Tio Sam (I want you!), nestes vídeos deixa de servir à violência heroica e patriarcal ao ser apropriado e atualizado por uma jovem de convicções democráticas, que nos convoca a &#8220;eleger a primeira lésbica vereadora em Belém”, como se lê na descrição do YouTube.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<iframe title="LEONNA ASSASSINA E VINGATIVA ELEIÇÕES 2" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/Q3553W2EbCI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="LEONNA ASSASSINA E VINGATIVA ELEIÇÕES 3" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/EoiGOo8X0k8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leonna Assassina e Vingativa Eleições (2012)</p>



<p>Vingativa volta a se dirigir explicitamente ao campo da política institucional em dois vídeos de 2014. Em &#8220;Leona nas eleições &#8211; eu não vou pagar essa conta&#8221;, ela faz um &#8220;gato&#8221; de energia com a justificativa de que Simão Jatene, governador do Pará à época e candidato à reeleição pelo PSDB, &#8220;vendeu a Celpa [Centrais Elétricas do Pará] por 400 milhões, e a energia subiu 34%&#8221;. A malandragem surge como sabedoria contra-hegemônica, uma contravenção para se esquivar de um processo privatista que encarece sobretudo a vida de quem, como ela, vive em áreas precarizadas. Mais uma vez, enquanto a imagem é ruidosa e a postura bem-humorada, os dados são precisos e a mensagem é direta e se expressa desde o título.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://youtu.be/JEhtLgA4Tlo
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leona nas eleições &#8211; eu não vou pagar essa conta (2014)</p>



<p>Em &#8220;Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional&#8221;, por sua vez, assistimos ao desbunde do corpo no espaço &#8220;sagrado&#8221; e asséptico de Brasília. O vídeo começa parodiando nos créditos iniciais a grandiloquência da política dos políticos, até que a ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, some em fade out para a entrada da dançante Frescáh no Círio, de Vingativa. Ela e Colucci chegam com as imagens e instauram a política do corpo livre, sensual e místico: a chuva que cai é a de Belém, fazendo do gramado do Congresso uma continuação de sua Av. Brasil, no bairro do Jurunas. Água, corpo e palavra conectam os espaços, enquanto elas dançam, se jogam e se divertem declarando amor e apoio a Dilma, a quem se dirigem aos gritos como &#8220;Afrodite&#8221;, &#8220;deusa do amor&#8221;, e alguém que não é &#8220;contra as bichas, é a favor&#8221;.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">&#8220;A dicotomia entre o espiritual e o político é igualmente falsa, resultante de uma atenção displicente de nosso conhecimento erótico. Porque a ponte que os conecta é formada pelo erótico – o sensual –, aquelas expressões físicas, emocionais e psíquicas do que há de mais profundo e forte e farto dentro de cada uma de nós, a ser compartilhado: as paixões do amor, em seus mais fundos significados.&#8221; (LORDE, 1984)</p>
</div>
</div>



<p>Dita para a câmera com alegria e deboche, a mensagem é ao mesmo tempo engraçada, contundente e séria. Ao ressaltar que o apoio não se deve ao Bolsa Família, pois &#8220;existem outros valores&#8221;, explicitam ainda a consciência de como certa elite avalia o voto de esquerda das camadas precarizadas.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/X0OjNkc7dr4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional (2014)</p>



<p>No vídeo deste ano, &#8220;Lançamento da Pré-candidatura Bancada Delas à Câmara de Vereadoras/es de Belém&#8221; (2020), é Vingativa quem está candidata. A estética alia certos aspectos da linguagem padrão da propaganda política, com o uso de drone, da câmera lenta, dos espaços abertos e bem iluminados e de trilha sonora reflexiva. Porém não se pode desprezar a relação entre corpos, lugares e discursos veiculados. Candidatas pelo PCdoB, a socióloga Eliana Silva, a ativista Victoria Santos e a sindicalista Roze Mafra falam de sua origem periférica e de sua luta política dentro das instituições, enquanto caminham por lugares que representam suas trajetórias. Silva, que é presidente da União da Juventude Socialista (UJS-PA), e está na universidade pública; Santos, do Movimento Feminino de Arquibancada (MFA-PA), em um estádio de futebol; já Mafra, presidente do Sindicato das Trabalhadoras/es Domésticas do Pará (SINTDAC-PA), caminha pelo centro da cidade. Esta terceira escolha de cenário é importante, pois desloca a trabalhadora doméstica do espaço privado da casa para o espaço público da rua, lugar por excelência da política no sentido aqui proposto.</p>



<p>Em um trecho de sua fala, o que Silva diz se conecta com o que as imagens tentam construir nessa relação corpo x espaço: &#8220;entendemos que ocupar a política é uma necessidade&#8221;. A compreensão de que ocupar a política é ocupar os espaços contém em si a importância da visibilidade pública e, logo, também das imagens. Nesse sentido, ao dar a ver mulheres periféricas ocupando com serena altivez lugares que a princípio repelem sua presença como protagonistas, o vídeo não opera uma mera replicação de normas. Ele incorpora a linguagem padrão e a subverte a seu favor, e não o contrário.&nbsp;Ocupar os espaços mas também as formas do audiovisual hegemônico com corpos e discursos não habituais, postos em cena em suas singularidades, subverte expectativas. Não por acaso, meu olhar viciado pelas normas, ciente de que se tratava de uma candidatura de mulheres, estranhou à primeira vista o uso da imagem imponente do monumental estádio Mangueirão, para então ser desarmado pela narração de Victoria Santos a respeito de sua luta política como líder de torcida. Preconceitos são criados pela hegemonia através dessa moldagem de expectativas, e quebrá-las é um modo de fazer política com as imagens.</p>



<p>Por fim, é a vez de Leona entrar em cena. O sobrenome Vingativa foi suprimido do material de campanha, talvez por suporem que sua conotação negativa seria inadequada ao marketing da política institucional. A entrada da artista na política dos políticos, afinal, não se daria sem tensionar ambos lados. Em seu discurso, estão presentes preocupações já cantadas em sua obra musical, temas que dialogam e outros que passam ao largo de uma identificação mais evidente: a preservação do meio ambiente e o estímulo do uso de preservativos, a necessidade de cuidar da população idosa e a defesa da vida de pessoas trans. Enquanto as demais candidatas caminham plácidas, Leona, de vestido amarelo esvoaçante e com um enorme leque na mão, desfila com passos firmes. No Jurunas, bairro onde nasceu e se criou, ela cumprimenta e tira fotos com mulheres e crianças nas portas de suas casas, são vizinhas e fãs. Tal qual no vídeo de 2012, emblematicamente, também é noite. Como uma gata parda, Leona segue infiltrando-se no mundo das imagens hegemônicas, despindo-se de rótulos e remodelando horizontes.</p>



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<iframe title="Lançamento da Pré-candidatura Bancada Delas à Câmara de Vereadoras/es de Belém" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/NI-sZg0SGkI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Lançamento da Pré-candidatura Bancada Delas à Câmara de Vereadoras/es de Belém (2020)</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">ALVES, Á. A. A liberdade de Vingativa: performance, performatividade e gesto. 146p. Dissertação de Mestrado em Comunicação Social. PPGCOM/UFMG. Belo Horizonte, 2019.</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">BUTLER, Judith. Vida precaria: el poder del duelo y la violencia 306 &#8211; la ed. &#8211; Buenos Aires : Paidós, 2006.</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">LORDE, Audre. Use Of the erotic: The erotic as power. Tradução: Tatiana Nascimento &nbsp;In: Sister Outsider: essays and speeches. 1 ed. New York: The Crossing Press Feminist Series, 1984. p. 53 – 59</p>
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		<title>Histórias do (não) ver</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2020 23:13:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[não ver]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Pedro Rena o brasil não é o meu país: é meu abismo. o terreiro de minhas, nossas contradicções. é meu câncer coletivo e a força luminosa da escuridão. é nosso discurso interrompido, sufocado e arrebentador. o brasil não é o meu país: é meu veneno. é a miséria que nenhum milagre ocultou. não é a esperança discreta mas concreta e escandalosa de que tudo (ainda) pode acontecer para melhor. é a dificuldade de conscientização diante de tantos séculos de escravismo colonial. o brasil não o meu país: é meu anti-discurso. são ideias e traumas dentro e fora do lugar. são corpos em tempo de fome, mesmo assim luzindo de paixão. o brasil não é o meu país: é nossa esquizofrenia. o brasil não é o meu país: é um videotape de horror.&#160; Terceira aquarela do Brasil (1982), Jomard Muniz de Britto&#160; Quais histórias e imagens sobre o nosso país — da colonização aos dias de hoje — vemos na arte, no cinema, na mídia, no Google, no videoclipe? Quais histórias não vemos? Essa breve seleção de&#160;obras propõe uma reflexão — a partir dos gestos criativos das(os) artistas e cineastas — sobre o que vemos e o que não vemos, nas imagens, da formação histórica do Brasil, atravessando questões que enfrentamos no contemporâneo, apresentando formas de resistência e re-existência aos dispositivos de dominação do poder. Selecionamos três subconjuntos, entre muitos outros possíveis, que dialogam com a proposta maior, do ver e não ver: imagens em torno da nação, das máquinas e da noite — conjuntos que, por sua vez, estabelecem interconexões entre si. Imagem-nação Vera Cruz, Rosângela Rennó No filme Vera Cruz (2000), no ano em que se completavam 500 anos da colonização do Brasil, a artista plástica Rosângela Rennó retomou a Carta de Pero Vaz de Caminha inserida nas legendas do vídeo, montando-a com imagens de películas desgastadas, em branco. Por um lado, um documentário impossível de ser feito pela ausência de imagens do evento. Por outro, um filme que nos faz pensar na violenta história do país apagada de nosso imaginário social. Em meio ao excesso do fluxo imagens, de visibilidade e de transparência do mundo contemporâneo, Rennó instaura um espaço de interrupção, de negatividade: não ver.&#160; Como nos diz Byung-Chul Han: “Obscena é a hipervisibilidade, à qual falta qualquer traço de negatividade do oculto, do inacessível e do mistério. A absolutização do valor expositivo se expressa como tirania da visibilidade. O problemático não é o aumento das imagens em si, mas a coação icônica para tornar-se imagem. Tudo deve tornar-se visível; o imperativo da transparência coloca em suspeita tudo o que não se submete à visibilidade. E é nisso que está seu poder e sua violência.” Em nosso mundo contemporâneo — em que existe um imperativo da visibilidade e em que o conceito de nação está em crise — como criar imagens críticas sobre nossa construção nacional? Em Vera Cruz, Rosângela Rennó parece rasurar a história hegemônica do país, convocando o espectador, por sua vez, a preencher o quadro, a buscar e inventar com a sua imaginação uma outra iconografia para compor esta narrativa — como se a criação de novas imagens dependesse do apagamento daquelas outras ofuscantes. Como essa tela em branco foi preenchida, invadida, ocupada e povoada ao longo desses 500 anos? Que histórias (não) vemos nessa tela? “Silêncio! Estão ouvindo? Vamos dormir. Amanhã veremos&#8230;”. Brasil, Rogério Sganzerla No filme Brasil (1981), Rogério Sganzerla filma o encontro de João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil para gravação do disco Brasil. Enquanto escutamos a regravação de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, música que pinta a tela em branco de Vera Cruz (“Brasil, terra boa e gostosa”), as imagens de arquivo preenchem o quadro com as “maravilhas” do país, descortinando o passado que se entreabre ao filme: o cristo, a jangada, o carnaval, as praias, o povo reunido ao redor de Getúlio Vargas, a recepção do cineasta norte-americano Orson Welles, que chegava ao país para filmar suas belezas. Não sem alguma ironia, na seleção de Sganzerla vemos uma sequência de imagens-clichê da utopia nacional da Bossa Nova, de suas promessas de felicidade, daquilo que poderia nos acontecer de melhor. Como Nuno Ramos escreve, “João Gilberto canta a harmonia, suas músicas “produzem uma amálgama” afirmativa do país: “o nosso querer-ser, as promessas e decepções, infindáveis e contraditórias, que pululam em nossa história, parecem todos enfim equalizados e em loop.” bárbara balaclava, Thiago Martins Melo Em uma perspectiva contrastante com a de Brasil, Thiago Martins de Melo, no filme bárbara balaclava, colore a tela em branco de Vera Cruz — em uma outra versão da Aquarela do Brasil — narrando a história da barbárie do país, da colonização aos dias de hoje, constituída por uma série de imagens de incontáveis violências, físicas e simbólicas: genocídios, extermínios, escravidão, tortura — a brutal necropolítica que atravessa o nosso país, assim como as inúmeras lutas de resistência e sobrevivência dos diversos povos. Imagens diante séculos de escravismo colonial. Imagens hipervisíveis, obscenas e, ao mesmo tempo, imagens sobre o que está oculto. Como se em bárbara balaclava assistíssemos ao avesso das imagens e da narrativa que vimos em Brasil, de Sganzerla. Melo torna visível o que é recalcado de nossa memória coletiva, dando a ver aquilo que não é mostrado pela História oficial. O artista cria imagens para os crimes silenciados e não documentados da formação do Brasil. Nas palavras de Patrícia Mourão: Saiba mais no texto de Mourão, &#8220;Sobre algumas ruínas, uns lamentam,&#160;outros dançam: sobre a presença portuguesa na 20ª edição do Videobrasil&#8221;. Acesse aqui. “as pinturas de Thiago amalgamam uma história de violência e resistência com um gesto que equivale, em energia e ferocidade, à violência histórica a que fazem referência. São pinturas que não cabem em si mesmas, nem em ambição, nem em energia. Tematicamente, elas evocam, de modo alegórico e fragmentado, os abusos cometidos ao longo de séculos contra as populações de origem indígena e negra do Brasil e as resistências e sobrevivências desses povos,]]></description>
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<p>Por Pedro Rena</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px"><em>o brasil não é o meu país: é meu abismo. o terreiro de minhas, nossas contradicções. é meu câncer coletivo e a força luminosa da escuridão. é nosso discurso interrompido, sufocado e arrebentador. o brasil não é o meu país: é meu veneno. é a miséria que nenhum milagre ocultou. não é a esperança discreta mas concreta e escandalosa de que tudo (ainda) pode acontecer para melhor. é a dificuldade de conscientização diante de tantos séculos de escravismo colonial. o brasil não o meu país: é meu anti-discurso. são ideias e traumas dentro e fora do lugar. são corpos em tempo de fome, mesmo assim luzindo de paixão. o brasil não é o meu país: é nossa esquizofrenia. o brasil não é o meu país: é um videotape de horror.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Terceira aquarela do Brasil </em>(1982), Jomard Muniz de Britto&nbsp;</p>
</div>
</div>



<p>Quais histórias e imagens sobre o nosso país — da colonização aos dias de hoje — vemos na arte, no cinema, na mídia, no Google, no videoclipe? Quais histórias <em>não</em> vemos? Essa breve seleção de&nbsp;obras propõe uma reflexão — a partir dos gestos criativos das(os) artistas e cineastas — sobre o que vemos e o que <em>não</em> vemos, nas imagens, da formação histórica do Brasil, atravessando questões que enfrentamos no contemporâneo, apresentando formas de resistência e re-existência aos dispositivos de dominação do poder. Selecionamos três subconjuntos, entre muitos outros possíveis, que dialogam com a proposta maior, do <em>ver</em> e <em>não ver</em>: imagens em torno da nação, das máquinas e da noite — conjuntos que, por sua vez, estabelecem interconexões entre si.</p>



<p><strong>Imagem-nação</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Rosângela Rennó - Vera Cruz" src="https://player.vimeo.com/video/22969066?dnt=1&amp;app_id=122963" width="320" height="240" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
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<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Vera Cruz</em>, Rosângela Rennó</p>



