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	<title>Poeticas &#8211; Poéticas da Experiência</title>
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	<description>Grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG (linha Pragmáticas da Imagem)</description>
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	<title>Poeticas &#8211; Poéticas da Experiência</title>
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		<title>Projeto Retratistas do Morro &#8211; Encontro com o curador Guilherme Cunha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Sep 2024 16:34:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[Nessa semana retomaremos as atividades do Poéticas da Experiência. Buscando desdobramentos para as leituras e discussões dos textos de Ariella Azoulay, realizadas em 2024/1, teremos a alegria de receber algumas/uns convidadas/os que vão compartilhar conosco seus trabalhos de pesquisa e/ou realização artística, que passam pela retomada crítica e ressignificação de imagens de arquivo.&#160; O primeiro deles será na sexta-feira, dia 04 de outubro às 14h30, na sala 3100 da FAFICH e discutiremos o Projeto Retratistas do Morro, &#8220;um projeto de fotografias que manifestam o direito de existir na história.&#8221; Contaremos com a presença do curador, pesquisador e artista visual Guilherme Cunha e com a mediação da doutoranda Mariana Falcão. Mais informações sobre o projeto: PROGRAMAÇÃO POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA 2024/2 Dia 18/10 &#8211; Juliana Salles de Siqueira no Poéticas Femininas Nesta data, a proposta é assistirmos à apresentação de Juliana, pesquisadora de pós-doutorado no PPGCOM/UFMG (sob supervisão de Roberta Veiga), que apresentará no grupo Poéticas Femininas sua pesquisa em torno do tema &#8220;teoria, ética e estética da fotografia diante da morte perinatal&#8221;. 01/11 &#8211; Encontro com&#160;&#160;Priscila Musa Fotógrafa e pesquisadora, autora da tese &#8220;Quem vê cara não vê ancestralidade: arquivos fotográficos e memórias insurgentes de Belo Horizonte&#8221; (2022), desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em&#160; Arquitetura e Urbanismo da UFMG (sob orientação de Renata Marquez).&#160; 06/12 &#8211; Encontro com Maria Vaz Artista visual e pesquisadora, doutoranda e mestre em artes visuais pela EBA/UFMG. Trabalha relações entre memória, esquecimento, território e imaginário, através de fabulações críticas e poéticas, interseções entre imagem e palavra e o uso de arquivos públicos e privados.&#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2498" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3-200x200.png 200w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/09/poeticas-retratistas-3.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>Nessa semana retomaremos as atividades do Poéticas da Experiência.</p>



<p>Buscando desdobramentos para as leituras e discussões dos textos de Ariella Azoulay, realizadas em 2024/1, teremos a alegria de receber algumas/uns convidadas/os que vão compartilhar conosco seus trabalhos de pesquisa e/ou realização artística, que passam pela retomada crítica e ressignificação de imagens de arquivo.&nbsp;</p>



<p>O primeiro deles será na sexta-feira, <strong>dia 04 de outubro às 14h30, na sala 3100 da FAFICH</strong> e discutiremos o <strong>Projeto Retratistas do Morro</strong>, &#8220;um projeto de fotografias que manifestam o direito de existir na história.&#8221; Contaremos com a presença do curador, pesquisador e artista visual Guilherme Cunha e com a mediação da doutoranda Mariana Falcão. </p>



<p>Mais informações sobre o projeto:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-pr-mio-pipa wp-block-embed-pr-mio-pipa"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="oiGjeeOOq3"><a href="https://www.premiopipa.com/retratistas-do-morro/">Retratistas do Morro</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Retratistas do Morro&#8221; &#8212; Prêmio PIPA" src="https://www.premiopipa.com/retratistas-do-morro/embed/#?secret=oiGjeeOOq3" data-secret="oiGjeeOOq3" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-instituto-moreira-salles wp-block-embed-instituto-moreira-salles"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="sVNm7U2q1J"><a href="https://ims.com.br/convida/projeto-retratistas-do-morro/">Projeto Retratistas do Morro</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Projeto Retratistas do Morro&#8221; &#8212; Instituto Moreira Salles" src="https://ims.com.br/convida/projeto-retratistas-do-morro/embed/#?secret=yKJIa7p7gC#?secret=sVNm7U2q1J" data-secret="sVNm7U2q1J" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p><strong>PROGRAMAÇÃO POÉTICAS DA EXPERIÊNCIA 2024/2</strong></p>



<p><strong>Dia 18/10 &#8211; Juliana Salles de Siqueira no Poéticas Femininas</strong></p>



<p>Nesta data, a proposta é assistirmos à apresentação de Juliana, pesquisadora de pós-doutorado no PPGCOM/UFMG (sob supervisão de Roberta Veiga), que apresentará no grupo Poéticas Femininas sua pesquisa em torno do tema &#8220;teoria, ética e estética da fotografia diante da morte perinatal&#8221;.</p>



<p><strong>01/11 &#8211; Encontro com&nbsp;&nbsp;Priscila Musa</strong></p>



<p>Fotógrafa e pesquisadora, autora da tese &#8220;Quem vê cara não vê ancestralidade: arquivos fotográficos e memórias insurgentes de Belo Horizonte&#8221; (2022), desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em&nbsp; Arquitetura e Urbanismo da UFMG (sob orientação de Renata Marquez).&nbsp;</p>



<p><strong>06/12 &#8211; Encontro com Maria Vaz</strong></p>



<p>Artista visual e pesquisadora, doutoranda e mestre em artes visuais pela EBA/UFMG. Trabalha relações entre memória, esquecimento, território e imaginário, através de fabulações críticas e poéticas, interseções entre imagem e palavra e o uso de arquivos públicos e privados.&nbsp;<strong></strong></p>