<p>No filme <em>Vera Cruz </em>(2000), no ano em que se completavam 500 anos da colonização do Brasil, a artista plástica Rosângela Rennó retomou a Carta de Pero Vaz de Caminha inserida nas legendas do vídeo, montando-a com imagens de películas desgastadas, em branco. Por um lado, um documentário impossível de ser feito pela ausência de imagens do evento. Por outro, um filme que nos faz pensar na violenta história do país apagada de nosso imaginário social. Em meio ao excesso do fluxo imagens, de visibilidade e de transparência do mundo contemporâneo, Rennó instaura um espaço de interrupção, de negatividade: <em>não </em>ver.&nbsp;</p>



<p>Como nos diz Byung-Chul Han: “Obscena é a hipervisibilidade, à qual falta qualquer traço de negatividade do oculto, do inacessível e do mistério. A absolutização do valor expositivo se expressa como tirania da visibilidade. O problemático não é o aumento das imagens em si, mas a <em>coação icônica</em> para tornar-se <em>imagem. </em>Tudo deve tornar-se visível; o imperativo da transparência coloca em suspeita tudo o que não se submete à visibilidade. E é nisso que está seu poder e sua violência.”</p>



<p>Em nosso mundo contemporâneo — em que existe um imperativo da visibilidade e em que o conceito de nação está em crise — como criar imagens críticas sobre nossa construção nacional? Em <em>Vera Cruz, </em>Rosângela<em> </em>Rennó parece rasurar a história hegemônica do país, convocando o espectador, por sua vez, a preencher o quadro, a buscar e inventar com a sua imaginação uma outra iconografia para compor esta narrativa — como se a criação de novas imagens dependesse do apagamento daquelas outras ofuscantes. Como essa tela em branco foi preenchida, invadida, ocupada e povoada ao longo desses 500 anos? Que histórias (não) vemos nessa tela? “Silêncio! Estão ouvindo? Vamos dormir. Amanhã veremos&#8230;”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="BRASIL │ Rogerio Sganzerla (1981)" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/gYFAXsqoOTo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Brasil</em>, Rogério Sganzerla</p>



<p>No filme <em>Brasil </em>(1981), Rogério Sganzerla filma o encontro de João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil para gravação do disco <em>Brasil</em>. Enquanto escutamos a regravação de <em>Aquarela do Brasil</em>, de Ary Barroso, música que pinta a tela em branco de <em>Vera Cruz </em>(“Brasil, terra boa e gostosa”), as imagens de arquivo preenchem o quadro com as “maravilhas” do país, descortinando o passado que se entreabre ao filme: o cristo, a jangada, o carnaval, as praias, o povo reunido ao redor de Getúlio Vargas, a recepção do cineasta norte-americano Orson Welles, que chegava ao país para filmar suas belezas. Não sem alguma ironia, na seleção de Sganzerla vemos uma sequência de imagens-clichê da utopia nacional da Bossa Nova, de suas promessas de felicidade, daquilo que poderia nos acontecer de melhor. Como Nuno Ramos escreve, “João Gilberto canta<em> </em>a<em> harmonia, </em>suas músicas<em> “</em>produzem uma <em>amálgama” </em>afirmativa do país: “o nosso querer-ser, as promessas e decepções, infindáveis e contraditórias, que pululam em nossa história, parecem todos enfim equalizados e em loop.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>bárbara balaclava</em>, Thiago Martins Melo</p>



<p>Em uma perspectiva contrastante com a de <em>Brasil, </em>Thiago Martins de Melo, no filme <em>bárbara balaclava</em>, colore a tela em branco de <em>Vera Cruz </em>— em uma outra versão da <em>Aquarela do Brasil </em>—<em> </em>narrando a história da barbárie do país, da colonização aos dias de hoje, constituída por uma série de imagens de incontáveis violências, físicas e simbólicas: genocídios, extermínios, escravidão, tortura — a brutal necropolítica que atravessa o nosso país, assim como as inúmeras lutas de resistência e sobrevivência dos diversos povos. Imagens diante séculos de escravismo colonial. Imagens hipervisíveis, obscenas e, ao mesmo tempo, imagens sobre o que está oculto. Como se em <em>bárbara balaclava</em> assistíssemos ao <em>avesso</em> das imagens e da narrativa que vimos em <em>Brasil</em>, de Sganzerla. Melo torna visível o que é recalcado de nossa memória coletiva, dando a ver aquilo que não é mostrado pela História oficial. O artista cria imagens para os crimes silenciados e não documentados da formação do Brasil. Nas palavras de Patrícia Mourão: </p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-small-font-size">Saiba mais no texto de Mourão, &#8220;<em>Sobre algumas ruínas, uns lamentam,&nbsp;outros dançam</em>: sobre a presença portuguesa na 20ª edição do Videobrasil&#8221;. Acesse <a href="https://www.buala.org/pt/afroscreen/sobre-algumas-ruinas-uns-lamentam-outros-dancam-algumas-impressoes-sobre-a-presenca-portu" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">“as pinturas de Thiago <em>amalgamam uma história de violência e resistência</em> com um gesto que equivale, em energia e ferocidade, à violência histórica a que fazem referência. São pinturas que não cabem em si mesmas, nem em ambição, nem em energia. Tematicamente, elas evocam, de modo alegórico e fragmentado, os abusos cometidos ao longo de séculos contra as populações de origem indígena e negra do Brasil e as resistências e sobrevivências desses povos, frequentemente misturando lutas passadas com presentes.”</p>
</div>
</div>



<p class="has-normal-font-size"><strong>Imagem-máquina</strong></p>



<div class="wp-block-columns are-vertically-aligned-bottom is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<p class="has-small-font-size">Assista ao vídeo com a fala de Nuno Ramos sobre Drummond. Acesse <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/watch?v=j5ef6IrZOeQ" target="_blank">aqui</a>.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px"><em>A treva mais estrita já pousara</em><em><br></em><em>sobre a estrada de Minas, pedregosa,</em><em><br></em><em>e a máquina do mundo, repelida,</em></p>



<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px"><em>se foi miudamente recompondo</em></p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>A máquina do mundo</em>, Carlos Drummond de Andrade</p>



<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">&#8220;O Drummond é uma força de fusão, quer dizer, é alguém que produz uma mistura. Eu sinto as forças discrepantes nele tentando se fundir. O Drummond pega o Brasil como uma grande fazenda e vai até um Brasil industrializado, complexo, violento, ele passa por tudo, mas eu tenho a impressão que ele soube amalgamar isso, soube botar em contato coisas que sem ele ficam simplesmente isoladas.&#8221;</p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="768" height="511" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-2.jpg" alt="" class="wp-image-824" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-2.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-2-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Lígia</em>, Nuno Ramos</p>



<p>Em <em>Lígia, </em>Nuno Ramos cria uma estranha amálgama entre as reportagens do Jornal Nacional, que narraram o golpe parlamentar de 2016, com a música <em>Lígia</em> (cantada originalmente por Tom Jobim e João Gilberto). A obra foi exibida em loop no mesmo horário do Jornal Nacional — ao longo de um mês, na página web do&nbsp;<em>aarea&nbsp;</em>—, instaurando uma temporalidade e circulação das imagens paralela e contrastante com aquela da TV. Através de uma intervenção nas imagens de arquivo da Rede Globo — a emissora que apoiou a ditadura —, recortando e mixando mecanicamente as sílabas das palavras, fazendo com que os apresentadores do noticiário cantem estranhamente a música <em>Lígia</em>, contrastando a letra escapista — composta em pleno regime militar — de uma história de amor (“eu nunca sonhei com você, nunca fui ao cinema”), com o tempo presente marcado pelo retorno da extrema-direita ao poder no país. Como se a promessa utópica da Bossa Nova tivesse fracassado, se transformando, no filme, em ruído e curto-circuito; assim como as imagens do Jornal Nacional. Como se os apresentadores do jornal fossem partes de engrenagens de uma grande máquina de sucessivos golpes na nossa história.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe src="https://player.vimeo.com/video/193107359?dnt=1&amp;app_id=122963" width="1280" height="720" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>7FF ON¢IDIA</em>,&nbsp;Ж</p>



<p><em>7FF ON¢IDIA </em>é realizado ao redor dos megaeventos globais sediados no Brasil. As imagens digitais do mascote da Copa do Mundo são montadas com imagens analógicas em Super-8, de animais na natureza, imagens de animais como esculturas. Assistimos mais uma vez à violência policial reprimindo manifestantes que furam o boneco de plástico do Fuleco, que destroem — num gesto iconoclasta — o monumento que se impõe ostensivamente à visão. Vemos imagens dos fluxos maquínicos e invisíveis do capital financeiro mundial — capitalismo e nossa esquizofrenia. Imagens de mapas do Brasil, de animais selvagens, das notas do Real.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Nunca é noite no mapa  / It&#039;s never nighttime in the map" src="https://player.vimeo.com/video/175423925?dnt=1&amp;app_id=122963" width="1290" height="806" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Nunca é noite no mapa</em>, Ernesto Carvalho</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Se em <em>Lígia </em>Nuno Ramos se apropria e inverte as imagens da grande mídia — dessa produtora hegemônica de narrativas sobre o país —, em <em>Nunca é noite no mapa</em>, Ernesto Carvalho se apropria das imagens do Google Maps — esse imenso banco de dados imagético&nbsp; multinacional — para dar a ver a violência policial e a vertiginosa urbanização e modernização da cidade de Recife na última década, para sediar os mega-eventos mundiais, assim como <em>7FF ON¢IDIA.</em> Num gesto de contravigilância, alternando a lógica de quem vê e quem é visto, Carvalho dirige seu olhar e filma em flagrante o carro da Google (essa máquina que produz imagens com uma câmera acoplada no teto)</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="659" height="396" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-3.png" alt="" class="wp-image-825" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-3.png 659w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-3-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 659px) 100vw, 659px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="368" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/nunca-noite-ernesto.png" alt="" class="wp-image-827" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/nunca-noite-ernesto.png 588w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/nunca-noite-ernesto-300x188.png 300w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Nunca é noite no mapa</em>, Ernesto Carvalho</p>
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<p>Ele retoma&nbsp;criticamente as imagens do aplicativo — para as quais tudo deve estar exposto e mapeado — submetidas à luz dos dispositivos de dominação de um regime de visibilidade em que <em>sempre é dia</em>, em que tudo deve ser visível. Como escreve o filósofo Byung-Chul Han, sobre a nossa sociedade da transparência: “Um mundo que consistisse apenas de informações e cuja comunicação fosse apenas circulação de informações, livre de perturbações, não passaria de uma máquina”.&nbsp;</p>



<p>Para a lógica da Google, tudo deve ser transformado em dados e informação, em prol do controle digital e do monitoramento das populações. Na sua falsa imparcialidade, porém, o dispositivo flagra a violência devastadora cometida pela polícia e pelo capital contra a cidade e as pessoas que ali re-existem. Nas palavras de Jonathan Crary, assistimos a um projeto de poder que pretende “inundar de luzes os espaços a fim de suprimir as sombras e criar condições de controle graças à visibilidade completa.”</p>



<p>Em <em>Nunca é noite no mapa</em>, Carvalho explora a operação concatenada das viaturas da polícia, do Google e do Estado; agenciando os mecanismos de poder das máquinas da repressão, da vigilância e da urbanização, que operam conjunta e violentamente na homogeneização do campo do visível e do espaço da cidade. Em seu livro <em>Maquinação do mundo, </em>José Miguel Wisnik nos diz que com a aparição da &#8220;máquina do mundo&#8221;, no poema de Drummond, em 1949, o eu-lírico entrevê &#8220;a mundialização dos dispositivos de exploração e dominação do mundo que se anunciavam no pós-guerra”. Em sua visão totalizante, Drummond anteviu os mecanismos e os dispositivos de dominação do capitalismo contemporâneo, onipresentes no nosso mundo de hoje. Sublinhando a atualidade do pensamento do poeta, Wisnik comenta que em sua “<em>máquina de produzir anti-história,</em> Drummond vislumbrava o mundo do segundo pós-guerra, momento de manifestação de uma virtualidade técnica que se atualizará posteriormente nos sistemas de satélites, no GPS e no Google Earth.” Abel Barroso nos diz que a recusa de Drummond é uma negação à <em>visão total </em>oferecida pela máquina do mundo: “Trata-se de não ver. É essa a recusa básica: baixar os olhos e não ver o que se impõe à visão.”&nbsp;</p>



<p>No prefácio do livro <em>A queda do céu</em>, de&nbsp; Davi Kopenawa e Bruce Albert, Eduardo Viveiros de Castro retoma a imagem da “máquina do mundo” constatando que, “se as profecias justificadamente pessimistas de Davi se concretizarem, só começaremos a enxergar alguma coisa quando não houver mais nada a ver. Aí então poderemos, como Drummond, ‘avaliar o que perdemos’.” Por outro lado, o antropólogo sustenta que devemos “perceber “a máquina do mundo” como um ser vivo composto de incontáveis seres vivos, um superorganismo constantemente renovado”. Se, por um lado, o Brasil é um país complexo composto por diversas máquinas — de dominação, controle, exploração, extermínio —, também é um superorganismo sempre renovado por diversos seres e sujeitos que re-existem na máquina, na sociedade, nas imagens. Filmes que são dispositivos de resistência. Imagens que interrompem o fluxo da máquina, imagens que desmontam as máquinas. Filmes que dão a ver os mecanismos de opressão que se querem invisíveis. Filmes que se negam a ver o que se impõe agressivamente à visão.</p>



<p><strong>Imagem-noite</strong></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="558" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-1024x558.png" alt="" class="wp-image-859" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-1024x558.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-300x164.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-768x419.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-1536x837.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond.png 1680w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-left has-small-font-size">Frame de <em>Action Lekking A</em>, Negro Leo e Gregorio Gananian</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">Escurece, e não me seduz&nbsp;<br>tatear sequer uma lâmpada.&nbsp;<br>Pois que aprouve ao dia findar,&nbsp;<br>aceito a noite.&nbsp;<br><br>E com ela aceito que brote<br>uma ordem outra de seres&nbsp;<br>e coisas não figuradas.&nbsp;<br>Braços cruzados.&nbsp;<br><br>[&#8230;] Povoações<br>surgem do vácuo.<br>Habito alguma?&nbsp;<br><br>[&#8230;]<br><br>E aquele agressivo espírito<br>que o dia carreia consigo,<br>já não oprime. Assim a paz,<br>destroçada.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Dissolução</em>, Drummond</p>
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<p>Diversos filmes brasileiros contemporâneos — como <em>Era uma vez Brasília </em>(2017)<em>,</em> <em>Baixo centro </em>(2018)<em>,</em> <em>Sonâmbulos </em>(2018)<em>, Tremo Iê </em>(2019) e<em> Sete anos em maio </em>(2019) — são compostos predominantemente por cenas noturnas. Se, por um lado, essas imagens captam o espírito sombrio de nosso tempo tomado pelas forças reacionárias da extrema-direita, por outro, encontram na noite povoações que escapam das opressivas luzes do capitalismo, da razão, da vigilância, da mídia e do espetáculo. Como diz o filósofo Giorgio Agamben, “contemporâneo é aquele&nbsp;que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o&nbsp;escuro.” Reconhecendo essas trevas, os filmes buscam novas maneiras de ver sob outra luz. Filmes que operam em um regime de visibilidade que não é governado por luzes excessivas, por sentidos claros e homogêneos, por estereótipos hipervisíveis e super-expostos. A aceitação da noite como condição para enxergar o lampejo próprio dos corpos e dos povos. Na noite da noite escura, a aparição de constelações.&nbsp;</p>



<p>Como nos diz Jonathan Crary:<em><sup> </sup>&nbsp;</em>“Um mundo sem sombras, iluminado 24/7, é a miragem capitalista final do exorcismo da alteridade.” Ou, como escreve Drummond: “O progresso técnico teve isso de retrógrado: fez-se numa escala de massas, esquecendo-se do indivíduo, e nenhuma central elétrica de milhões de quilowatts será capaz de produzir aquilo de que precisamente cada um de nós carece na cidade excessivamente iluminada: <em>certa penumbra</em>.” A noite, pela opacidade, pela alteridade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Adormecidos (2011)" src="https://player.vimeo.com/video/26078786?dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Adormecidos </em>(2011), Clarissa Campolina.</p>