<p></p>
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		<title>RETROSPECTIVA 2023!</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2024/02/retrospectiva-2023/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Feb 2024 20:08:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[Celebramos aqui, o ano de 2023 no Poéticas da Experiência!&#160; Recheado de muitas conversas, partilhas, imagens e lanches coletivos, gostaríamos de relembrar as temáticas exploradas e as poéticas e poéticos que guiaram nossos diversos encontros ao longo do ano. Fica aqui registrado o nosso MUITO OBRIGADO! 💗 No primeiro semestre do ano, exploramos os conceitos e experiências em torno da &#8220;cena&#8221;, abordada a partir de diferentes perspectivas, métodos e reflexões (Jacques Rancière, Jean Louis Comolli, Saidiya Hartman, Bertolt Brecht e outres). Em articulação com as leituras, também foram propostos exercícios analíticos pautados na &#8220;cena&#8221; &#8211; com a contribuição de poéticas e poéticos do grupo.&#160; Agradecemos imensamente às poéticas e poéticos que compartilharam suas pesquisas, referências, análises e apresentações: Luiz Coutinho, César Guimarães, Diego Souza, Iakima Delamare, Larissa Costa, Cida Moura, Josué Gomes, Renan Eduardo. Confira os temas explorados nos encontros: No segundo semestre, decidimos fazer juntes a leitura do livro &#8220;VIDAS REBELDES, BELOS EXPERIMENTOS &#8211; Histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais&#8221;, da escritora estadunidense Saidyia Hartman. Cada encontro foi guiado pela leitura de capítulos específicos, que ao se relacionarem com os interesses e desejos de nossas pesquisas, foram abertos com associações e percepções movidxs por personagens, procedimentos, arquivos, histórias, imagens, conceitos ou outros elementos que nucleiam ou estão presentes nos segmentos do livro. Agradecemos imensamente às poéticas e poéticos que compartilharam suas pesquisas, referências, análises e apresentações esse semestre: Cláudia Mesquita, Pedro Antuña, Eduardo de Jesus, Sabrina Garcia, Alessandra Brito, Josué Victor, Marcela Lins, Clarice Flores, Giovana Lemos, Mariana Falcão, Thais Alessandra, Nathalia Gomes e Sthael Gomes. Somos gratos também pela presença das diversas pessoas que estiveram conosco nos encontros durante todo o ano: integrantes do grupo e da linha de pesquisa, alunes de diversos cursos da graduação e pós-graduação, professores parceires e outras. A presença de vocês é muito importante para a vitalidade e a continuidade do grupo! Convidamos todes para estarem conosco no próximo semestre! Que venha 2024! Beijos, força e alegria para nós!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Celebramos aqui, o ano de 2023 no Poéticas da Experiência!&nbsp;</p>



<p>Recheado de muitas conversas, partilhas, imagens e lanches coletivos, gostaríamos de relembrar as temáticas exploradas e as poéticas e poéticos que guiaram nossos diversos encontros ao longo do ano. Fica aqui registrado o nosso MUITO OBRIGADO! 💗</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3.png"><img decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2000" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Still do filme &#8220;Cavalo Dinheiro&#8221; (2014), de Pedro Costa</figcaption></figure>



<p class="has-text-align-left">No primeiro semestre do ano, exploramos os conceitos e experiências em torno da &#8220;cena&#8221;, abordada a partir de diferentes perspectivas, métodos e reflexões (Jacques Rancière, Jean Louis Comolli, Saidiya Hartman, Bertolt Brecht e outres). Em articulação com as leituras, também foram propostos exercícios analíticos pautados na &#8220;cena&#8221; &#8211; com a contribuição de poéticas e poéticos do grupo.&nbsp;</p>



<p>Agradecemos imensamente às poéticas e poéticos que compartilharam suas pesquisas, referências, análises e apresentações: Luiz Coutinho, César Guimarães, Diego Souza, Iakima Delamare, Larissa Costa, Cida Moura, Josué Gomes, Renan Eduardo.</p>



<p>Confira os temas explorados nos encontros:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A trajetória de Pedro Costa e a cena em Rancière (com Luiz Coutinho)</li>



<li>A cena documentária na perspectiva de Jean-Louis Comolli (com César Guimarães)</li>



<li>A cena documental sob três perspectivas (com Diego Souza, Iakima Delamare e Larissa Costa)</li>



<li>As imagens do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)</li>



<li>A cena de sujeição e violência em Saidiya Hartman (com Cida Moura, Josué Gomes e Renan Eduardo)</li>



<li>A cena de contradição: o modelo de Brecht e o da Cia. do Latão (com Sérgio de Carvalho)</li>
</ul>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1.png"><img decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2006" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2006" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2002" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2002" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1o-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="4500" height="4500" data-id="2004" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2004" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 4500px) 100vw, 4500px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2001" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2001" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/latao_final-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2003" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2003" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/MST2-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2005" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2005" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/sexta3-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2007" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2o-Tema-do-Semestre-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<p>No segundo semestre, decidimos fazer juntes a leitura do livro &#8220;VIDAS REBELDES, BELOS EXPERIMENTOS &#8211; Histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais&#8221;, da escritora estadunidense Saidyia Hartman. Cada encontro foi guiado pela leitura de capítulos específicos, que ao se relacionarem com os interesses e desejos de nossas pesquisas, foram abertos com associações e percepções movidxs por personagens, procedimentos, arquivos, histórias, imagens, conceitos ou outros elementos que nucleiam ou estão presentes nos segmentos do livro.</p>



<p>Agradecemos imensamente às poéticas e poéticos que compartilharam suas pesquisas, referências, análises e apresentações esse semestre: Cláudia Mesquita, Pedro Antuña, Eduardo de Jesus, Sabrina Garcia, Alessandra Brito, Josué Victor, Marcela Lins, Clarice Flores, Giovana Lemos, Mariana Falcão, Thais Alessandra, Nathalia Gomes e Sthael Gomes.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2011" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2011" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/1-1-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2012" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-2012" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-1024x1024.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-300x300.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-150x150.png 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-768x768.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-1536x1536.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-2048x2048.png 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/2-200x200.png 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2009" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-2009" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-1024x1024.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-300x300.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-150x150.jpg 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-768x768.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3-200x200.jpg 200w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1080" height="1080" data-id="2010" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-2010" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-1024x1024.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-300x300.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-150x150.jpg 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-768x768.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4-200x200.jpg 200w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/4.jpg 1080w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></a></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" data-id="2013" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-2013" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-1024x1024.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-300x300.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-150x150.jpg 150w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-768x768.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-1536x1536.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-2048x2048.jpg 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/5-200x200.jpg 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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<p>Somos gratos também pela presença das diversas pessoas que estiveram conosco nos encontros durante todo o ano: integrantes do grupo e da linha de pesquisa, alunes de diversos cursos da graduação e pós-graduação, professores parceires e outras. A presença de vocês é muito importante para a vitalidade e a continuidade do grupo!</p>



<p>Convidamos todes para estarem conosco no próximo semestre! Que venha 2024!</p>



<p>Beijos, força e alegria para nós!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-2008" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-1024x577.jpg 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-300x169.jpg 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-768x432.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-1536x865.jpg 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-2048x1153.jpg 2048w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2024/02/20231215_171744-200x113.jpg 200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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		<title>Poéticas da Experiência realizará leitura coletiva de &#8220;Vidas Rebeldes, Belos Experimentos&#8221;, livro de Saidiya Hartman!</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2023/09/poeticas-da-experiencia-realizara-uma-leitura-coletiva-de-vidas-rebeldes-belos-experimentos-livro-de-saidiya-hartman/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Sep 2023 18:23:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[noticia]]></category>
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					<description><![CDATA[Nesse semestre, o Poéticas da Experiência vai se dedicar a leitura de Saidiya Hartman! Na última sexta (08/09) , em nosso primeiro encontro do semestre, decidimos fazer juntes, a leitura do livro &#8220;Vidas rebeldes, belos experimentos &#8211; histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais&#8221;, de Saidyia Hartman. 📚 A ideia é que façamos diferentes &#8220;entradas&#8221; ao livro, movidxs por personagens, procedimentos, arquivos, histórias, imagens, conceitos ou outros elementos que nucleiam ou estão presentes nos segmentos do livro, e que podem deflagrar associações e pensamentos. A definição dessas &#8220;entradas&#8221; será feita no próximo encontro, depois que todxs tivermos o primeiro contato com o livro (quem ainda não teve). Combinamos de levar sugestões de possíveis caminhos, talvez relacionados aos nossos interesses e desejos de pesquisa, no dia 22/09. Quem desejar contribuir, apresentando uma proposta de leitura, deve indicar, na ocasião, o(s) segmento(s) do livro que propõe lermos juntxs. ✨ Para o dia 22/09, Cláudia Mesquita e Pedro Antuña apresentarão suas leituras dos seguintes trechos do livro: &#8211; Nota sobre o método (pg. 11 a 13)&#8211; A terrível beleza do gueto e Uma figura menor (pg. 23 a 55) Além do dia 22/09, teremos &#8211; a princípio &#8211; encontros nos dias 06/10, 27/10, 24/11 e 15/12. Quando definido, divulgaremos o cronograma completo!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
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<p class="has-black-color has-text-color">Nesse semestre, o Poéticas da Experiência vai se dedicar a leitura de Saidiya Hartman!</p>



<p class="has-black-color has-text-color">Na última sexta (08/09) , em nosso primeiro encontro do semestre, decidimos fazer juntes, a leitura do livro &#8220;Vidas rebeldes, belos experimentos &#8211; histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais&#8221;, de Saidyia Hartman.</p>



<p class="has-black-color has-text-color">📚 A ideia é que façamos diferentes &#8220;entradas&#8221; ao livro, movidxs por personagens, procedimentos, arquivos, histórias, imagens, conceitos ou outros elementos que nucleiam ou estão presentes nos segmentos do livro, e que podem deflagrar associações e pensamentos.</p>



<p class="has-black-color has-text-color">A definição dessas &#8220;entradas&#8221; será feita no próximo encontro, depois que todxs tivermos o primeiro contato com o livro (quem ainda não teve). Combinamos de levar sugestões de possíveis caminhos, talvez relacionados aos nossos interesses e desejos de pesquisa, no dia 22/09. Quem desejar contribuir, apresentando uma proposta de leitura, deve indicar, na ocasião, o(s) segmento(s) do livro que propõe lermos juntxs.</p>



<p class="has-black-color has-text-color">✨ Para o dia 22/09, Cláudia Mesquita e Pedro Antuña apresentarão suas leituras dos seguintes trechos do livro:</p>



<p class="has-black-color has-text-color">&#8211; Nota sobre o método (pg. 11 a 13)<br>&#8211; A terrível beleza do gueto e Uma figura menor (pg. 23 a 55)</p>