<p>Em <em>Adormecidos </em>(2011), Clarissa Campolina filma uma cidade noturna, que sonha, onde os solitários personagens dos cartazes publicitários nos devolvem seus melancólicos olhares. Como em <em>Vera Cruz </em>de Rosângela Rennó, o filme termina com <em>outdoors</em> em branco: imagens que — a partir da escuridão e do vazio — nos convidam a imaginar e sonhar uma outra ordem de seres e coisas que ainda não existem. No livro <em>Oráculo da noite, </em>Sidarta Ribeiro nos diz que os sonhos — para além da forte relação com a memória e o passado — têm uma conexão particular com o futuro, uma função importantíssima ligada à imaginação do por vir. Um espaço onde as simulações dos possíveis, daquilo que podemos vir a ser — enquanto sujeitos e coletividades — acontecem. A memória como promessa de futuro. Sidarta Ribeiro escreve: “No seu melhor, os sonhos são a própria fonte de nosso futuro. O inconsciente é a soma de todas as nossas memórias e de todas as suas combinações possíveis. Compreende, portanto, muito mais do que o que fomos — compreende tudo o que podemos ser”. Venha, então, a noite, o sono, a fabulação.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Conte Isso Àqueles Que Dizem Que Fomos Derrotados  I MG I 23’&#039;  I 2018" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/o4u-XatEpto?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados</em>, Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito;</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Com as luzes de suas lanternas que se confundem com as luzes da cidade ao fundo, os sujeitos do filme <em>Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados </em>ocupam um território vazio da cidade, povoando a imagem, erguendo em silêncio uma bandeira vermelha e se assentando, adormecendo nas ruínas da cidade submersa. Na madrugada, luzes apontam o caminho. Como escreve Vinícius Andrade, o filme opera “na intermitência das fontes luminosas, como lanternas, responsáveis por repartir o que se vê e o que não se vê, fazendo os ocupantes assemelharem-se a uma horda de seres brilhantes trabalhando sob a escuridão”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://vimeo.com/391125164/6e087811d9
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>A noite através, </em>Gustavo Jardim</p>
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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Em <em>A noite através, </em>de Gustavo Jardim, lemos a cartela de uma história Guajajara sobre a criação da noite: “A criança foi ao centro da floresta e abriu a semente da sapucaia. Num estalo, a noite saiu como um sopro por entre seus dedos. Maravilhada, a criança voou como pássaro para dentro da escuridão”.</p>
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<p>Com algumas luzes ao fundo, a câmera se aproxima dos corpos que estão de braços dados povoando a imagem em meio aos ensaios para o ritual da Festa do Mel. Na indistinção da noite, as fronteiras rígidas e discerníveis entre os sujeitos se rompem para dar espaço aos gestos coletivos e às alianças entres os corpos.&nbsp;</p>



<p>Como se pergunta Georges Didi-Huberman: “Procuram-se ainda os vaga-lumes em algum lugar, falam-se, amam-se apesar de tudo, <em>apesar do todo</em> da máquina, apesar da escuridão da noite, apesar dos projetores ferozes? Há sem dúvida motivos para ser pessimista, contudo é tão mais necessário abrir os olhos na noite, se deslocar sem descanso, voltar a procurar os vaga-lumes.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ACTION LEKKING A - NEGRO LEO feat. FEZINHO PATATYY (clipe)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/DXxRdqgmuSs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Action Lekking A</em>, Gregorio Gananian e Negro Leo.</p>



<p>No clipe <em>Action Lekking A </em>(2017)<em>, </em>de Negro Leo, Fezinho Patatyy se desloca literalmente das sombras, onde suas fronteiras se dissolvem e multiplicam, para dançar e ocupar as ruas da cidade de São Paulo, iluminadas pelas coloridas luzes neon projetadas para o clipe. São corpos luzindo de paixão<em>.</em> Como num sonho acordado, os <em>leks</em> ganham uma alegre e rebelde visibilidade — inventam comunidades que, apesar de toda a tragédia de nosso tempo, “não morrem numa máquina, re-existem numa máquina”, como canta Negro Leo. Ou, como está escrito no manifesto do disco: “o brazyl <em>não viu</em> o óbvio. action lekking, nesse contexto, é a saída particular, subjetiva, encontrada por indivíduos ou grupos, é o delírio atuante contra corporações ou processos políticos. toda resistência do lek é action lekking.”</p>



<p>Ailton Krenak escreve, em uma de suas <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>: “Nosso tempo é especialista em criar ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar, de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta, faz chover. Então, pregam o fim do mundo como uma possibilidade de fazer a gente desistir dos nossos próprios sonhos.”</p>



<p style="font-size:14px"><strong>Agradecimentos</strong></p>



<p style="font-size:14px">O título desta curadoria faz referência ao livro <em>Histórias do não ver, </em>de Cao Guimarães.</p>



<p style="font-size:14px">Os filmes <em>Vera Cruz</em> e <em>Brasil</em> e foram exibidos na mostra <em>Vanguarda tropical</em> no Cine OP de 2018, com curadoria de Francis Vogner dos Reis e Lila Foster. Agradeço à Lila pela oportunidade de ver esses filmes no cinema e pelas conversas reveladoras nos intervalos do festival, caminhando na noite pela cidade de Ouro Preto.</p>



<p style="font-size:14px">Os filmes <em>Vera Cruz e bárbara balaclava </em>foram programados juntos na sessão “Documentos da barbárie”, com curadoria de Patrícia Mourão, na 8ª&nbsp;Semana dos realizadores. Agradeço à Patrícia pelas nossas trocas e conversas que inspiram esta proposta de curadoria.</p>



<p style="font-size:14px">Agradeço aos professores César Guimarães, André Brasil e Cláudia Mesquita pelas leituras, revisões e sugestões para este trabalho. Agradeço aos amigos e amigas pelos diálogos cotidianos e inspiradores que acompanham esta pesquisa em desenvolvimento: Urik Paiva, Laura Godoy, Luiz Fortini, João Rabelo, Luiz Fernando Moura, Gabriela Abdalla, Luís Flores, Larissa Muniz, Carina S. Gonçalves, André Elias, Arthur Costa, entre muitos outros/as.</p>



<p style="font-size:14px"><strong>Referências</strong></p>



<p style="font-size:14px">AGAMBEN, Giorgio. <em>O que é o contemporâneo</em>. Chapecó: Argos, 2009.</p>



<p style="font-size:14px">ANDRADE, Carlos Drummond de. <em>Nova reunião</em>: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.</p>



<p style="font-size:14px">ANDRADE, Carlos Drummond de. <em>Passeios na ilha. </em>São Paulo: Cosac Naify, 2011.</p>



<p style="font-size:14px">BAPTISTA, Abel Barros. <em>Drummond antimoderno</em>. Lisboa: Angelus Novus, 2010.</p>



<p style="font-size:14px">CRARY, Johnathan. <em>Capitalismo tardio e o fim dos sonhos. </em>São Paulo: Cosac Naify, 2015.</p>



<p style="font-size:14px">DIDI-HUBERMAN, Georges. <em>A sobrevivência dos vaga-lumes. </em>Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011.</p>



<p style="font-size:14px">KRENAK, Ailton. <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.</p>



<p style="font-size:14px">KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. <em>A queda do céu.</em> São Paulo: Companhia das Letras, 2015.</p>



<p style="font-size:14px">MOURÃO, Patrícia. <em>Sobre algumas ruínas, uns lamentam,&nbsp;outros dançam</em>: algumas impressões sobre a presença portuguesa na 20ª edição do Videobrasil. &nbsp;</p>



<p style="font-size:14px">HAN, Byung-Chul. <em>Sociedade da transparência. </em>Rio de Janeiro:<em> </em>Editora Vozes, 2012.</p>



<p style="font-size:14px">HAN, Byung-Chul. <em>Psicopolítica.</em> Veneza: Editora Âyne, 2018.</p>



<p style="font-size:14px">OLIVEIRA, Vinicius Andrade. Quando vaga-lumes entraram em cena: In:&nbsp;<em>Catálogo do 22º Festival do filme documentário e etnográfico</em>&nbsp;– forumdoc. Glaura Cardoso Vale; Junia Torres; Carla Italiano. (Org.). Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2018.</p>



<p style="font-size:14px">RAMOS, Nuno. <em>Verifique se o mesmo</em>. São Paulo: Todavia, 2019.</p>



<p style="font-size:14px">RIBEIRO, Sidarta. <em>O oráculo da noite</em>. São Paulo: Companhia das letras, 2019.</p>



<p style="font-size:14px">WISNIK, José Miguel. <em>Maquinação do mundo</em>: Drummond e a mineração. São Paulo: Cia das Letras, 2018.</p>
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		<title>O cine-maniva e as donas da roça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2020 18:46:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
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					<description><![CDATA[Foto: Julia Bernstein, Santa Isabel do Ayari, em 2019 Por Julia Bernstein &#8220;(&#8230;) quem seria a maniva e outras variedades, era ele próprio, o Kaaly, pois tudo era seu corpo, tais como; maniwa (todas as variedades), frutas (todos os tipos de frutas), todas as variedades que existem no sistema agrícola estavam nele próprio; a cana era o braço dele; o buyuyu eram seus olhos; melancia e jerimum eram sua cabeça; a banana e warinhã eram seu pênis; as batatas eram os seus testículos; a batata que nasce rasteira na roça e vai se espalhando na terra, essa era a sua urina escorrendo.” (FONTES, 2019) Maniva é um termo usado para designar a parte aérea da mandioca brava (manihot esculenta), principal planta nas roças da região do Rio Negro (Amazonas). E o cine-maniva representa a relação entre o cinema produzido neste contexto e elementos constitutivos das roças indígenas rionegrinas. Um cinema que brota e que, creio, tem a capacidade de ser também adubo. Nenhuma tarefa do sofrido trabalho da roça é realizada à toa, fortuitamente, destituída de sentido prévio. Em geral, as dificuldades são punições de demiurgos pela desobediência em um tempo originário. As habilidades utilizadas no trabalho da roça e as próprias manivas são tomadas, muitas vezes, como presentes desses seres. Do mesmo modo, o cine-maniva não se faz à toa, ele está a serviço da roça e é por ela atravessado e constituído. Trata-se de um cinema que brota das roças indígenas, que, por isso, mostra-se indissociável das relações sociais das quais é produto e, ao mesmo tempo, parte ativamente constituinte. Os filmes dão a ver, para olhares atentos, um universo sem fim de relações entre humanos, plantas, animais e outros seres que parece definir o modo de vida da maioria dos povos que habitam a região da Cabeça do Cachorro. Recorte de Mapa do Estado do Amazonas, em sua porção noroeste, na divisa com Colômbia e Venezuela. Fonte: IBGE A roça, no Rio Negro, nasce de um trabalho complementar entre homens e mulheres. É necessário que o homem (marido, pai, irmão ou filho) prepare o espaço com a derrubada das árvores e a queima das mesmas, tornando aquele um espaço fértil. Em seguida ele é entregue a sua dona, a mulher, a “dona da roça”. Por mais que obtenha ajuda de seu marido, filhos e filhas, é ela quem detém o domínio, o conhecimento e as habilidades capazes de fazer dessa uma relação produtiva. A partir do momento em que o homem entrega o espaço recém queimado à mulher, ela passa a ser responsável não apenas por plantar e colher, mas por manejar uma série de relações que envolvem também as plantas. O termo “dona” empregado aqui parece estar distante da ideia de propriedade privada, em que é necessário alienar algo de suas relações para possuí-lo, para torná-lo mercadoria. Podemos dizer que há, entre mulheres e manivas, uma certa filiação adotiva. Muito embora a relação entre elas nem sempre se expresse em termos de mães e filhas, parece expressar uma relação assimétrica, de reconhecimento mútuo e adoção, na qual as mulheres são responsáveis pela proteção e cuidado das manivas (FAUSTO, 2008). Podemos falar em uma “sociedade das manivas”, “seres, com certa dignidade, e não podem passar sede, devem estar alegres, bem penteadas [capinadas], fazem festas, são criadas” (EMPERAIRE et al, 2010:86). As manivas, que são gente (outra gente), precisam reconhecer suas donas. O sucesso da produção depende, portanto, desta filiação. Quando uma mulher se muda sem conseguir levar suas manivas, ela consegue algumas estacas com sua sogra, parentes ou vizinhas. Precisa, porém, estabelecer relação com as novas manivas, ainda desconhecidas. É o caso da protagonista de Manivas de Basebó (2016). Quando finalmente Dona Maria Aparecida colheu a primeira leva de batatas de mandioca e replantou as estacas, elas passaram a se reconhecer e as manivas “carregaram” para ela. As plantas são atores em uma relação produtiva que gera não apenas produtos alimentícios, mas parece produzir as próprias pessoas, suas relações e seus corpos indígenas, que, como diz Dona Maria Aparecida, não se satisfazem com comida de branco. As manivas de Basebó (2016)Direção e Montagem: Maria Cláudia Dias Campos (Tariana) A relação complexa entre humanos, objetos, plantas e outros seres, presente no espaço das roças rionegrinas, vem sofrendo algumas ameaças. Com a necessidade de estudo dos filhos, muitas famílias se deslocaram em direção às cidades, abandonando suas regiões tradicionais de plantio. Ao chegar na cidade, acabam por conseguir espaço para uma nova roça, mesmo que em locais um pouco distantes. A partir de então costumam sofrer com um outro fator que fragiliza esse sistema agrícola: o desinteresse das gerações mais novas e o conflito entre os estudos e o modo de vida tradicional. O diálogo entre mãe e filha em Não gosta de fazer mas gosta de comer (2016), é revelador: &#8220;Filha: Eu não gosto muito de fazer isso não mas&#8230;Mãe: Pode fazer&#8230;F: Eu só faço porque não gosto de ver a mamãe fazer sozinha, mas eu não gosto não.M: Você tem que estudar muito para não trabalhar com roça. Aqui é minha casa de forno, eu tô muito feliz (em nheengatu).F: Não sei nem o que a senhora tá falando aí, mas pode falar. A senhora tá me chamando de preguiçosa, é?M: Tu não gosta de estar por aqui. Eu gosto de trabalhar com mandioca, por isso eu tenho roça. (em nheengatu)F: Ai, mãe, não dá pra entender nada!M: Não gosta de fazer mas gosta de comer.&#8221; (em nheengatu) Dona Irene, uma senhora Baré que mora na cidade de Barcelos, não deixa de falar da alegria e do prazer que sente, tanto em seu trabalho na roça, quanto no interesse de duas jovens indígenas que ficaram cerca de uma semana acompanhando seu cotidiano. São as “meninas bonitas” que estão atrás das câmeras, convocadas a todo momento pela personagem. Elas mesmas divididas entre o mundo dos estudos e o da roça. Não gosta de fazer, mas gosta de comer (2016)Direção: Alcilane Melgueiro (Baré) e Maria Cidilene Basílio (Tukana)]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein10-1024x683.png" alt="" class="wp-image-796" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein10-1024x683.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein10-300x200.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein10-768x512.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein10-1536x1024.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein10-2048x1366.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px">Foto: Julia Bernstein, Santa Isabel do Ayari, em 2019</p>