<p class="has-black-color has-text-color">Além do dia 22/09, teremos &#8211; a princípio &#8211; encontros nos dias 06/10, 27/10, 24/11 e 15/12. Quando definido, divulgaremos o cronograma completo!</p>
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		<title>Poéticas da luta e políticas de articulação</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2022/04/poeticas-da-luta-e-politicas-de-articulacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Apr 2022 14:21:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
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					<description><![CDATA[Aiano Bemfica1 e Luís Flores2 A vida organizada em torno dos filmes” é uma definição amplamente aceita para a cinefilia tradicional. Mas nesse momento, quando o mundo está em ebulição e o planeta à beira de uma catástrofe, tal concepção de amor ao cinema soa irresponsável, até narcisista. O que precisamos agora é de uma cinefilia que esteja em pleno contato com seu momento presente global – que o acompanhe, que se mova e viaje com ele. Não importa o quão ardente e apaixonado seja nosso amor por esse meio, o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema (Girish Shambu, 2019)3. &#8220;Decía el Viejo Antonio que la libertad tenía qué ver también con el oído, la palabra y la mirada. Que la libertad era que no tuviéramos miedo a la mirada y a la palabra del otro, del diferente. Pero también que no tuviéramos miedo de ser mirados y escuchados por los otros. Y luego agregó que el miedo se podía oler, y que abajo y arriba ese miedo despedía un olor diferente. Dijo además que la libertad no estaba en un lugar, sino que había que hacerla, construirla en colectivo. Que, sobre todo, no se podía hacer sobre el miedo del otro que, aunque diferente, es como nosotros (Subcomandante Marcos, 2006)4. Era ainda a primeira metade de 2020, quando começamos a pensar formas de elaborar uma curadoria para integrar o site do Poéticas da Experiência. Estávamos recém-submersos nos impactos e nas transformações que o contexto de pandemia, moldado pela gestão nefasta do Governo Federal, impôs a todas e todos. Assim como muitas pessoas e coletivos mundo afora, tentávamos entender de que maneira responder ao novo cenário, de que modos reorganizar nossas vidas e nossas possibilidades de existir no mundo. Parecia um desafio tremendo continuar fazendo coisas concretas, que sempre nos foram prementes e fundamentais: con-viver, celebrar encontros, partilhar ideias e ações, pensar e construir, coletivamente, um outro mundo possível, um mundo outro. Foi no bojo dessa busca que surgiu, dentro do nosso grupo de pesquisa, a ideia de criar uma curadoria relacionada às nossas pesquisas e inquietações. Passados mais de dois anos do nosso impulso inicial, quando enfim conseguimos dar corpo à proposta que aqui compartilhamos, o Brasil já acumula mais de 663 mil mortos pela COVID-19 (11% das mortes no mundo, em um país que tem apenas 3% da população mundial), e ultrapassa a marca de 30 milhões de pessoas contaminadas — representando cerca de 6% dos dados globais de contágio. Consequências, vale repetir, da política genocida do capitalismo, do rentismo e do militarismo, forças que se agrupam em torno de Bolsonaro, impulsionada pelo discurso negacionista que agrava o quadro social de um país que sofre, ademais, com o empobrecimento e com o aumento da carestia. O experimento que movemos (e que nos moveu), entranhado no desejo de restabelecer os laços e os encontros de luta no presente, foi o de inverter um pouco a chave daquilo que se entende, convencionalmente, por curadoria artística, isto é, a seleção especializada de determinados objetos estéticos a partir de um prisma subjetivo mais focalizado. Em vez disso, quisemos experimentar a curadoria como um locus de encontro (provisório e restrito, é certo) para a combinação de lutas que se fazem inadiáveis, mesmo diante do fim do mundo, pois brotam e crescem no limiar improvável de incontáveis mundos que acabam e ressurgem diariamente. Se uma crise sanitária em escala global é cenário novo para os que vivemos neste século, são muitas outras as crises que vêm violando, desde tempos remotos, diversos grupos, territórios e formas de existência. Desde o despojo como prática colonial, ao abandono histórico das periferias urbanas, passando pelas violências sistêmicas em todos os campos da existência; em um mundo que se quer organizado pelos de cima, como o nosso, não se pode amar, pensar, cultuar, ocupar, partilhar ou lutar de maneira livre, sem sofrer com os vilipêndios do poder estabelecido e seus discursos pretensiosamente hegemônicos. A imposição, muitas vezes, é de ordem estética, e vai moldando silenciosamente — pelas vias do streaming, da Netflix, da Amazon, da HBO, do velho império de Hollywood reeditado — as possibilidades de existir debaixo do céu, modelando, normatizando, homogeneizando as manifestações plurais da vida sobre a terra. Onde uns querem impor, pela velha força da violência e da exploração, o consenso do que é e do que se forma, representando e reduzindo o tecido social a fórmulas comerciais (e comercializáveis) de política e de liberdade, nosso intuito foi o de escutar aqueles que lutam e resistem, os que defendem a vida, em âmbitos muito concretos. Por meio “da escuta, da palavra e do olhar”, como fala o Viejo Antonio, em uma das epígrafes que abrem este texto, a busca pela liberdade vem sendo construída e a história transformada por movimentos que, ainda que limitados em escala, são articulados “a partir da consciência organizada de grupos e coletivos que se conhecem e se reconhecem mutuamente, abaixo e à esquerda, e que constroem outra política” (Subcomandante Marcos, 2006, p. 8). Concordando com Girish Shambu que “o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema”, nos pareceu decisivo reinventar o processo curatorial como um lugar não apenas de reflexão e construção de sentido, a partir de uma montagem entre obras, mas de articulação de lutas e pensamentos emancipatórios, de modo a tecer diálogos com pessoas que cotidianamente constroem possibilidades para superar as crises de “um mundo em ebulição” em um “planeta à beira de uma catástrofe”.&#160;Talvez como resposta ao nosso absoluto — ou relativo — isolamento, uma das muitas consequências do período pandêmico (que partilhamos), passamos a ver a curadoria também como território de articulação política, reconhecendo-a como sítio de encontro para diferentes pensamentos, convocando e atravessando obras que, juntas, impulsionam formas outras de construção de escutas, palavras e olhares. Convidamos, então, lutadoras e lutadores populares, lideranças ativas em alguns dos processos mais importantes de continuidade e reinvenção do presente, para construírem, conosco, não um programa curatorial rigidamente delimitado,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right" id="12nota"><em>Aiano Bemfica<sup><a href="#nota1">1</a></sup> e Luís Flores</em><sup><a href="#nota2">2</a></sup></p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:60%">
<p id="3nota" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><em>A vida organizada em torno dos filmes” é uma definição amplamente aceita para a cinefilia tradicional. Mas nesse momento, quando o mundo está em ebulição e o planeta à beira de uma catástrofe, tal concepção de amor ao cinema soa irresponsável, até narcisista. O que precisamos agora é de uma cinefilia que esteja em pleno contato com seu momento presente global – que o acompanhe, que se mova e viaje com ele. Não importa o quão ardente e apaixonado seja nosso amor por esse meio, o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema (Girish Shambu, 2019)<sup><a href="#nota3">3</a></sup>.</em></p>
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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:60%">
<p id="4nota" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><em>&#8220;Decía el Viejo Antonio que la libertad tenía qué ver también con el oído, la palabra y la mirada. Que la libertad era que no tuviéramos miedo a la mirada y a la palabra del otro, del diferente. Pero también que no tuviéramos miedo de ser mirados y escuchados por los otros. Y luego agregó que el miedo se podía oler, y que abajo y arriba ese miedo despedía un olor diferente. Dijo además que la libertad no estaba en un lugar, sino que había que hacerla, construirla en colectivo. Que, sobre todo, no se podía hacer sobre el miedo del otro que, aunque diferente, es como nosotros (Subcomandante Marcos, 2006)<sup><a href="#nota4">4</a></sup>.</em></p>



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<p><strong></strong>Era ainda a primeira metade de 2020, quando começamos a pensar formas de elaborar uma curadoria para integrar o site do Poéticas da Experiência. Estávamos recém-submersos nos impactos e nas transformações que o contexto de pandemia, moldado pela gestão nefasta do Governo Federal, impôs a todas e todos. Assim como muitas pessoas e coletivos mundo afora, tentávamos entender de que maneira responder ao novo cenário, de que modos reorganizar nossas vidas e nossas possibilidades de existir no mundo. Parecia um desafio tremendo continuar fazendo coisas concretas, que sempre nos foram prementes e fundamentais: <em>con-viver</em>, celebrar encontros, partilhar ideias e ações, pensar e construir, coletivamente, um outro mundo possível, <em>um mundo outro</em>. Foi no bojo dessa busca que surgiu, dentro do nosso grupo de pesquisa, a ideia de criar uma curadoria relacionada às nossas pesquisas e inquietações.</p>



<p>Passados mais de dois anos do nosso impulso inicial, quando enfim conseguimos dar corpo à proposta que aqui compartilhamos, o Brasil já acumula mais de 663 mil mortos pela COVID-19 (11% das mortes no mundo, em um país que tem apenas 3% da população mundial), e ultrapassa a marca de 30 milhões de pessoas contaminadas — representando cerca de 6% dos dados globais de contágio. Consequências, vale repetir, da política genocida do capitalismo, do rentismo e do militarismo, forças que se agrupam em torno de Bolsonaro, impulsionada pelo discurso negacionista que agrava o quadro social de um país que sofre, ademais, com o empobrecimento e com o aumento da carestia.</p>



<p>O experimento que movemos (e que nos moveu), entranhado no desejo de restabelecer os laços e os encontros de luta no presente, foi o de inverter um pouco a chave daquilo que se entende, convencionalmente, por curadoria artística, isto é, a seleção especializada de determinados objetos estéticos a partir de um prisma subjetivo mais focalizado. Em vez disso, quisemos experimentar a curadoria como um <em>locus</em> de encontro (provisório e restrito, é certo) para a combinação de lutas que se fazem inadiáveis, mesmo diante do fim do mundo, pois brotam e crescem no limiar improvável de incontáveis mundos que acabam e ressurgem diariamente. Se uma crise sanitária em escala global é cenário novo para os que vivemos neste século, são muitas outras as crises que vêm violando, desde tempos remotos, diversos grupos, territórios e formas de existência. Desde o despojo como prática colonial, ao abandono histórico das periferias urbanas, passando pelas violências sistêmicas em todos os campos da existência; em um mundo que se quer organizado pelos de cima, como o nosso, não se pode amar, pensar, cultuar, ocupar, partilhar ou lutar de maneira livre, sem sofrer com os vilipêndios do poder estabelecido e seus discursos pretensiosamente hegemônicos.</p>



<p>A imposição, muitas vezes, é de ordem estética, e vai moldando silenciosamente — pelas vias do streaming, da Netflix, da Amazon, da HBO, do velho império de Hollywood reeditado — as possibilidades de existir debaixo do céu, modelando, normatizando, homogeneizando as manifestações plurais da vida sobre a terra. Onde uns querem impor, pela velha força da violência e da exploração, o consenso do que <em>é</em> e do que <em>se forma</em>, representando e reduzindo o tecido social a fórmulas comerciais (e comercializáveis) de política e de liberdade, nosso intuito foi o de escutar aqueles que lutam e resistem, os que defendem a vida, em âmbitos muito concretos.</p>



<p>Por meio “<em>da escuta, da palavra e do olhar</em>”, como fala o Viejo Antonio, em uma das epígrafes que abrem este texto, a busca pela liberdade vem sendo construída e a história transformada por movimentos que, ainda que limitados em escala, são articulados <em>“a partir da consciência organizada de grupos e coletivos que se conhecem e se reconhecem mutuamente, abaixo e à esquerda, e que constroem outra política” </em>(Subcomandante Marcos, 2006, p. 8). Concordando com Girish Shambu que “o mundo é maior e vastamente mais importante do que o cinema”, nos pareceu decisivo reinventar o processo curatorial como um lugar não apenas de reflexão e construção de sentido, a partir de uma montagem entre obras, mas de articulação de lutas e pensamentos emancipatórios, de modo a tecer diálogos com pessoas que cotidianamente constroem possibilidades para superar as crises de “um mundo em ebulição” em um “planeta à beira de uma catástrofe”.&nbsp;Talvez como resposta ao nosso absoluto — ou relativo — isolamento, uma das muitas consequências do período pandêmico (que partilhamos), passamos a ver a curadoria também como território de articulação política, reconhecendo-a como sítio de encontro para diferentes pensamentos, convocando e atravessando obras que, juntas, impulsionam formas outras de construção de escutas, palavras e olhares. Convidamos, então, lutadoras e lutadores populares, lideranças ativas em alguns dos processos mais importantes de continuidade e reinvenção do presente, para construírem, conosco, não um programa curatorial rigidamente delimitado, mas uma rede aberta de filmes e pensamentos. Às/aos convidadas/os, propusemos que indicassem uma ou mais obras e, a partir delas, gravassem um comentário que estabelecesse possíveis relações entre o(s) filme(s) e o mundo.</p>



<p>Não propomos, aqui, o cinema que decorre simplesmente dos códigos do bom gosto padronizado, e muito menos o cinema que advém da normatização histórica, ideológica e comercial das manifestações imagéticas que atravessam o nosso mundo. Queremos, isso sim, compartilhar um cinema vivo, diverso, pulsante, um cinema cuja poética expresse algo da vontade inalienável de corpos e olhares viventes, em movimento insubmisso com o sopro das lutas de nosso tempo, um cinema que não se faça como experiência estética cômoda e condicionada, mas, antes, como atmosfera — meio — pulsante de imagens que fortalecem as formas de emancipação e de articulação política.</p>



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<p><strong>NOTAS</strong></p>



<p id="nota1" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="#12nota">1</a></sup> Mestre em comunicação social pela Universidade Federal de Minas Gerais e membro do grupo de pesquisa Poéticas da Experiência, vinculado à linha Pragmáticas da Imagem, é também graduado em Antropologia Social pela mesma universidade. Paralelo ao seu percurso acadêmico, é cineasta e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e realiza filmes intimamente ligados aos processos políticos contemporâneos. Em um trabalho que busca aproximar os dois eixos de sua trajetória, se dedica a pesquisar intersecções entre as lutas sociais e a produção/circulação de imagens realizadas no bojo destes processos. Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/7764526174770889">http://lattes.cnpq.br/7764526174770889</a></p>



<p id="nota2" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="#12nota">2</a></sup> Doutor em Comunicação Social pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, com pesquisa dedicada ao cineasta alemão Harun Farocki. Mestre em Cinema pelo Programa de Pós-graduação em Artes da EBA-UFMG, com dissertação dedicada ao cineasta francês Max Ophuls, com o título Max Ophuls, mestre de cerimônias: mise en scène reflexiva em La ronde e Lola Montès. Graduado em Ciência da Computação pelo DCC/UFMG. Professor, educador, curador e pesquisador de cinema, atua também como ensaísta e tradutor. Organizador dos livros O Cinema de Trinh T. Minh-ha (2015) e O Cinema de Rithy Panh (2013). Curador das retrospectivas dos cineastas Rithy Panh (CCBB, 2013) e Trinh T. Minh-ha (Caixa Cultural, 2015) no Brasil. Curador do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte nos anos de 2015, 2016 e 2017. Curador do forumdoc.bh no ano de 2015. Desde 2019, é curador do Cinecipó — Festival do Filme Insurgente, desde 2019. Desde 2020, é curador da Lona &#8211; Mostra Cinemas e Territórios, uma iniciativa do MLB &#8211; Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas. Participa do projeto artístico e educativo Coletivo de Cinema, voltado para a inclusão do audiovisual nas escolas públicas. Organiza o programa educativo gratuito Cinema — Sensação de Mundo, destinado ao público infantil. Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/5896277282332288">http://lattes.cnpq.br/5896277282332288</a></p>



<p id="nota3" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="http://3nota">3</a></sup> Passagem do texto “Por uma nova cinefilia”, de Girish Shambu, traduzido por Ingá Patriota e publicada na Revista Cinética em 20 de abril de 2020. Disponível em: <a href="http://revistacinetica.com.br/nova/traducao-de-por-uma-nova-cinefilia-girish-shambu/">http://revistacinetica.com.br/nova/traducao-de-por-uma-nova-cinefilia-girish-shambu/</a></p>