<p>Por Julia Bernstein</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p style="font-size:12px">&#8220;(&#8230;) quem seria a maniva e outras variedades, era ele próprio, o Kaaly, pois tudo era seu corpo, tais como; <em>maniwa</em> (todas as variedades), frutas (todos os tipos de frutas), todas as variedades que existem no sistema agrícola estavam nele próprio; a cana era o braço dele; o <em>buyuyu</em> eram seus olhos; melancia e jerimum eram sua cabeça; a banana e <em>warinhã</em> eram seu pênis; as batatas eram os seus testículos; a batata que nasce rasteira na roça e vai se espalhando na terra, essa era a sua urina escorrendo.” (FONTES, 2019)</p>
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<p>Maniva é um termo usado para designar a parte aérea da mandioca brava (<em>manihot esculenta</em>), principal planta nas roças da região do Rio Negro (Amazonas). E o cine-maniva representa a relação entre o cinema produzido neste contexto e elementos constitutivos das roças indígenas rionegrinas. Um cinema que brota e que, creio, tem a capacidade de ser também adubo.</p>



<p>Nenhuma tarefa do sofrido trabalho da roça é realizada à toa, fortuitamente, destituída de sentido prévio. Em geral, as dificuldades são punições de demiurgos pela desobediência em um tempo originário. As habilidades utilizadas no trabalho da roça e as próprias manivas são tomadas, muitas vezes, como presentes desses seres. Do mesmo modo, o cine-maniva não se faz à toa, ele está a serviço da roça e é por ela atravessado e constituído. Trata-se de um cinema que brota das roças indígenas, que, por isso, mostra-se indissociável das relações sociais das quais é produto e, ao mesmo tempo, parte ativamente constituinte.</p>



<p>Os filmes dão a ver, para olhares atentos, um universo sem fim de relações entre humanos, plantas, animais e outros seres que parece definir o modo de vida da maioria dos povos que habitam a região da <em>Cabeça do Cachorro</em>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="491" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/mapa-amazonas-1024x491.jpg" alt="" class="wp-image-762" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/mapa-amazonas-1024x491.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/mapa-amazonas-300x144.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/mapa-amazonas-768x368.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/mapa-amazonas-1536x737.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/mapa-amazonas.jpg 1589w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px">Recorte de Mapa do Estado do Amazonas, em sua porção noroeste, na divisa com Colômbia e Venezuela. Fonte: IBGE</p>



<p>A roça, no Rio Negro, nasce de um trabalho complementar entre homens e mulheres. É necessário que o homem (marido, pai, irmão ou filho) prepare o espaço com a derrubada das árvores e a queima das mesmas, tornando aquele um espaço fértil. Em seguida ele é entregue a sua dona, a mulher, a “dona da roça”. Por mais que obtenha ajuda de seu marido, filhos e filhas, é ela quem detém o domínio, o conhecimento e as habilidades capazes de fazer dessa uma relação produtiva. A partir do momento em que o homem entrega o espaço recém queimado à mulher, ela passa a ser responsável não apenas por plantar e colher, mas por manejar uma série de relações que envolvem também as plantas. O termo “dona” empregado aqui parece estar distante da ideia de propriedade privada, em que é necessário alienar algo de suas relações para possuí-lo, para torná-lo mercadoria. Podemos dizer que há, entre mulheres e manivas, uma certa filiação adotiva. Muito embora a relação entre elas nem sempre se expresse em termos de mães e filhas, parece expressar uma relação assimétrica, de reconhecimento mútuo e adoção, na qual as mulheres são responsáveis pela proteção e cuidado das manivas (FAUSTO, 2008). Podemos falar em uma “sociedade das manivas”, “seres, com certa dignidade, e não podem passar sede, devem estar alegres, bem penteadas [capinadas], fazem festas, são criadas” (EMPERAIRE et al, 2010:86).</p>



<p>As manivas, que são gente (outra gente), precisam reconhecer suas donas. O sucesso da produção depende, portanto, desta filiação. Quando uma mulher se muda sem conseguir levar suas manivas, ela consegue algumas estacas com sua sogra, parentes ou vizinhas. Precisa, porém, estabelecer relação com as novas manivas, ainda desconhecidas. É o caso da protagonista de <em>Manivas de Basebó </em>(2016). Quando finalmente Dona Maria Aparecida colheu a primeira leva de batatas de mandioca e replantou as estacas, elas passaram a se reconhecer e as manivas “carregaram” para ela. As plantas são atores em uma relação produtiva que gera não apenas produtos alimentícios, mas parece produzir as próprias pessoas, suas relações e seus corpos indígenas, que, como diz Dona Maria Aparecida, não se satisfazem com comida de branco.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="As manivas de Basebó" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/McEhClrqU1A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px"><em>As manivas de Basebó</em> (2016)<br>Direção e Montagem: Maria Cláudia Dias Campos (Tariana)</p>



<p>A relação complexa entre humanos, objetos, plantas e outros seres, presente no espaço das roças rionegrinas, vem sofrendo algumas ameaças. Com a necessidade de estudo dos filhos, muitas famílias se deslocaram em direção às cidades, abandonando suas regiões tradicionais de plantio. Ao chegar na cidade, acabam por conseguir espaço para uma nova roça, mesmo que em locais um pouco distantes. A partir de então costumam sofrer com um outro fator que fragiliza esse sistema agrícola: o desinteresse das gerações mais novas e o conflito entre os estudos e o modo de vida tradicional. O diálogo entre mãe e filha em <em>Não gosta de fazer mas gosta de comer (2016)</em>, é revelador:</p>



<p style="font-size:12px">&#8220;Filha: Eu não gosto muito de fazer isso não mas&#8230;<br>Mãe: Pode fazer&#8230;<br>F: Eu só faço porque não gosto de ver a mamãe fazer sozinha, mas eu não gosto não.<br>M: Você tem que estudar muito para não trabalhar com roça. Aqui é minha casa de forno, eu tô muito feliz (em nheengatu).<br>F: Não sei nem o que a senhora tá falando aí, mas pode falar. A senhora tá me chamando de preguiçosa, é?<br>M: Tu não gosta de estar por aqui. Eu gosto de trabalhar com mandioca, por isso eu tenho roça. (em nheengatu)<br>F: Ai, mãe, não dá pra entender nada!<br>M: Não gosta de fazer mas gosta de comer.&#8221; (em nheengatu)</p>



<p>Dona Irene, uma senhora Baré que mora na cidade de Barcelos, não deixa de falar da alegria e do prazer que sente, tanto em seu trabalho na roça, quanto no interesse de duas jovens indígenas que ficaram cerca de uma semana acompanhando seu cotidiano. São as “meninas bonitas” que estão atrás das câmeras, convocadas a todo momento pela personagem. Elas mesmas divididas entre o mundo dos estudos e o da roça.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Não gosta de fazer mas gosta de comer" src="https://player.vimeo.com/video/354852026?dnt=1&amp;app_id=122963" width="1280" height="720" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px">N<em>ão gosta de fazer, mas gosta de comer (2016)</em><br>Direção: Alcilane Melgueiro (Baré) e Maria Cidilene Basílio (Tukana)</p>



<p>Dona Micaela, Tukana de Taracuá, trabalha em sua roça e canta o <em>hande-hande</em>, um canto no qual as mulheres narram a própria história em forma de versos:</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein4-1024x577.png" alt="" class="wp-image-757" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein4-1024x577.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein4-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein4-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein4.png 1156w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px">Hande-hande enquanto capina.<br>Fonte: Filme <em>A história vira reza</em> (2016)</p>



<p style="font-size:12px">&#8220;Meu nome é Micaela, trabalhadora de roça.<br>Na roça dela ela trabalha muito.<br>Capinando a roça, da Tukana de Taracuá.<br>Pra vocês eu mostro o canto, e fico sozinha na roça.<br>Pois assim, fico sozinha na roça.<br>Meu marido já fez a roça.<br>Assim ela fala pra vocês.<br>Ihiiiiiiii! A mulher do homem de lá disse assim pra vocês!&#8221;</p>



<p>Uma forma de expressão marcadamente feminina, estes cantos geralmente narram a trajetória de vida daquela que canta, desde sua origem até o casamento e a moradia na comunidade do marido; incluem uma espécie de linguagem de contraste em que o discurso de uma mulher (de um povo) baseia-se na diferenciação em relação aos outros (marido e filhos que são de outro povo). Os recursos estilísticos utilizados são variados: metáforas, metonímias e comparações; a protagonista canta tanto em primeira pessoa quanto em terceira, no segundo caso, se colocando no lugar de seus filhos e filhas, reproduzindo o discurso deles sobre si. Tais cantos narrativos, que funcionam como crônicas da vida individual de cada mulher e coletiva, compõem o repertório cultural das comunidades locais.</p>



<p>Por não ser um filme feito por mulheres, insiro na curadoria apenas o trecho do filme em que aparece Dona Micaela e sua performance cantando <em>hande-hande</em>.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A história vira reza - trecho Dona Micaela" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/O_c_rAiWu0k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px">Trecho do filme <em>A história vira reza (2016)</em> &#8211; Dona Micaela e o <em>hande-hande</em></p>



<p>Nos percursos pelo rio, nota-se um ponto de vista da câmera, que não pode tomar distância daquilo que filma, já que compartilha o espaço exíguo do barco. Parece haver, nessas sequências, um desejo de mostrar as variações de velocidade do trajeto, que é percorrido a motor, a remo, em rio aberto, nos igarapés. O enquadramento me parece constituído por um entrelaçamento, ou por um emaranhado de relações: entre quem filma e quem é filmado, entre humanos e não-humanos, entre homens e mulheres, entre gerações diferentes, entre mata e roça. Ou seja, o enquadramento abriga principalmente, a meu ver, relações e trocas interespecíficas. Ao tentar apreender essas relações, a câmera e o quadro parecem ser enredados, impossibilitados de se afastar demais e de fazer dos personagens e da roça estritamente objetos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="682" height="386" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein5.png" alt="" class="wp-image-758" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein5.png 682w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein5-300x170.png 300w" sizes="(max-width: 682px) 100vw, 682px" /></figure>



<p>Ao filmar o trabalho, não é apenas aquele que filma a se engajar na cena: a própria câmera será, como já sugerimos, enredada, assumindo posições que fazem variar não os ângulos filmados, numa espécie de virtuosismo, mas o lugar – a perspectiva mesma – de onde enxergamos a cena. Nesse sentido, é como se câmera – objeto de captura &#8211; fosse agora capturada pela roça. Se bem observarmos o filme <em>Wehsé Darasé – Trabalho da Roça</em>, notaremos certa variação interna de perspectivas: o ponto de vista da realizadora, da avó, as próprias mandiocas (que parecem observar a fogueira ao fundo). Nas cenas finais, a mandioca, a goma e a massa são miradas pela câmera e parecem olhar em retorno. O mesmo acontece com o plano longo, em detalhe, da madeira queimando: a duração do plano “observacional” produz a sensação de que a madeira e a fogueira “devolvem o olhar” para a câmera. Até a fumaça &#8211; que em algumas passagens toma quase todo o enquadramento &#8211; parece guardar seu próprio &#8220;ponto de vista&#8221; (este que se espalha pela imagem para torná-la translúcida ou opaca).</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Wehsé Darase - Trabalho da Roça" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/3iIkVrYMMH4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px"><em>Wehsé darasé / Trabalho da roça</em> (2016)<br>Direção e Montagem: Larissa Ye’pario Mota Duarte (Tukana)</p>



<p>Filmado por pessoas que são a todo tempo convidadas a se engajar na cena e no trabalho da roça, as imagens e sons permitem também que outros seres a coabitem, de modo mais ou menos visível, mais ou menos discreto. Os indícios dessa presença estão lá e podem ser vistos e ouvidos por olhares e escutas que se detêm: a duração de um enquadramento, um silêncio prolongado, a variação discursiva em um depoimento, tudo isso nos ensina a ver e escutar presenças que habitam a cena e que o filme pode nos ensinar a perceber. A roça captura o cinema e o coloca a seu serviço; o faz aprender.</p>



<p>Sem nenhum treinamento prévio, Francy Baniwa filma seu retorno à comunidade onde vive e o cotidiano entre os caminhos que levam às diversas roças de sua família. Seja no leito do Rio Içana, em um igarapé ou no trabalho da casa de forno, essa câmera-corpo, se engaja na vida e no trabalho, e quase cai ao levantar o waturá sem desligar a câmera, mesmo com os apelos da mãe. Indicando, talvez, a importância da câmera, como da roça e, quem sabe, para a roça.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Kupixá asui peé itá / A roça e seus caminhos - Francy Baniwa" src="https://player.vimeo.com/video/418091181?dnt=1&amp;app_id=122963" width="1280" height="720" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px"><em>Kupixá asui peé itá / A roça e seus caminhos</em> (2020)<br>Direção: Francy Baniwa</p>



<p>Termino essa breve curadoria em homenagem as donas da roça rionegrinas, mulheres indígenas com as quais não paro de aprender. Mulheres que assumiram o cuidado de seus parentes e vêm tocando com maestria a campanha de combate à COVID-19 no Rio Negro. No link abaixo você pode conhecer um pouco mais da trajetória de Janete Desana, Edneia Teles e Elizangela Baré. Mesmo com o trabalho de liderança e as demandas da cidade, muitas não abandonam suas roças.</p>



<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Conheça as mulhares da Foirn &#8211; Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. Acesse: <a href="https://noscuidamos.foirn.org.br/sobre-nos/">https://noscuidamos.foirn.org.br/sobre-nos/</a></p>



<p></p>
</div>



<p>Para ecoar e reverberar as lutas das mulheres indígenas, compartilho o Mapa das Organizações de Mulheres Indígenas no Brasil, recentemente publicado. Acesse: <a href="https://acervo.socioambiental.org/acervo/mapas-e-cartas-topograficas/brasil/mapa-das-organizacoes-de-mulheres-indigenas-no-brasil">https://acervo.socioambiental.org/acervo/mapas-e-cartas-topograficas/brasil/mapa-das-organizacoes-de-mulheres-indigenas-no-brasil</a></p>



<p>Às mulheres donas da roça e às plantas, minha admiração!</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein6-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-759" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein6-1024x577.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein6-300x169.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein6-768x433.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein6-1536x866.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein6-2048x1154.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein7-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-760" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein7-1024x683.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein7-300x200.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein7-768x512.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein7-1536x1024.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein7-2048x1366.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein8-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-761" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein8-1024x577.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein8-300x169.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein8-768x433.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein8-1536x866.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/bernstein8-2048x1154.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center" style="font-size:10px">Fotos: Lorena França. Donas da roça: Cleomar, Aparecida e Laura, respectivamente.<br>Assunção do Içana, 2019</p>



<p>Referências Bibliográficas</p>



<p>BERNSTEIN, Julia. <em>O cine-maniva do Rio Negro</em>. 189p. Dissertação de Mestrado em Comunicação Social. PPGCOM/UFMG. Belo Horizonte, 2019.</p>



<p>EMPERAIRE, L. <em>Patrimônio agricultural e modernidade no Rio Negro (Amazonas)</em>. In: Manuela Carneiro da Cunha; Pedro de Niemeyer Cesarino. (Org.). Políticas culturais e povos indígenas. 1ª ed., Cultura Acadêmica, p. 59-89. São Paulo, 2014.</p>



<p>EMPERAIRE, L.; VELTHEM, L.H.van; OLIVEIRA, A. G. De; SANTILLI, J.; CARNEIRO DA CUNHA, M.; KATZ, E. <em>Dossiê de Registro: O Sistema Agrícola Tradicional do Rio</em> <em>Negro</em>. IPHAN, IRD, CNPq, Unicamp, ISA, FOIRN, ASIBA e ACIMRN. Brasília, 2010.</p>



<p>FAUSTO, Carlos. <em>Donos Demais: Maestria e Propriedade na Amazônia</em>. Mana: Estudos de Antropologia Social, 14 (2): p. 280-324, Rio de Janeiro, 2008.</p>



<p>FONTES, Francineia B. <em>HIIPANA, EENO HIEPOLEKOA: Construindo um pensamento</em> <em>antropológico a partir da mitologia Baniwa e de suas transformações</em>. Dissertação de mestrado em Antropologia no Museu Nacional/ UFRJ. Rio de Janeiro, 2019.</p>
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		<title>Retomar a bandeira do brasil (ou: nossa bandeira sempre foi vermelha)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2020 15:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Fabio Rodrigues Filho “Mil sonhos serão urdidos na cidadeNa escuridão, no vazio, há amizadeA velha amizadeEsboça um país mais realUm país mais que divino” (Falou amizade – Caetano Veloso) “Já tive um país pequeno, tão pequeno / que andava descalço dentro de mim / um país tão magro que, no seu firmamento, / Não cabia senão uma estrela menina / tão tímida e delicada, que só por dentro brilhava / Eu tive um país escrito sem maiúscula / Não tinha fundos para pagar um herói / Não tinha panos para costurar bandeira / Nem solenidade para entoar um hino / Mas tinha pão e esperança pros viventes / e tinha sonhos pros nascentes / Eu tive um país pequeno” (Poema Didáctico – Socorro Lira / Mia Couto) “Tomem no peso das pedras dos seres / Que nunca sonharam com asas na imaginação&#160;&#160;/ Vivem na superfície da solidão /Como falar com eles de uma nação?” (Abrindo estradas – Manduka / Escutar versão de Ilessi) &#8211; Em 2019, fui à exposição “Epistemologias Comunitárias: arte de autoria negra” [1], no Centro Cultural da UFMG. Em um dos cantos do ambiente expositivo, estava uma obra do artista Desali, da qual me escapa o nome e uma imagem do trabalho, que consistia, à grosso modo, na reprodução da bandeira do Brasil com buchas de lavar prato. A bandeira, ali, no chão, nas cores verde e amarelo (ambas em tom carcomido pelo uso das buchas), expunha-se sem a esfera azul, sem estrelas e sem palavras de ordem. Estando no chão, descalça, em primeiro momento, a bandeira denunciava já o nosso olhar que supostamente se colocava em estatura superior a ela.&#160; Além do que me restou da sensação que tive no primeiro contato com o trabalho, nada mais sei da obra. Reuni aqui, nesta proposição, outros trabalhos que encontrei e que, ao meu ver, avizinham-se daquele de Desali: ao retomar o símbolo nacional, o desmontam; ao aproximar a bandeira da concretude da vida, do presente e das lutas por justiça social, a desoficializa. &#8211; Em cena de um filme recente, Grace Passô, diretora e atriz, acorda de um sonho (marcado por vozes em chamas e brasas crepitando). Despertar significa, na narrativa, descobrir que o Brasil é um sonho. Trata-se de uma cena do curta-metragem República (15’, 2020). Entre sonho e realidade, entre narrativa e meta-linguagem, um encontro inesperado irrompe: a vinda impávida de uma xamã informa que se o Brasil de alguns acabou, o dele nunca existiu. Contudente cena em um cenário de pandemia e de crise política generalizada no país. A bandeira do Brasil, tal com conhecemos, foi criada e instituída dias após a proclamação da república, em 1889. Quatro dia depois, para ser mais preciso, e nesse intervalo figurou como símbolo da nação uma bandeira que nada mais era do que um plágio da bandeira dos EUA. Lembro, pela aproximação dessas discussões sobre Repúblicas (o filme e o Estado), de uma cena recente, em março de 2020, quando um imigrante haitiano [2] profere, em frente ao Palácio da Alvorada: “Bolsonaro acabou&#8230;” &#8211; A farsa da grande narrativa: “(&#8230;) A melhor maneira de arrematar a história do Brasil de uma maneira edificante é dizer que mesmo os índios e negros sendo esfolados e mortificados, ainda ergueram a bandeira da brasilidade. Mesmo com os brancos descendo a chibata nos negros e índios, aqueles índios e negros eram tão cristãos, tão compassivos e devotos que estavam levantando a bandeira do Brasil escrita ‘ordem e progresso’. Então é um épico totalmente picareta e mistificador da nossa formação” (Ailton Krenak, 2018)[3]. &#8211; Ao escrever sobre uma série realizada por Jaime Lauriano junto a artesãs das cinco regiões do Brasil, Hélio Menezes (2019) observa que o artista “toma aqui a oficialidade pelo seu revés, cônscio de que a verdade da história (se alguma há), tal como o bordado, se encontra em seu avesso”. Trata-se da série Bandeira Nacional (2016)[4] que, ainda nas palavras de Menezes, são, no espaço expositivo, arremedos paródicos e desoficializantes do Estado. A expressão parece justa ao trabalho e, guardadas as diferenças (e com a licença do desvio de abertura), diríamos que, aqui, também reside algo desoficializante, na medida em que estes trabalhos colocam em cena algo que o símbolo, a bandeira, parece silenciar ou susbsumir. “O avesso do mesmo lugar” – como cantou a Estação Primeira de Mangueira, em 2019 –, ou “a história que a história não conta”. Entre o paródico e o mimético, estaríamos falando de um exercício de “escovar a bandeira a contrapelo”? &#8211; “Nunca houve um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie. E, assim como ele não está livre da barbárie, também não o está o processo de sua transmissão, transmissão na qual ele passou de um vencedor a outro” (W. Benajmim, 1940). &#8211; Lembremos que, ao contrário do que se possa pensar, o verde e amarelo instaurado como cores da bandeira não são, a rigor, representações das matas e das riquezas (dos ouros), mas as cores das duas grandes Casas que originaram o Brasil independente: “o verde representava a Casa de Bragança, de dom Pedro 1º, de Portugal, e o amarelo representava a Casa de Habsburgo, de Maria Leopoldina, da Áustria”, como nos diz Lais Modelli, em matéria da BBC, em 2019[5]. O globo azul chega depois, substituindo o brasão da monarquia e inscrevendo um ponto de vista do céu de 15/11 no Rio de Janeiro. A esfera, como sabemos, recebe a faixa branca onde se lê: “Ordem e Progresso”. &#8211; “ (..,) O amor vem por princípio, a ordem por baseO progresso é que deve vir por fimDesprezaste esta lei de Auguste ComteE foste ser feliz longe de mim” (Noel Rosa e Oreste Barbosa, Positivismo, 1933) &#8211; A frase que inspira a canção acima, e também a bandeira do Brasil, é de autoria do francês Augusto Comte – máxima estruturada e que estrutura a lógica positivista: amor, ordem e progresso. Ausente na frase da bandeira, poderíamos dizer que o amor, como um]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1650" height="597" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Divulgacao-1.webp" alt="" class="wp-image-740" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Divulgacao-1.webp 1650w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Divulgacao-1-300x109.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Divulgacao-1-1024x371.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Divulgacao-1-768x278.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Divulgacao-1-1536x556.webp 1536w" sizes="(max-width: 1650px) 100vw, 1650px" /></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:11px">Por Fabio Rodrigues Filho</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:10px">“Mil sonhos serão urdidos na cidade<br>Na escuridão, no vazio, há amizade<br>A velha amizade<br>Esboça um país mais real<br>Um país mais que divino” </p>



<p class="has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:10px">(<em>Falou amizade</em> – Caetano Veloso)</p>



<p class="has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:10px">“Já tive um país pequeno, tão pequeno / que andava descalço dentro de mim / um país tão magro que, no seu firmamento, / Não cabia senão uma estrela menina / tão tímida e delicada, que só por dentro brilhava / Eu tive um país escrito sem maiúscula / Não tinha fundos para pagar um herói / Não tinha panos para costurar bandeira / Nem solenidade para entoar um hino / Mas tinha pão e esperança pros viventes / e tinha sonhos pros nascentes / Eu tive um país pequeno”</p>



<p class="has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:10px">(<em>Poema Didáctico</em> – Socorro Lira / Mia Couto)</p>



<p class="has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:10px">“Tomem no peso das pedras dos seres / Que nunca sonharam com asas na imaginação&nbsp;&nbsp;/ Vivem na superfície da solidão /Como falar com eles de uma nação?”</p>



<p class="has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color" style="font-size:10px">(<em>Abrindo estradas</em> – Manduka / Escutar versão de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=rxV9Q44te9Q">Ilessi</a>)</p>
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<p>&#8211; Em 2019, fui à exposição “Epistemologias Comunitárias: arte de autoria negra” [1], no Centro Cultural da UFMG. Em um dos cantos do ambiente expositivo, estava uma obra do artista <a href="https://labcult.eci.ufmg.br/epistemologiacomunitaria/index.php/warley-desali/">Desali</a>, da qual me escapa o nome e uma imagem do trabalho, que consistia, à grosso modo, na reprodução da bandeira do Brasil com buchas de lavar prato. A bandeira, ali, no chão, nas cores verde e amarelo (ambas em tom carcomido pelo uso das buchas), expunha-se sem a esfera azul, sem estrelas e sem palavras de ordem. Estando no chão, descalça, em primeiro momento, a bandeira denunciava já o nosso olhar que supostamente se colocava em estatura <em>superior</em> a ela.&nbsp; Além do que me restou da sensação que tive no primeiro contato com o trabalho, nada mais sei da obra. Reuni aqui, nesta proposição, outros trabalhos que encontrei e que, ao meu ver, avizinham-se daquele de Desali: ao retomar o símbolo nacional, o desmontam; ao aproximar a bandeira da concretude da vida, do presente e das lutas por justiça social, a desoficializa.</p>



<p>&#8211; Em cena de um filme recente, Grace Passô, diretora e atriz, acorda de um sonho (marcado por vozes em chamas e brasas crepitando). Despertar significa, na narrativa, descobrir que o Brasil é um sonho. Trata-se de uma cena do curta-metragem <a href="https://ims.com.br/convida/grace-passo/"><em>República</em></a> (15’, 2020). Entre sonho e realidade, entre narrativa e meta-linguagem, um encontro inesperado irrompe: a vinda impávida de uma xamã informa que se o Brasil de alguns acabou, o dele nunca existiu. Contudente cena em um cenário de pandemia e de crise política generalizada no país. A bandeira do Brasil, tal com conhecemos, foi criada e instituída dias após a proclamação da república, em 1889. Quatro dia depois, para ser mais preciso, e nesse intervalo figurou como símbolo da nação uma bandeira que nada mais era do que um plágio da bandeira dos EUA. Lembro, pela aproximação dessas discussões sobre Repúblicas (o filme e o Estado), de uma cena recente, em março de 2020, quando um imigrante haitiano [2] profere, em frente ao Palácio da Alvorada: “Bolsonaro acabou&#8230;”</p>



<p>&#8211; A farsa da grande narrativa: “(&#8230;) A melhor maneira de arrematar a história do Brasil de uma maneira edificante é dizer que mesmo os índios e negros sendo esfolados e mortificados, ainda ergueram a bandeira da brasilidade. Mesmo com os brancos descendo a chibata nos negros e índios, aqueles índios e negros eram tão cristãos, tão compassivos e devotos que estavam levantando a bandeira do Brasil escrita ‘ordem e progresso’. Então é um épico totalmente picareta e mistificador da nossa formação” (Ailton Krenak, 2018)[3].</p>



<p>&#8211; Ao escrever sobre uma série realizada por Jaime Lauriano junto a artesãs das cinco regiões do Brasil, <a href="https://www.select.art.br/jaime-lauriano-contra-a-oficialidade/">Hélio Menezes</a> (2019) observa que o artista “toma aqui a oficialidade pelo seu revés, cônscio de que a verdade da história (se alguma há), tal como o bordado, se encontra em seu avesso”. Trata-se da série Bandeira Nacional (2016)[4] que, ainda nas palavras de Menezes, são, no espaço expositivo, <em>arremedos paródicos e desoficializantes do Estado</em>. A expressão parece justa ao trabalho e, guardadas as diferenças (e com a licença do desvio de abertura), diríamos que, aqui, também reside algo desoficializante, na medida em que estes trabalhos colocam em cena algo que o símbolo, a bandeira, parece silenciar ou susbsumir. “O avesso do mesmo lugar” – como cantou a Estação Primeira de Mangueira, em 2019 –, ou “a história que a história não conta”. Entre o paródico e o mimético, estaríamos falando de um exercício de “escovar a bandeira a contrapelo”?</p>



<p>&#8211; “Nunca houve um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie. E, assim como ele não está livre da barbárie, também não o está o processo de sua transmissão, transmissão na qual ele passou de um vencedor a outro” (W. Benajmim, 1940).</p>



<p>&#8211; Lembremos que, ao contrário do que se possa pensar, o verde e amarelo instaurado como cores da bandeira não são, a rigor, representações das matas e das riquezas (dos ouros), mas as cores das duas grandes Casas que originaram o Brasil independente: “o verde representava a Casa de Bragança, de dom Pedro 1º, de Portugal, e o amarelo representava a Casa de Habsburgo, de Maria Leopoldina, da Áustria”, como nos diz Lais Modelli, em matéria da BBC, em 2019[5]. O globo azul chega depois, substituindo o brasão da monarquia e inscrevendo um ponto de vista do céu de 15/11 no Rio de Janeiro. A esfera, como sabemos, recebe a faixa branca onde se lê: “Ordem e Progresso”.</p>



<p>&#8211; “ (..,) O amor vem por princípio, a ordem por base<br>O progresso é que deve vir por fim<br>Desprezaste esta lei de Auguste Comte<br>E foste ser feliz longe de mim”</p>



<p>(Noel Rosa e Oreste Barbosa, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kWJK4M5HvOw"><em>Positivismo</em></a>, 1933)</p>



<p>&#8211; A frase que inspira a canção acima, e também a bandeira do Brasil, é de autoria do francês Augusto Comte – máxima estruturada e que estrutura a lógica positivista: amor, ordem e progresso. Ausente na frase da bandeira, poderíamos dizer que o <em>amor</em>, como um fantasma, incide e viria encarnar anos depois, durante a ditadura militar, em 1964, no terrível slogan ufanista do governo do general &nbsp;Médici (1969 &#8211; 74). Na ditadura, como nos lembra Jaime Lauriano, “institucionalizou-se os símbolos nacionais tornando lei os usos e aplicações destes símbolos”. Foi nesse contexto que o <em>amor</em>, ausente do slogan da bandeira, mas firme na ideia, atualizou-se na propaganda “Brasil ame-o ou deixe-o” – frase deprimente que foi recuperada em 2018 por Sílvio Santos, em anúncio pró-bolsonaro no SBT.</p>



<p>&#8211; Em resumo, esta proposição <em>compartilha</em> uma série de bandeiras que encontrei ao longo de meses flanando pela internet. Não se trata de um agrupamento de estrelas, mas a tentativa de propor um exercício de constelação, arriscando-se a imaginar com outras bandeiras uma desmontagem para o símbolo nacional – desmontagem que acontece pela retomada e desvio desse arquivo. “Em cada desvio há um gesto singular: andar descalço, bordar, colar, deslocar, reescrever, perfurar, rasgar. Eles lembram gestos cotidianos de recusa ao que a nação impõe como opressão”[6]. Assim, tal como a metáfora do bordado, o título deste processo de curadoria só nomeia quando no seu avesso complementar: “desmontar a bandeira do brasil”, portanto.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="323" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Nova-Imagem-1024x323.webp" alt="" class="wp-image-725" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Nova-Imagem-1024x323.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Nova-Imagem-300x95.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Nova-Imagem-768x242.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Nova-Imagem-1536x484.webp 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/Nova-Imagem.webp 1894w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="720" height="720" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/1.webp" alt="" class="wp-image-608 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/1.webp 720w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/1-300x300.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/1-150x150.webp 150w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">Arte criada pela designer e ilustradora <strong>Ana </strong><strong>Cattini</strong>, em 2020.</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações: <a href="https://www.instagram.com/p/B9riZEgHHT2/">https://www.instagram.com/p/B9riZEgHHT2/</a></p>
</div></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide has-media-on-the-right is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:auto 56%"><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px"><em>Deu ruim</em>, de <strong>Caetano Costa</strong>. Aquarela sobre papel. Recife, 2018. Coleção particular de E.S. Mais informações: <a>https</a><a href="https://www.instagram.com/_caetanocosta/">://www.instagram.com/_caetanocosta/</a> </p>