<p id="nota4" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);"><sup><a href="http://4nota">4</a></sup> Passagem de “Tocar el Verde &#8211; Calendário e Geografia de la Destrucción&#8221;, terceira parte do livro “Ni centro, ni periferia” que reúne falas do vocero zapatista Subcomandante Marcos (2006, p.33).</p>



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<p><strong>Convidada: Capitã Pedrina (Capitã da Guarda de Massambique de Nossa Senhora das Mercês de Oliveira, MG</strong>)<strong><br>Filme: <em>Café com Canela</em> (Ary Rosa e Glenda Inácio, 2017)</strong></p>



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<p><strong>“Café com Canela” (Ary Rosa e Glenda Inácio, 2017, 102min)</strong></p>



<p>O filme ficou disponível neste post até o dia 18/5/22. Agradecemos à diretora e ao diretor, às/aos produtoras/es e às/aos distribuidoras/es pela janela de exibição generosa!</p>



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<p><strong>Convidado: Pai Sidney – Tat&#8217;etu Odesidoji<br>Filme: <em>Besouro</em> (João Daniel Tikhomiroff, 2009)</strong></p>



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<p><strong>“Besouro” (João Daniel Tikhomiroff, 2009, 95min)</strong></p>



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<p><strong>Convidado: Gabriel Lopo (Jornalista e Produtor Cultural)<br>Filmes: <em>A luta do povo</em> (Renato Tapajós, 1980) e <em>Pandelivery</em> (Guimel Salgado e Antônio Matos, 2020)</strong></p>



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<p><strong>“A Luta do Povo” (Renato Tapajós, 1980, 30min)</strong></p>



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<p><strong>“Pandelivery” (Guimel Salgado e Antônio Matos, 2020, 15min)</strong></p>



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<p><strong>Convidada: Letícia Oliveira (MAB)<br>Filme: <em>Mineiros</em> (Amanda Dias, 2020) e <em>O Povo Constrói </em>(2020)</strong></p>



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<p><strong>Mineiros (Amanda Dias, 2020, 23&#8242;)</strong></p>



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<iframe title="Documentário - Mineiros" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/facBD6e44oM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong>O Povo Constrói (2020, 13&#8242;)</strong></p>



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<iframe title="O Povo Constrói | Documentário" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/dwYMSVqdLyA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
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<p><strong>Convidado: Frei Gilvander (Comunicador e Assessor Nacional da Comissão Pastoral da Terra &#8211; CPT)<br>Filme: <em>Mataram Irmã Dorothy</em> (Daniel Junge, 2008)</strong></p>



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<p><strong>“Mataram Irmã Dorothy” (Daniel Junge, 2008, 100min)</strong></p>



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<p><strong>Convidadxs: Coletivo Olhares (Im)Possíveis<br>Filmes: &#8220;Ano 2020&#8221; e &#8220;Contramonumento 1&#8221;</strong></p>



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https://vimeo.com/704158045
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<p><strong>“Ano 2020” (Coletivo Olhares (Im)Possíveis, 2021, 16min)</strong></p>



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https://vimeo.com/704255176/d241593038
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<p><strong>“Contramonumento #1” (Coletivo Olhares (Im)Possíveis, 2022, 10min)</strong></p>



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https://vimeo.com/704237226/d7503ddebd
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<p><strong>Convidado: Edinho Vieira (Cineasta e Coordenador Nacional do Movimento de Lua nos Bairros, Vilas e Favelas &#8211; MLB)<br>Filme: <em>A vizinhança do tigre</em> (Affonso Uchoa, 2014)</strong></p>



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https://vimeo.com/704162211/2bd6549c93
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<p><strong>“A Vizinhança do Tigre”<em> (Affonso Uchoa, 2014, 95min)</em></strong> — <a rel="noreferrer noopener" href="https://vimeo.com/ondemand/avizinhancadotigrevod/325878771" target="_blank">Clique aqui para alugar</a><br><strong>(Caso alguém deseje obter um link de acesso individual, gratuitamente, fazer contato com Luís Flores — 031 9-8487-5413)</strong></p>



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</div></figure>



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<p><strong>AGRADECIMENTOS</strong></p>



<p>André Brasil, Arthur Medrado, Capitã Pedrina, Cardes Amâncio, Coletivo Olhares (Im)Possíveis, Daniel Queiroz, Edinho Vieira, Ester Antonieta, Frei Gilvander, Gabriel Lopo, Izabella Bontempo, Letícia Oliveira, Letícia Péret, Pai Sidney – Tat&#8217;etu Odesidoji</p>



<p><strong>APOIO</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://embaubafilmes.com.br/" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="722" src="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-1024x722.webp" alt="" class="wp-image-1021" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-1024x722.webp 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-300x211.webp 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50-768x541.webp 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2022/04/Screen-Shot-2022-04-28-at-23.50.50.webp 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
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		<title>2ª Edição de &#8220;A mise-en-film da fotografia no documentário brasileiro e um ensaio avulso&#8221;, de Glaura Vale</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2020/12/2a-edicao-de-a-mise-en-film-da-fotografia-no-documentario-brasileiro-e-um-ensaio-avulso-de-glaura-vale/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Dec 2020 20:55:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[mise-en-film]]></category>
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					<description><![CDATA[A Relicário Edições disponibiliza, para download gratuito, a 2ª edição de A mise-en-film da fotografia no documentário brasileiro e um ensaio avulso, de Glaura Cardoso Vale. Publicada originalmente em 2016, com prefácio de César Guimarães, a versão de 2020 conta com orelha escrita por Nina Tedesco e prefácio à segunda edição escrito por Cláudia Mesquita. O livro, que se encontrava esgotado, investiga a mise-en-film da fotografia procurando demonstrar como a imagem fotográfica é requerida na elaboração da memória das pessoas filmadas a partir de dois temas: “Álbuns de família” e “Retratos da dor”. Tendo em vista esses dois eixos temáticos e a solicitação da fotografia como dispositivo de rememoração, os ensaios aqui reunidos abordam os seguintes filmes: Acácio (Marília Rocha, 2008), Moscou (Eduardo Coutinho, 2009), Nos olhos de Mariquinha (Cláudia Mesquita e Junia Torres, 2008), Retratos de identificação (Anita Leandro, 2014) e Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984). Foi incorporado a esta edição um ensaio posterior dedicado ao múltiplo da fotografia que trabalha com Travessia (Safira Moreira, 2017) e Inconfissões (Ana Galizia, 2017). Como um signo especial que guarda, em si, o efeito paradoxal de ser presença da ausência e ausência da presença, noção benjaminiana retomada por vários/as estudiosos/as da imagem, ao trazer à luz tais fotografias, os filmes acabam por reinseri-las na linha do tempo. Dessa forma, uma história individual ou coletiva pode ser redescoberta, repensada, submetida ao olhar crítico. Já o ensaio avulso destaca as relações entre a leitura e a escrita do movimento no cinema de Aloysio Raulino, e, em particular, uma enigmática (e borgeana) passagem de Inventário da rapina (1986) desse importante fotógrafo e realizador brasileiro. A mise-en-film da fotografia no documentário brasileiro foi resultado da pesquisa de pós-doutoramento de Glaura Cardoso Vale junto ao PPGCOM-UFMG, com bolsa PNPD/CAPES (2013-2016). Link para download: https://www.relicarioedicoes.com/livros/a-mise-en-film/]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>A Relicário Edições disponibiliza, para download gratuito, a 2ª edição de <strong><em>A mise-en-film da fotografia no documentário brasileiro e um ensaio avulso</em></strong>, de Glaura Cardoso Vale. Publicada originalmente em 2016, com <strong>prefácio de César Guimarães</strong>, a versão de 2020 conta com <strong>orelha escrita por Nina Tedesco</strong> e <strong>prefácio à segunda edição escrito por Cláudia Mesquita</strong>. O livro, que se encontrava esgotado, investiga a <em>mise-en-film</em> da fotografia procurando demonstrar como a imagem fotográfica é requerida na elaboração da memória das pessoas filmadas a partir de dois temas: <strong>“Álbuns de família” e “Retratos da dor”</strong>.</p>
</div>
</div>



<p> Tendo em vista esses dois eixos temáticos e a solicitação da fotografia como dispositivo de rememoração, os ensaios aqui reunidos abordam os seguintes filmes: <strong><em>Acácio</em> (Marília Rocha, 2008), <em>Moscou</em> (Eduardo Coutinho, 2009), <em>Nos olhos de Mariquinha</em> (Cláudia Mesquita e Junia Torres, 2008), <em>Retratos de identificação</em> (Anita Leandro, 2014) e <em>Cabra marcado para morrer</em> (Eduardo Coutinho, 1984)</strong>. Foi incorporado a esta edição um ensaio posterior dedicado ao múltiplo da fotografia que trabalha com <strong><em>Travessia</em> (Safira Moreira, 2017) e <em>Inconfissões </em>(Ana Galizia, 2017)</strong>. Como um signo especial que guarda, em si, o efeito paradoxal de ser presença da ausência e ausência da presença, noção benjaminiana retomada por vários/as estudiosos/as da imagem, ao trazer à luz tais fotografias, os filmes acabam por reinseri-las na linha do tempo. Dessa forma, uma história individual ou coletiva pode ser redescoberta, repensada, submetida ao olhar crítico. Já o ensaio avulso destaca as relações entre <strong>a leitura e a escrita do movimento no cinema de Aloysio Raulino</strong>, e, em particular, uma enigmática (e borgeana) passagem de <strong><em>Inventário da rapina</em> (1986)</strong> desse importante fotógrafo e realizador brasileiro. <em>A mise-en-film da fotografia no documentário brasileiro</em> foi resultado da pesquisa de pós-doutoramento de <strong>Glaura Cardoso Vale </strong>junto ao PPGCOM-UFMG, com bolsa PNPD/CAPES (2013-2016).</p>



<p>Link para download: <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/a-mise-en-film/" target="_blank">https://www.relicarioedicoes.com/livros/a-mise-en-film/</a></p>
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		<title>Exibições da Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2020 13:50:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[cinecipó]]></category>
		<category><![CDATA[formação transversal]]></category>
		<category><![CDATA[saberes tradicionais]]></category>
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					<description><![CDATA[A Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG apresenta sua produção audiovisual em dois festivais brasileiros durante o mês de dezembro: o 9º Cinecipó e o 9º CachoeiraDoc. A primeira delas é uma mostra especial integrante do 9º Cinecipó &#8211; Festival do Filme Insurgente, na qual é exibida uma parcela significativa das realizações audiovisuais da Formação Transversal. Desde 2014, no esforço de criar práticas pluri-epistêmicas de ensino e pesquisa, o Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG acolheu dezenas de mestras e mestres das culturas afro-brasileiras, indígenas e populares, que ministram disciplinas oferecidas a todos os cursos de graduação. Em consonância com a atenta escuta que essas disciplinas exigem, o Programa criou diferentes formatos audiovisuais – Videoaulas, Documentários, Retratos e Cantos – que buscam colocar em cena o encontro entre os saberes tradicionais e o conhecimento acadêmico. Todo esse trabalho vem sendo desenvolvido de modo partilhado entre professores, alunos e mestres tradicionais, num esforço metodológico conjunto de aprendizado e realização audiovisual. Para mais informações, acesse: https://cinecipo.com.br/sessao-especial.html Além dessa mostra, acontece no CachoeiraDoc &#8211; 9º Festival de Documentários de Cachoeira a apresentação do filme &#8220;Retrato da Mestra Makota Valdina&#8221;, de Cesar Guimarães e Pedro Aspahan, produzido também no âmbito da Formação Transversal. A exibição integra as Sessões Especiais do Festival em homenagem à Makota Valdina. Como descreve Amaranta Cesar, coordenadora artística do CachoeiraDoc, &#8220;a pretexto de nos falar sobre cinema e sua relação com os terreiros, Makota Valdina, professora, militante negra, ambientalista, defensora dos direitos das mulheres e liderança religiosa do Nzo Onimboyá, terreiro de nação angola em Salvador, nos legou essa instrução de sabedoria política, uma lição de vida, numa das sessões do CachoeiraDoc, em sua última realização, datada de setembro de 2017. De lá para cá, o CachoeiraDoc fez uma pausa forçada por dois anos, e em março de 2019, de modo precoce e inesperado, Makota Valdina nos deixou. E aqui estamos, retomando o festival e oferecendo alimento para sua memória, pingando água na terra fértil que ela foi, que ela é. Homenageá-la é a forma que encontramos de nos juntar ao trabalho de fecundação do presente com a força da ancestralidade para garantia de vida. Como diz Conceição Evaristo, o ancestral coloca o novo no mundo&#8221;. Ficha técnica:Com: Makota Valdina (Terreiro Nzo Onimboyá, Salvador, Bahia)Direção: César Guimarães e Pedro AspahanProdução:&#160;Saberes Tradicionais UFMGFotografia e Montagem: Pedro AspahanSom Direto: Guilherme Brant DrumondEntrevista: César GuimarãesAgradecimento: Alice Pinto e Junior Pakapyn (Terreiro Nzo Onimboya) Para mais informações, acesse https://www.cachoeiradoc.com.br/festival/filmes/retrato-da-mestra-makota-valdina-minas-gerais/]]></description>
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<p>A Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG apresenta sua produção audiovisual em dois festivais brasileiros durante o mês de dezembro: o 9º Cinecipó e o 9º CachoeiraDoc. </p>