<p style="font-size:10px">DEU RUIM II, de <strong>Caetano Costa</strong><br>Aquarela sobre papel.<br>Recife, 2018.<br>Coleção particular de L.F.</p>
</div><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="837" height="788" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/2.webp" alt="" class="wp-image-609 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/2.webp 837w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/2-300x282.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/2-768x723.webp 768w" sizes="(max-width: 837px) 100vw, 837px" /></figure></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide has-media-on-the-right is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:auto 56%"><div class="wp-block-media-text__content">
<pre class="wp-block-verse"></pre>



<p style="font-size:10px"></p>
</div><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="842" height="741" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/3.webp" alt="" class="wp-image-610 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/3.webp 842w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/3-300x264.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/3-768x676.webp 768w" sizes="(max-width: 842px) 100vw, 842px" /></figure></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="345" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/4-Frame-RS-atriz-retoma-a-bandeira.webp" alt="" class="wp-image-611" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/4-Frame-RS-atriz-retoma-a-bandeira.webp 600w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/4-Frame-RS-atriz-retoma-a-bandeira-300x173.webp 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">A atriz Ana Luiza Bergmann no protesto contra a Carreata da Morte / Imagem:<strong> Moisés Mendes.</strong> Frame de vídeo encontrado&nbsp; em matéria publicada no site Desacato, em abril de 2020.</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações:<br><a href="http://desacato.info/atriz-resgata-a-bandeira-do-brasil-que-havia-sido-sequestrada-pelas-milicias-de-bolsonaro/?fbclid=IwAR0Zq11X-3-SByR-wN3Zs3EukyJL7DdL0TqalLNPhMvDCvaRaqsTWupvYvc">http://desacato.info/atriz-resgata-a-bandeira-do-brasil-que-havia-sido-sequestrada-pelas-milicias-de-bolsonaro/?fbclid=IwAR0Zq11X-3-SByR-wN3Zs3EukyJL7DdL0TqalLNPhMvDCvaRaqsTWupvYvc</a></p>
</div>



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<figure class="wp-block-image alignright size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/6.webp" alt="" class="wp-image-612" width="426" height="319" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/6.webp 1080w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/6-300x225.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/6-1024x768.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/6-768x576.webp 768w" sizes="(max-width: 426px) 100vw, 426px" /><figcaption class="wp-element-caption"><br>.</figcaption></figure>



<p style="font-size:10px">Bandeira,<br><strong>Coletivo DOMA</strong><br>Abril de 2018</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">“DO MUNDO –&nbsp; Em exposição na Adelina Galeria, o coletivo argentino DOMA satiriza a sociedade contemporânea, cuja indecisão existencial já não é mais &#8216;ser ou não ser&#8217;, mas sim &#8216;crédito ou débito&#8217;.” Mais informações: <a rel="noreferrer noopener" href="http://www.dasartes.com.br/" target="_blank">www.dasartes.com.br</a></p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>
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<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px"></p>



<p></p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/5.webp" alt="" class="wp-image-613" width="251" height="355" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/5.webp 683w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/5-212x300.webp 212w" sizes="(max-width: 251px) 100vw, 251px" /></figure>
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</div>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/9-1024x1024.webp" alt="" class="wp-image-619" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/9-1024x1024.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/9-300x300.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/9-150x150.webp 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/9-768x768.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/9.webp 1440w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Da série: “Cenas para uma vida melhor”, de <strong>Marta Neves</strong>. Bordado com miçangas e lantejoulas sobre transfer em tecido de algodão / 27 cm x 38,5cm / ano 2020.</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações: <a href="https://www.instagram.com/p/CBlumWVFNUz/">www.instagram.com/nevesmarta</a></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="717" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/7-andre-valillas-1024x717.webp" alt="" class="wp-image-614" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/7-andre-valillas-1024x717.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/7-andre-valillas-300x210.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/7-andre-valillas-768x538.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/7-andre-valillas.webp 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p style="font-size:10px">&#8220;<em>o lábaro que ostentas estrelado</em>&#8230;“<br><strong>André Vallilas</strong><br>22 de maio de 2020</p>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="500" height="280" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/8.webp" alt="" class="wp-image-615 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/8.webp 500w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/8-300x168.webp 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">“Bandeira brasileira tatuado em um quartel de salvador em 1924”. Foto: Editora veneta.</p>



<p style="font-size:10px">Encontrada em:<br><a href="https://www.vice.com/pt_br/article/8xwxkz/corpos-a-margem-da-sociedade-sao-protagonistas-da-historia-da-tatuagem-no-brasil?fbclid=IwAR0QQKGQW3swpCMmUJK_TRlQIx7G8l9lp0O4TdvbILjmwcOxlVp5FpLk_2Q">https://www.vice.com/pt_br/article/8xwxkz/corpos-a-margem-da-sociedade-sao-protagonistas-da-historia-da-tatuagem-no-brasil?fbclid=IwAR0QQKGQW3swpCMmUJK_TRlQIx7G8l9lp0O4TdvbILjmwcOxlVp5FpLk_2Q</a></p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/10.webp" alt="" class="wp-image-620" width="742" height="827"/></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p style="font-size:10px">Imagem de divulgação <strong>Coalização Negra por Direitos</strong>, 2020.</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">&#8220;A Coalizão Negra por Direitos reúne&nbsp;mais de 100 entidades do movimento negro de todo o Brasil&nbsp;na promoção de ações conjuntas de incidência política para o enfrentamento do racismo e do genocídio que recai sobre a população negra.</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Pela vida, pelo bem-viver e por direitos, a Coalizão tem atuado em casas legislativas estaduais e municipais, no Congresso Nacional e em instâncias da Organização das Nações Unidas, na construção de um futuro livre de racismo e todas as opressões.&#8221;</p>



<p style="font-size:10px">Acesse: <a rel="noreferrer noopener" href="https://coalizaonegrapordireitos.org.br/" target="_blank">coalizaonegrapordireitos.org.br</a></p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="498" height="498" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/11.1-Desenho-da-bandeira-da-MUM.jpg" alt="" class="wp-image-622" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/11.1-Desenho-da-bandeira-da-MUM.jpg 498w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/11.1-Desenho-da-bandeira-da-MUM-300x300.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/11.1-Desenho-da-bandeira-da-MUM-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 498px) 100vw, 498px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-small-font-size"></p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Bandeira do Brasil da&nbsp;<strong>Mocidade Unida da Mooca</strong>. Foto: Romulo Tesi. Mais informações: <a href="http://mocidadeunidadamooca.com.br/">http://mocidadeunidadamooca.com.br/</a></p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/12-2-1022x1024.png" alt="" class="wp-image-681" width="580" height="581" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/12-2-1022x1024.png 1022w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/12-2-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/12-2-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/12-2-768x769.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/12-2.png 1028w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Estudos para novos símbolos nacionais, de <strong>Linoca Souza</strong>. Manipulação digital / 40 cm x 30 cm. Ano 2018/2019. Mais informações: <a href="http://www.omenelick2ato.com/">http://www.omenelick2ato.com/</a></p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="684" data-id="679" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/13-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-679" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/13-1024x684.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/13-300x200.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/13-768x513.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/13.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="890" height="1024" data-id="626" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/14-890x1024.webp" alt="" class="wp-image-626" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/14-890x1024.webp 890w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/14-261x300.webp 261w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/14-768x883.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/14-1335x1536.webp 1335w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/14.webp 1337w" sizes="(max-width: 890px) 100vw, 890px" /></figure>
</figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">A Bandeira do Brasil da Mangueira, ano 2019 (Foto: Fernando Grilli/Riotur), seguida de imagem de divulgação da fantasia &#8220;Maria das Dores Brasil&#8221;, do desfile de 2020 da <strong>Estação Primeira de Mangueira</strong> (foto: Reprodução).</p>



<p></p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:64% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="700" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/15-1024x700.jpg" alt="" class="wp-image-627 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/15-1024x700.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/15-300x205.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/15-768x525.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/15.jpg 1079w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-very-dark-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Bandeira símbolo do <strong>Movimento Mães de Maio</strong>.</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações: <a href="https://fundobrasil.org.br/wp-content/uploads/2016/07/livro-maes-de-maio.pdf">https://fundobrasil.org.br/wp-content/uploads/2016/07/livro-maes-de-maio.pdf</a></p>
</div></div>



<div style="height:29px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:64% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="659" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/16.jpg" alt="" class="wp-image-629 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/16.jpg 750w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/16-300x264.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">Autorx desconhecidx</p>
</div></div>



<div style="height:29px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:64% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/17.jpeg" alt="" class="wp-image-630 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/17.jpeg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/17-300x300.jpeg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/17-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">Cartaz de convocação para ato, coordenado por <strong>moradores de favelas do Rio de Janeiro</strong>, denunciando os massacres ocorridos em ações policiais (maio de 2019).</p>
</div></div>



<div style="height:101px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-2 wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="720" height="539" data-id="632" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/19-1.jpg" alt="" class="wp-image-632" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/19-1.jpg 720w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/19-1-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="720" height="540" data-id="631" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/18-1.jpg" alt="" class="wp-image-631" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/18-1.jpg 720w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/18-1-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="647" data-id="665" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23333-1024x647.jpg" alt="" class="wp-image-665" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23333-1024x647.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23333-300x190.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23333-768x485.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23333-1536x970.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23333.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Quinho, 2020</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="815" height="571" data-id="635" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/22.png" alt="" class="wp-image-635" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/22.png 815w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/22-300x210.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/22-768x538.png 768w" sizes="(max-width: 815px) 100vw, 815px" /><figcaption class="wp-element-caption">ANPUH, 2020</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" data-id="633" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/20-1.jpg" alt="" class="wp-image-633" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/20-1.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/20-1-300x225.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/20-1-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ribs, 2020</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="552" height="569" data-id="636" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23.jpg" alt="" class="wp-image-636" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23.jpg 552w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/23-291x300.jpg 291w" sizes="(max-width: 552px) 100vw, 552px" /><figcaption class="wp-element-caption">Autorx desconhecidx</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="658" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/24-1-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-658" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/24-1-1024x1024.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/24-1-300x300.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/24-1-150x150.jpg 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/24-1-768x768.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/24-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</figure>



<p style="font-size:10px"></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Imagem de divulgação do “1° de maio: Dia do trabalhador e da trabalhadora”, criada pelo <strong>Conselho Nacional de Saúde.</strong>&nbsp; A postagem foi feita no Facebook e tinha por título “Luto e luta”.</p>



<div style="height:132px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>
</div>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" data-id="638" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/25-1024x576.png" alt="" class="wp-image-638" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/25-1024x576.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/25-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/25-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/25.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" data-id="639" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/26-1024x576.png" alt="" class="wp-image-639" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/26-1024x576.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/26-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/26-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/26.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" data-id="640" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/27-1024x576.png" alt="" class="wp-image-640" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/27-1024x576.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/27-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/27-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/27.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Frame do filme “Terra para Rose” (Tetê Moraes, RS, 1987). Disponível em: <a href="https://youtu.be/1ZlqjK4K1-0">https://youtu.be/1ZlqjK4K1-0</a></figcaption></figure>
</figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Sinopse: O filme registra a ocupação de uma fazenda no Rio Grande do Sul e investiga as políticas de reforma agrária no Brasil da Nova República e a atuação do MST. Para isso, aborda a história de Rose, uma das líderes cujo sonho é ter um pedaço de terra.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
</div>
</div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:59% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/28-o-rei-da-vela-oswald-andrade-1024x768.jpg" alt="" class="wp-image-641 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/28-o-rei-da-vela-oswald-andrade-1024x768.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/28-o-rei-da-vela-oswald-andrade-300x225.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/28-o-rei-da-vela-oswald-andrade-768x576.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/28-o-rei-da-vela-oswald-andrade.jpg 1049w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-large-font-size"></p>
</div></div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">“O Rei da Vela”, peça de <strong>Oswald de Andrade</strong>, encenada pelo <strong>Teatro Oficina Uzyna Uzona</strong>. Imagem de divulgação do filme homônimo.</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações: <a rel="noreferrer noopener" href="https://teatroficina.com/" target="_blank">https://teatroficina.com</a></p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>
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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/30.jpeg" alt="" class="wp-image-643" width="336" height="227" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/30.jpeg 619w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/30-300x203.jpeg 300w" sizes="(max-width: 336px) 100vw, 336px" /><figcaption class="wp-element-caption">Arte de <strong>@manoelaczr</strong> e <strong>@eduardotallia</strong>, 2019</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/29.jpg" alt="" class="wp-image-642" width="326" height="228"/><figcaption class="wp-element-caption">Ilustração <strong>@designativista</strong><br></figcaption></figure>



<p></p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="545" data-id="644" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/31-1024x545.png" alt="" class="wp-image-644" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/31-1024x545.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/31-300x160.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/31-768x409.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/31.png 1392w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="575" data-id="645" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/32-1024x575.png" alt="" class="wp-image-645" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/32-1024x575.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/32-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/32-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/32-1536x863.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/32.png 1922w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="545" data-id="646" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/33-1024x545.png" alt="" class="wp-image-646" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/33-1024x545.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/33-300x160.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/33-768x409.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/33.png 1393w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Frame do filme <em>“Brasil S/A” </em>(Marcelo Pedroso, PE, 2014).</figcaption></figure>
</figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="756" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/35-Bandeira-Céu-azul-tecido-90-x-130-Foto-Romulo-Fialdini-1024x756.jpg" alt="" class="wp-image-648" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/35-Bandeira-Céu-azul-tecido-90-x-130-Foto-Romulo-Fialdini-1024x756.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/35-Bandeira-Céu-azul-tecido-90-x-130-Foto-Romulo-Fialdini-300x221.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/35-Bandeira-Céu-azul-tecido-90-x-130-Foto-Romulo-Fialdini-768x567.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/35-Bandeira-Céu-azul-tecido-90-x-130-Foto-Romulo-Fialdini.jpg 1169w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Bandeira: Céu azul, de <strong>Emmanuel Nassar</strong>, Tecido, 90 cm x 130 cm. / Ano 2010. Foto: Romulo Fialdini.</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações sobre o artista e a obra: <a href="http://www.emmanuelnassar.com/assets/en-81-18.pdf">http://www.emmanuelnassar.com/assets/en-81-18.pdf</a></p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="778" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/44-1024x778.png" alt="" class="wp-image-628" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/44-1024x778.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/44-300x228.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/44-768x583.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/44-1536x1166.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/44-2048x1555.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Bandeira de Farrapos, de <strong>Martha Niklaus</strong>. Roupas de moradores de rua / 2.60 x 1.90 m / Ano<strong> </strong>1993</p>



<p style="font-size:10px"><a href="https://www.marthaniklaus.com/bandeira-do-farrapos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.marthaniklaus.com/bandeira-do-farrapos</a></p>



<p></p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="745" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/43-Bandeira-nacional-atualizada-1024x745.jpg" alt="" class="wp-image-657" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/43-Bandeira-nacional-atualizada-1024x745.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/43-Bandeira-nacional-atualizada-300x218.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/43-Bandeira-nacional-atualizada-768x559.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/43-Bandeira-nacional-atualizada.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">BANDEIRA NACIONAL ATUALIZADA, de <strong>Luana Vitra</strong>. Cimento e lama sobre Americano Cru . 13x18cm.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Postagem no perfil de facebook da artista:</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">“Esse trabalho é uma tentativa de atualizar a coerência da bandeira do Brasil com o que estamos vivendo em âmbito nacional.<br>Assim colocamos a gravidade do cimento e da lama sobre os corpos dos Americanos Crus, que trazem o desequilíbrio dessas matérias a tona.</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">A proposta é trocar a bandeira nacional por essa. Então É UMA BANDEIRA PARA TODO BRASILEIRO TER EM CASA. Que assim, mudamos a bandeira do imaginário coletivo por uma que seja de fato coerente com o que está acontecendo.</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Obs: Quando a situação do país for diferente essa bandeira deixará de ser produzida.</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Onde comprar sua bandeira nacional atualizada:<br>&#8211; Na galeria @quartoamado<br>&#8211; Na @clovisgaleriacafe<br>&#8211; Ou aqui comigo”</p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1021" height="1024" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/36-1-1021x1024.png" alt="" class="wp-image-663" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/36-1-1021x1024.png 1021w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/36-1-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/36-1-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/36-1-768x770.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/36-1.png 1525w" sizes="(max-width: 1021px) 100vw, 1021px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">bandeira nacional #3, de <strong>Jaime Lauriano</strong> / Ano 2015<br>algodão, poliéster e impressão jato de tinta sobre papel-algodão<br>90 x 90 x 4 cm<br>Foto: Gui Gomes</p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px"><br>“A série de trabalhos “Bandeira Nacional”, busca subverter – a partir de técnicas de tecelagem artesanal – o controle e a regulação deste símbolo. Ou seja, registrar diferentes maneiras de apropriação e alienação da Bandeira Nacional.” Fonte: <a href="https://pt.jaimelauriano.com/bandeiras-nacional">https://pt.jaimelauriano.com/bandeiras-nacional</a></p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/34-1-1024x747.jpg" alt="" class="wp-image-662" width="579" height="422" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/34-1-1024x747.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/34-1-300x219.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/34-1-768x560.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/34-1-1536x1120.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/34-1.jpg 2012w" sizes="(max-width: 579px) 100vw, 579px" /></figure>



<p></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">Série &#8220;<strong>Amarelo, sei lá&#8230; desespero&#8221; </strong>de <strong>Ítala Isis</strong> (2019). Disponível em: <a href="https://italaisis.wixsite.com/italaisis/amarelo-sei-la-desespero">https://italaisis.wixsite.com/italaisis/amarelo-sei-la-desespero</a></p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Subverter o sentido da bandeira nacional. Série inspirada na entrevista dada pela senhora Dona Benedita da Conceição, uma aposentada de 69 anos que, quando perguntada sobre o significado das cores da bandeira, respondeu: &#8220;O verde é esperança, né? O amarelo, sei lá&#8230; desespero. O azul, eu não sei.&#8221; Inspirada pela resposta de Dona Benedita, desenvolvo a série de ações “Amarelo, sei lá&#8230; desespero”.</p>



<p></p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>
</div>
</div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="318" height="409" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/37-1.jpg" alt="" class="wp-image-664 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/37-1.jpg 318w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/37-1-233x300.jpg 233w" sizes="(max-width: 318px) 100vw, 318px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">Capa do livro Pau-Brasil, livro de  poesia de&nbsp;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Oswald_de_Andrade"><strong>Oswald de Andrade</strong></a>, publicado em 1925 pela editora parisiense Au Sans Pareil. A capa foi feita por Tarsila do Amaral, que também ilustrou o livro.</p>



<p></p>
</div></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide has-media-on-the-right is-stacked-on-mobile"><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">“Amor, Ordem e Progresso Projeto de Arte Financeira”, de<strong> Lourival Cuquinha</strong> / Notas de real / Ano 2012</p>



<p style="font-size:10px">Mais informações: <a href="https://arteref.com/artista/lourival-cuquinha/">https://arteref.com/artista/lourival-cuquinha/</a></p>
</div><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="564" height="846" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/39.jpg" alt="" class="wp-image-653 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/39.jpg 564w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/39-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 564px) 100vw, 564px" /></figure></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:63% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/42-a-cura-é-africana-Castiel-Vitorino-Lembrar-daquilo-1024x576.png" alt="" class="wp-image-656 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/42-a-cura-é-africana-Castiel-Vitorino-Lembrar-daquilo-1024x576.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/42-a-cura-é-africana-Castiel-Vitorino-Lembrar-daquilo-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/42-a-cura-é-africana-Castiel-Vitorino-Lembrar-daquilo-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/42-a-cura-é-africana-Castiel-Vitorino-Lembrar-daquilo-1536x864.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/42-a-cura-é-africana-Castiel-Vitorino-Lembrar-daquilo.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">Frame do filme “Lembrar daquilo que esqueci” (2020), de <strong>Castiel Vitorino</strong>, visto no site do 1° Festival LGBT Online produzido por pessoas TRANS! (MARSHA): <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hyznIkQHn6Y">https://www.youtube.com/watch?v=hyznIkQHn6Y</a></p>
</div></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:63% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="570" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/40-1024x570.png" alt="" class="wp-image-654 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/40-1024x570.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/40-300x167.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/40-768x427.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/40.png 1359w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:10px">Frame do clipe da canção “Sol quadrado” (2020), de <strong>Adriana Calcanhotto</strong>. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=QwvBtoSRfDM">https://www.youtube.com/watch?v=QwvBtoSRfDM</a></p>
</div></div>



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:63% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="575" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/41-parecia-que-nós-não-era-brasileiro-Cadê-edson-2020-Dácia-Ibiapino-1024x575.png" alt="" class="wp-image-655 size-full" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/41-parecia-que-nós-não-era-brasileiro-Cadê-edson-2020-Dácia-Ibiapino-1024x575.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/41-parecia-que-nós-não-era-brasileiro-Cadê-edson-2020-Dácia-Ibiapino-300x169.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/41-parecia-que-nós-não-era-brasileiro-Cadê-edson-2020-Dácia-Ibiapino-768x432.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/41-parecia-que-nós-não-era-brasileiro-Cadê-edson-2020-Dácia-Ibiapino.png 1413w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-very-dark-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Frame do filme “Cadê Edson?” (2020), de <strong>Dácia Ibiapina</strong>. Filme estava disponível no site da Mostra Lona: <a href="http://mostra-lona.com.br/">http://mostra-lona.com.br/</a></p>



<p class="has-cyan-bluish-gray-color has-text-color" style="font-size:10px">Sinopse: O documentário traz as lutas dos movimentos populares em defesa da moraria e sua relação com o governo brasileiro.</p>



<p style="font-size:10px"></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="960" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/38.jpg" alt="" class="wp-image-652" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/38.jpg 960w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/38-300x300.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/38-150x150.jpg 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/38-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px"><em>Okê Oxóssi</em>, de <strong>Abdias do Nascimento</strong> / Acrílica sobre tela / 90 x 60 cm / Ano 1970. Créditos da fotografia: MASP (Museu de Arte de São Paulo)</p>
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="&quot;O samba do crioulo doido&quot;, de Luiz de Abreu | 18º Festival Sesc_Videobrasil (2013)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/v9wQNT3Q4OQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p style="font-size:10px">O Samba do crioulo doido<strong> </strong>(2004),<strong> </strong>de <strong>Luiz de Abreu</strong>.</p>



<p style="font-size:10px">&#8220;A discriminação racial e sua incidência no corpo negro é o centro da peça performática. A partir de elementos indefectivelmente associados ao negro brasileiro – samba, carnaval e erotismo –, e de referências à Pátria branca, o artista cria imagens que falam de racismo, de transgressão como forma de resistência e da importância do corpo na construção da identidade. Pela força da performance, e valendo-se da ironia e do deboche, quer devolver ao corpo-objeto o sujeito roubado, com sentimentos, crenças e singularidades.&#8221; (Via VideoBrasil)</p>



<p style="font-size:10px">Ver mais em: http://site.videobrasil.org.br/canalvb/video/1773116/O_Samba_do_crioulo_doido_by_Luiz_de_Abreu_18th_Festival</p>
</div>
</div>



<hr class="wp-block-separator has-text-color has-vivid-red-color has-css-opacity has-vivid-red-background-color has-background"/>



<p style="font-size:10px"><a href="#_ftnref1">[1]</a> A curadoria da exposição foi feita pelxs professorxs e artistas Janaina Barros, Maria Aparecida Moura e Wagner Leite Viana.</p>



<p style="font-size:10px"><a href="#_ftnref2">[2]</a> Fiz muito esforço para encontrar o nome dele, mas até o momento não consegui. Para saber mais: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/05/identidade-de-haitiano-que-disse-a-bolsonaro-que-seu-governo-havia-acabado-e-um-misterio.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2020/05/identidade-de-haitiano-que-disse-a-bolsonaro-que-seu-governo-havia-acabado-e-um-misterio.shtml</a></p>



<p style="font-size:10px"><a href="#_ftnref3">[3]</a> Entrevista completa disponível em: <a href="https://racismoambiental.net.br/2018/06/02/ailton-krenak-a-potencia-do-sujeito-coletivo-parte-ii/">https://racismoambiental.net.br/2018/06/02/ailton-krenak-a-potencia-do-sujeito-coletivo-parte-ii/</a></p>



<p style="font-size:10px"><a href="#_ftnref4">[4]</a> Para saber mais sobre o trabalho: https://pt.jaimelauriano.com/bandeiras-nacional</p>



<p style="font-size:10px"><a href="#_ftnref5">[5]</a> Disponível em: <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46259929">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46259929</a></p>



<p style="font-size:10px"><a href="#_ftnref6">[6]</a> Citação a um comentário de André Brasil em relação a esse texto. Aproveito para agradecer ao André pela leitura, pelas indicações e conversas. Agradeço também a Ingá pela lembrança do amor ausente na frase da bandeira, Alessandra Brito pelas conversas e sugestões,Cláudia Mesquita pela sugestão da cena em <em>Terra Para Rose, </em>e o CachoeiraDoc pelo espaço de conversa dessa ideia, onde foi publicado, em maio de 2020, uma semente dessa proposição: <a href="http://www.cachoeiradoc.com.br/festivalimpossivel/fartura/">http://www.cachoeiradoc.com.br/festivalimpossivel/fartura/</a></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Fight the power: breve história do videoclipe político</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2020/07/fight-the-power-breve-historia-do-videoclipe-politico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2020 11:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
		<category><![CDATA[curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[videoclipe]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Eduardo de Jesus e Luis Felipe Flores O videoclipe, como gênero e formato, tem uma origem híbrida e difusa. A herança dos filmes musicais hollywoodianos e da videoarte produzida entre as décadas de 1960 e 1970, o registro de performances musicais ao vivo, os primeiros longas metragens dos Beatles como A hard day´s night (1964) e Help (1965), o concerto de Elvis Presley para a rede de TV estadunidense NBC (1968), entre outros, formaram ao longo do tempo alguns dos pontos da enorme trama de origem do videoclipe. Agrupando os diversos modos na relação entre som e imagem, o videoclipe abarca desde o registro mais direto da performance de artistas até elaborações autorais e experimentações visuais de toda ordem. A entrada no ar da MTV americana, no início da década de 1980, de alguma forma, definiu certo contorno – mutante e dinâmico – ao formato videoclipe que começava a articular suas origens e heranças em novos arranjos. Dali em diante, o videoclipe se tornaria uma peça central nas trajetórias comerciais dos artistas e bandas, na construção de seus semblantes midiáticos ou como forma de posicionamento no imenso e diversificado mercado do entretenimento. Atualmente nas tramas pós-massivas das redes o videoclipe assume novas lógicas e potências com outras formas de produção e circulação. A princípio o videoclipe era uma forma simples de ampliar a visibilidade dos artistas, dentro do circuito midiático massivo. No entanto, foram inúmeras as alterações e contaminações do universo dos clipes com a cultura midiática global. Se num primeiro momento, tratava-se de um formato despretensioso e ligado mais exclusivamente ao entretenimento e ao posicionamento comercial, aos poucos, foi ganhando novos contornos e estratégias. Na década de 1990, por exemplo, acabou se tornando um formato que permitiu a experimentação audiovisual em produções autorais que atingiram audiências amplas e heterogêneas, em aproximações com o cinema e a arte contemporânea. Ao longo do tempo, uma das importantes mutações do videoclipe foi a gradativa aproximação com questões políticas e sociais que, ampliando a herança das músicas de protesto, passou a usar as imagens como forma de engajamento político, posicionamento e visibilidade de muitas causas. Indicamos aqui alguns videoclipes que mostram certo panorama – inesgotável – das relações entre videoclipes e engajamento político. Longe de ser conclusiva, dada a extensão do fenômeno, essa lista de videoclipes nos mostra estratégias estéticas, discursivas e narrativas com nítidos posicionamentos políticos.&#160; Os clipes se posicionam diante de questões sociais, políticas, étnico-raciais, identitárias, de gênero e também na elaboração de outras representações, entre inúmeras outras questões. Uma das linhas fortes entre os videoclipes que indicamos é a luta contra o racismo. A MTV americana percebeu (capturou?) tardiamente essa vertente e em 2011 incluiu “melhor vídeo com mensagem social” entre as categorias de premiação no MTV Awards. &#160;Em&#160; 2017, essa categoria foi retomada com outro nome “Melhor luta contra o sistema” (Best fight against the system). Toda essa movimentação política mais intensa, que vemos atualmente em torno do videoclipe traz vestígios históricos que apresentamos aqui junto com desdobramentos contemporâneos. A lista poderia ser imensa, mas escolhemos nos deter primeiramente em alguns videoclipes mais antigos que já traziam as questões políticas e sociais de seus períodos históricos e outros mais atuais, buscando escapar dos mais recentes com ampla visibilidade. O grupo de rap americano Public Enemy trouxe novo vigor a esse gênero musical ampliando seu engajamento político em discursos diretos e contundentes, especialmente direcionados contra o racismo e a violência, sobretudo policial, contra negras e negros nos Estados Unidos. Existem muitas versões do clipe da canção. A versão integral, indisponível na rede, trazia imagens da Marcha de Washington (1963) que reuniu cerca de 200.000 pessoas para protestar contra o racismo. Nesta versão reduzida vemos imagens de um protesto semelhante no Brooklyn, em Nova York, com uma vigorosa apresentação da banda. As formas como os aparatos e dispositivos audiovisuais e midiáticos vem sendo usados pelos muitos grupos indígenas nos últimos tempos tem gerado reposicionamentos estéticos e políticos profícuos.&#160; Novas representações, mais complexas e alinhadas a questões políticas importantes, como a demarcação das terras e a preservação de formas culturais tradicionais, marcam os videoclipes do grupo de rap Brô Mc´s formado por jovens indígenas Guarani e Kaiowá da reserva Jaguapiru (Dourados, MS). Em plena explosão da Aids, em 1990, e com toda onda de preconceito e segregação que a doença provocou, a organização americana Red and Hot produziu um disco com versões de músicas de Cole Porter (1891 – 1964) de modo a levantar fundos para a pesquisa contra a AIDS. Eram vendidos o disco e um fita VHS com os videoclipes. Um dos clipes que se destacou nesse contexto foi a versão de Neneh Cherry para o clássico I´ve got under my skin. O clipe causou certo estranhamento, porque, além de trazer pessoas andróginas em situações ambíguas e afetuosas, incluía um contundente rap em torno da luta contra a AIDS. Cherry ainda incluiu a frase “compartilhe o amor e não a agulha” que fecha o clipe, o que foi compreendido por grupos conservadores como um estímulo ao uso de drogas injetáveis. Abordando o sexo oral pela ótica feminina quase como um divertido e funcional manual de instruções, Karol Conka lança mão de sugestivas imagens e uma letra direta para tratar do tema. Temáticas sexuais quando tratadas diretamente por mulheres quase sempre são desqualificadas pelo mundo machista, o que não foi diferente à época de lançamento da música e do videoclipe. Trata-se um gesto político de empoderamento feminino e de defesa da igualdade.&#160;&#160;&#160; O clipe de Emicida tem uma estrutura narrativa que mais parece um curta-metragem denunciando de forma radical as violências sofridas por negras e negros do Brasil, especialmente no trabalho doméstico. Lund já havia dirigido o contundente clipe de Minha alma (A Paz que eu não quero) (O Rappa,1999) e com Emicida parece seguir a mesma direção. Apesar de simples no uso de recursos visuais, o registro da performance musical da banda Die Desserteure e do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986) chama atenção. A longa e radical trajetória]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="356" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/cabecalho-curadoria-edu-flores-1024x356.jpg" alt="" class="wp-image-570" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/cabecalho-curadoria-edu-flores-1024x356.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/cabecalho-curadoria-edu-flores-300x104.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/cabecalho-curadoria-edu-flores-768x267.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/cabecalho-curadoria-edu-flores.jpg 1440w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Por Eduardo de Jesus e Luis Felipe Flores</p>



<p>O videoclipe, como gênero e formato, tem uma origem híbrida e difusa. A herança dos filmes musicais hollywoodianos e da videoarte produzida entre as décadas de 1960 e 1970, o registro de performances musicais ao vivo, os primeiros longas metragens dos Beatles como <em>A hard day´s night</em> (1964) e <em>Help</em> (1965), o concerto de Elvis Presley para a rede de TV estadunidense NBC (1968), entre outros, formaram ao longo do tempo alguns dos pontos da enorme trama de origem do videoclipe. Agrupando os diversos modos na relação entre som e imagem, o videoclipe abarca desde o registro mais direto da performance de artistas até elaborações autorais e experimentações visuais de toda ordem.</p>



<p>A entrada no ar da MTV americana, no início da década de 1980, de alguma forma, definiu certo contorno – mutante e dinâmico – ao formato videoclipe que começava a articular suas origens e heranças em novos arranjos. Dali em diante, o videoclipe se tornaria uma peça central nas trajetórias comerciais dos artistas e bandas, na construção de seus semblantes midiáticos ou como forma de posicionamento no imenso e diversificado mercado do entretenimento. Atualmente nas tramas pós-massivas das redes o videoclipe assume novas lógicas e potências com outras formas de produção e circulação.</p>



<p>A princípio o videoclipe era uma forma simples de ampliar a visibilidade dos artistas, dentro do circuito midiático massivo. No entanto, foram inúmeras as alterações e contaminações do universo dos clipes com a cultura midiática global. Se num primeiro momento, tratava-se de um formato despretensioso e ligado mais exclusivamente ao entretenimento e ao posicionamento comercial, aos poucos, foi ganhando novos contornos e estratégias. Na década de 1990, por exemplo, acabou se tornando um formato que permitiu a experimentação audiovisual em produções autorais que atingiram audiências amplas e heterogêneas, em aproximações com o cinema e a arte contemporânea.</p>



<p>Ao longo do tempo, uma das importantes mutações do videoclipe foi a gradativa aproximação com questões políticas e sociais que, ampliando a herança das músicas de protesto, passou a usar as imagens como forma de engajamento político, posicionamento e visibilidade de muitas causas.</p>



<p>Indicamos aqui alguns videoclipes que mostram certo panorama – inesgotável – das relações entre videoclipes e engajamento político. Longe de ser conclusiva, dada a extensão do fenômeno, essa lista de videoclipes nos mostra estratégias estéticas, discursivas e narrativas com nítidos posicionamentos políticos.&nbsp; Os clipes se posicionam diante de questões sociais, políticas, étnico-raciais, identitárias, de gênero e também na elaboração de outras representações, entre inúmeras outras questões. Uma das linhas fortes entre os videoclipes que indicamos é a luta contra o racismo.</p>



<p>A MTV americana percebeu (capturou?) tardiamente essa vertente e em 2011 incluiu “melhor vídeo com mensagem social” entre as categorias de premiação no MTV Awards. &nbsp;Em&nbsp; 2017, essa categoria foi retomada com outro nome “Melhor luta contra o sistema” (<em>Best fight against the system</em>).</p>



<p>Toda essa movimentação política mais intensa, que vemos atualmente em torno do videoclipe traz vestígios históricos que apresentamos aqui junto com desdobramentos contemporâneos. A lista poderia ser imensa, mas escolhemos nos deter primeiramente em alguns videoclipes mais antigos que já traziam as questões políticas e sociais de seus períodos históricos e outros mais atuais, buscando escapar dos mais recentes com ampla visibilidade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Public Enemy - Fight The Power (Official Music Video)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/mmo3HFa2vjg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Fight the power (Public Enemy) &#8211; Spike Lee, 1989</span></figcaption></figure>



<p>O grupo de rap americano Public Enemy trouxe novo vigor a esse gênero musical ampliando seu engajamento político em discursos diretos e contundentes, especialmente direcionados contra o racismo e a violência, sobretudo policial, contra negras e negros nos Estados Unidos. Existem muitas versões do clipe da canção. A versão integral, indisponível na rede, trazia imagens da Marcha de Washington (1963) que reuniu cerca de 200.000 pessoas para protestar contra o racismo. Nesta versão reduzida vemos imagens de um protesto semelhante no Brooklyn, em Nova York, com uma vigorosa apresentação da banda.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Bro Mc&#039;s - Eju Orendive | CLIPE OFICIAL | LEGENDADO" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/oLbhGYfDmQg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Eju Orendive (Brô Mc&#8217;s) &#8211; CUFA-MS, 2010</span></figcaption></figure>



<p>As formas como os aparatos e dispositivos audiovisuais e midiáticos vem sendo usados pelos muitos grupos indígenas nos últimos tempos tem gerado reposicionamentos estéticos e políticos profícuos.&nbsp; Novas representações, mais complexas e alinhadas a questões políticas importantes, como a demarcação das terras e a preservação de formas culturais tradicionais, marcam os videoclipes do grupo de rap Brô Mc´s formado por jovens indígenas Guarani e Kaiowá da reserva Jaguapiru (Dourados, MS).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Neneh Cherry - I&#039;ve Got You Under My Skin" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/p9MYizva-7o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">I&#8217;ve got you under my skin (Neneh Cherry) &#8211; Jean-Baptiste Mondino, 1990</span></figcaption></figure>



<p>Em plena explosão da Aids, em 1990, e com toda onda de preconceito e segregação que a doença provocou, a organização americana Red and Hot produziu um disco com versões de músicas de Cole Porter (1891 – 1964) de modo a levantar fundos para a pesquisa contra a AIDS. Eram vendidos o disco e um fita VHS com os videoclipes.</p>



<p>Um dos clipes que se destacou nesse contexto foi a versão de Neneh Cherry para o clássico <em>I´ve got under my skin</em>. O clipe causou certo estranhamento, porque, além de trazer pessoas andróginas em situações ambíguas e afetuosas, incluía um contundente rap em torno da luta contra a AIDS. Cherry ainda incluiu a frase “compartilhe o amor e não a agulha” que fecha o clipe, o que foi compreendido por grupos conservadores como um estímulo ao uso de drogas injetáveis.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="KAROL CONKA - Lalá" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/t_veXiDyQvU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Lalá (Karol Conka) &#8211; Vera Egito e Camila Cornelsen, 2017</span></figcaption></figure>



<p>Abordando o sexo oral pela ótica feminina quase como um divertido e funcional manual de instruções, Karol Conka lança mão de sugestivas imagens e uma letra direta para tratar do tema. Temáticas sexuais quando tratadas diretamente por mulheres quase sempre são desqualificadas pelo mundo machista, o que não foi diferente à época de lançamento da música e do videoclipe. Trata-se um gesto político de empoderamento feminino e de defesa da igualdade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Emicida - Boa Esperança (Videoclipe Oficial)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/AauVal4ODbE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Boa Esperança (Emicida) &#8211; Katia Lund e João Wainer, 2015</span></figcaption></figure>



<p>O clipe de Emicida tem uma estrutura narrativa que mais parece um curta-metragem denunciando de forma radical as violências sofridas por negras e negros do Brasil, especialmente no trabalho doméstico. Lund já havia dirigido o contundente clipe de <em>Minha alma (A Paz que eu não quero)</em> (O Rappa,1999) e com Emicida parece seguir a mesma direção.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Joseph Beuys, Sonne statt Reagan 1982 with English subtitles" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/n1rrkHh6Y9U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Sonne statt Reagan (Joseph Beuys e Die Desserteure) &#8211; Joseph Beuys, 1982</span></figcaption></figure>



<p>Apesar de simples no uso de recursos visuais, o registro da performance musical da banda Die Desserteure e do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986) chama atenção. A longa e radical trajetória artística de Beuys empunhou inúmeras lutas políticas em suas obras entre intervenções, performances e instalações, se coloca em outro meio lançando mão dos recursos típicos da cultura pop.</p>



<p>Beuys aponta os enormes problemas da gestão de Ronald Reagan (1981 e 1985) na Casa Branca, como a intervenção militar na guerra civil de El Salvador e o desenvolvimento de armas nucleares. No refrão da canção, nos diz “Nós queremos sol ao contrário de Reagan” jogando com os sentidos da proximidade fonética entre as palavras Reagan e&nbsp;<em>Regen</em>&nbsp;(chuva, em alemão).</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A Carne - Elza Soares (Videoclipe Oficial)" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/yktrUMoc1Xw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">A carne (Elza Soares) &#8211; 2002</span></figcaption></figure>



<p>A música de Marcelo Yuka, Seu Jorge e Ulisses Cappelletti lançada no disco <em>Moro no Brasil</em> (1998) do grupo Farofa Carioca foi imortalizada na voz de Elza Soares, em duas versões (2002 e 2017). O clipe da primeira versão da música (do disco “Do cóccix até o pescoço”, 2002) nos mostra – entre cenas fortes em relação ao racismo estrutural no Brasil e uma performance eletrizante de Elza Soares – a presença negra em sua diversidade.</p>



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<iframe title="CRIOLO - Boca de Lobo" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/jgekT-PEb6c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Boca de Lobo (Criolo) &#8211; Denis Cisma, 2019</span></figcaption></figure>



<p>Uma super-produção misturando técnicas de animação com cenas que, muitas vezes, fazem alusão a acontecimentos recentes da política brasileira (a morte de Marielle, o caso Geddel e as questões do governo Temer). Animais peçonhentos no universo das cidades em fúria. Violento e furioso, o clipe traz inúmeras referências em suas imagens e foi contemplado em muitas premiações de videoclipes.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Frescáh No Círio - Leona Vingativa" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/jUIJ-efTykY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><span class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Frescáh no Círio (Leona Vingativa) &#8211; Paulo Colucci, 2015</span></figcaption></figure>



<p>Leona Vingativa Asssassina é uma persona construída na força dos agenciamentos sócio-técnicos e midiáticos das redes sociais. Vinda do Jurunas, periferia de Belém do Pará, Leona faz uma paródia do sucesso do Daft Punk. Em meio à performance de Leona, as imagens incluem o Pastor evangélico Marcos Feliciano e alusões à suposta cura gay, em meio a referências diretas e muito divertidas ao Círio de Nazaré, importante festa religiosa de Belém. Da letra da canção, que insere elementos da linguagem do universo trans, aos “atracks” de Leona, da aparição da periferia aos figurinos, o clipe é puro descontrole e subversão.&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>Poéticas da Experiência lança curadorias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2020 11:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
		<category><![CDATA[curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa]]></category>
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					<description><![CDATA[O site do Poéticas da Experiência passa a compartilhar, quinzenalmente, breves curadorias feitas pelos pesquisadores (alunos e professores) do grupo, em diálogo direto ou indireto com suas pesquisas. Algo se enerva para além de mim, parte de um sol em luto, talvez por ser o nada o eixo de tudo: o sal sobre a pedra, um caracol à deriva - e em cada parte um nome-corpo exato no que hesita. (Edimilson de Almeida Pereira) De uma forma ou de outra, a curadoria sempre esteve presente entre os participantes do Poéticas, não apenas porque as pesquisas, não raro, se traduzem em mostras e exibições em festivais e cineclubes, mas também porque montagem e remontagem são procedimentos comuns tanto no trabalho curatorial, quanto no trabalho de pesquisa. Trata-se, nesse caso, menos de julgar e selecionar obras estéticas, do que de compor com elas um pensamento, instaurar com elas processos de rememoração, retomar pequenas histórias, produzir agenciamentos políticos entre as imagens e o mundo. Ali, entre luto e luta, entre opressão e fabulação, algo se inquieta, “se enerva para além de mim”: quando não são tomadas pela bolsa de valores dos nomes e das apostas, nem pelo cálculo abstrato da produção acadêmica, curadoria e pesquisa são atividades que podem nascer dessa inquietude: contribuem para dar a ver mundos e saberes invisibilizados, memórias apagadas; vidas que existem, persistem, que inventam e imaginam outras histórias e formas de futuro. Ou, como sugere ainda o poema de Edimilson de Almeida Pereira, nomes-corpos exatos no que hesita. Damos início a essa série com Fight the power: breve história do videoclipe político, curadoria criada por Eduardo de Jesus e Luís Flores, a quem agradecemos! Reunindo videoclipes históricos e recentes, o percurso proposto não se quer exaustivo, mas nos permite vislumbrar o modo como, por meio deste objeto híbrido e contraditório da cultura pop, as lutas políticas (principalmente aquelas contra o racismo) se inscrevem no cotidiano, na memória individual e coletiva.]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="http://www.poeticasdaexperiencia.org/2020/07/fight-the-power-breve-historia-do-videoclipe-politico/"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="356" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/b01-1024x356.jpg" alt="" class="wp-image-590" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/b01-1024x356.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/b01-300x104.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/b01-768x267.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/b01.jpg 1440w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Clique e confira a primeira curadoria!</mark></figcaption></figure>



<p>O site do Poéticas da Experiência passa a compartilhar, quinzenalmente, breves curadorias feitas pelos pesquisadores (alunos e professores) do grupo, em diálogo direto ou indireto com suas pesquisas.</p>



<p></p>



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<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color"><em>Algo se enerva para
além de mim, parte

de um sol em luto,
talvez por ser o nada

o eixo de tudo:
o sal sobre a pedra,

um caracol à deriva
- e em cada parte

um nome-corpo
exato no que hesita.</em>

(Edimilson de Almeida Pereira)</mark>
</pre>
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<p>De uma forma ou de outra, a curadoria sempre esteve presente entre os participantes do Poéticas, não apenas porque as pesquisas, não raro, se traduzem em mostras e exibições em festivais e cineclubes, mas também porque montagem e remontagem são procedimentos comuns tanto no trabalho curatorial, quanto no trabalho de pesquisa. Trata-se, nesse caso, menos de julgar e selecionar obras estéticas, do que de compor com elas um pensamento, instaurar com elas processos de rememoração, retomar pequenas histórias, produzir agenciamentos políticos entre as imagens e o mundo. Ali, entre luto e luta, entre opressão e fabulação, algo se inquieta, “se enerva para além de mim”: quando não são tomadas pela bolsa de valores dos nomes e das apostas, nem pelo cálculo abstrato da produção acadêmica, curadoria e pesquisa são atividades que podem nascer dessa inquietude: contribuem para dar a ver mundos e saberes invisibilizados, memórias apagadas; vidas que existem, persistem, que inventam e imaginam outras histórias e formas de futuro. Ou, como sugere ainda o poema de Edimilson de Almeida Pereira, nomes-corpos exatos no que hesita.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="463" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/imagem-post-lanca-curadorias-1024x463.png" alt="" class="wp-image-577" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/imagem-post-lanca-curadorias-1024x463.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/imagem-post-lanca-curadorias-300x136.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/imagem-post-lanca-curadorias-768x347.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/07/imagem-post-lanca-curadorias.png 1439w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color">Lalá (Karol Conka) &#8211; videoclipe integrante de Fight the power</mark></figcaption></figure>
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<p>Damos início a essa série com <em>Fight the power</em>: <em>breve história do videoclipe político</em>, curadoria criada por Eduardo de Jesus e Luís Flores, a quem agradecemos! Reunindo videoclipes históricos e recentes, o percurso proposto não se quer exaustivo, mas nos permite vislumbrar o modo como, por meio deste objeto híbrido e contraditório da cultura pop, as lutas políticas (principalmente aquelas contra o racismo) se inscrevem no cotidiano, na memória individual e coletiva.</p>
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