<p>A primeira delas é uma <strong>mostra especial integrante do 9º Cinecipó &#8211; Festival do Filme Insurgente</strong>, na qual é exibida uma parcela significativa das realizações audiovisuais da Formação Transversal.</p>



<p>Desde 2014, no esforço de criar práticas pluri-epistêmicas de ensino e pesquisa, o Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG acolheu dezenas de mestras e mestres das culturas afro-brasileiras, indígenas e populares, que ministram disciplinas oferecidas a todos os cursos de graduação. Em consonância com a atenta escuta que essas disciplinas exigem, o Programa criou diferentes formatos audiovisuais – <em>Videoaulas, Documentários, Retratos e Cantos </em>– que buscam colocar em cena o encontro entre os saberes tradicionais e o conhecimento acadêmico. Todo esse trabalho vem sendo desenvolvido de modo partilhado entre professores, alunos e mestres tradicionais, num esforço metodológico conjunto de aprendizado e realização audiovisual.</p>



<p>Para mais informações, acesse: <a href="https://cinecipo.com.br/sessao-especial.html">https://cinecipo.com.br/sessao-especial.html</a></p>



<p>Além dessa mostra, acontece no <strong>CachoeiraDoc &#8211; 9º Festival de Documentários de Cachoeira a apresentação do filme &#8220;Retrato da Mestra Makota Valdina&#8221;, de Cesar Guimarães e Pedro Aspahan</strong>, produzido também no âmbito da Formação Transversal. A exibição integra as Sessões Especiais do Festival em homenagem à Makota Valdina.</p>



<p>Como descreve Amaranta Cesar, coordenadora artística do CachoeiraDoc, &#8220;a pretexto de nos falar sobre cinema e sua relação com os terreiros, Makota Valdina, professora, militante negra, ambientalista, defensora dos direitos das mulheres e liderança religiosa do Nzo Onimboyá, terreiro de nação angola em Salvador, nos legou essa instrução de sabedoria política, uma lição de vida, numa das sessões do CachoeiraDoc, em sua última realização, datada de setembro de 2017. De lá para cá, o CachoeiraDoc fez uma pausa forçada por dois anos, e em março de 2019, de modo precoce e inesperado, Makota Valdina nos deixou. E aqui estamos, retomando o festival e oferecendo alimento para sua memória, pingando água na terra fértil que ela foi, que ela é. Homenageá-la é a forma que encontramos de nos juntar ao trabalho de fecundação do presente com a força da ancestralidade para garantia de vida. Como diz Conceição Evaristo, o ancestral coloca o novo no mundo&#8221;.</p>



<p><strong>Ficha técnica:</strong><br>Com: Makota Valdina (Terreiro Nzo Onimboyá, Salvador, Bahia)<br>Direção: César Guimarães e Pedro Aspahan<br>Produção:&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.saberestradicionais.org/" target="_blank">Saberes Tradicionais UFMG</a><br>Fotografia e Montagem: Pedro Aspahan<br>Som Direto: Guilherme Brant Drumond<br>Entrevista: César Guimarães<br>Agradecimento: Alice Pinto e Junior Pakapyn (Terreiro Nzo Onimboya)</p>



<p>Para mais informações, acesse <a href="https://www.cachoeiradoc.com.br/festival/filmes/retrato-da-mestra-makota-valdina-minas-gerais/">https://www.cachoeiradoc.com.br/festival/filmes/retrato-da-mestra-makota-valdina-minas-gerais/</a></p>
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		<title>Como viver de arte? &#8211; Exposição com curadoria de Anna Karina Bartolomeu e Patrícia Azevedo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2020 13:48:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[exposição]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[viver de arte]]></category>
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					<description><![CDATA[Esta exposição, curada por Anna Karina Bartolomeu, integrante do grupo Poéticas da Experiência, e também por Patrícia Azevedo, apresenta, nas palavras das curadoras, &#8220;um recorte da produção de Fotografia da Escola de Belas Artes da UFMG, um lugar de encontro de diferentes interesses, saberes e perfis, por compor a formação básica e complementar de diversos cursos de graduação da universidade. Foram selecionados trabalhos orientados por Patrícia Azevedo em disciplinas da área, obras que buscam provocar o pensamento sobre a fotografia e seus modos de funcionamento numa paisagem tomada pelas imagens, onde se adensam redes de comunicação, privadas ou públicas, múltiplos dispositivos e programas, além de teias de verdades e mentiras&#8221;. Para mais informações, acesse: https://www.behance.net/comoviexpo Foto da capa: &#8220;Galeria portátil arte contemporânea em cápsulas &#8211; obras a um real&#8221;​​​​​​​ por Luana Lacerda (2018) &#8211; Acesse]]></description>
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<p>Esta exposição, curada por Anna Karina Bartolomeu, integrante do grupo Poéticas da Experiência, e também por Patrícia Azevedo, apresenta, nas palavras das curadoras, &#8220;um recorte da produção de Fotografia da Escola de Belas Artes da UFMG, um lugar de encontro de diferentes interesses, saberes e perfis, por compor a formação básica e complementar de diversos cursos de graduação da universidade. Foram selecionados trabalhos orientados por Patrícia Azevedo em disciplinas da área, obras que buscam provocar o pensamento sobre a fotografia e seus modos de funcionamento numa paisagem tomada pelas imagens, onde se adensam redes de comunicação, privadas ou públicas, múltiplos dispositivos e programas, além de teias de verdades e mentiras&#8221;.</p>



<p>Para mais informações, acesse: <a href="https://www.behance.net/comoviexpo">https://www.behance.net/comoviexpo</a></p>



<p><strong>Foto da capa:</strong> <em>&#8220;Galeria portátil arte contemporânea em cápsulas &#8211; obras a um real&#8221;​​​​​​​</em> por Luana Lacerda (2018) &#8211; <a href="https://www.behance.net/gallery/108431079/Como-viver-de-arte">Acesse</a></p>
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		<title>Revista Devires &#8211; Lançamento do Dossiê Temático &#8220;Cinema e Escritas de si&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2020 13:47:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[escritas de si]]></category>
		<category><![CDATA[revista devires]]></category>
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					<description><![CDATA[A Revista Devires &#8211; Cinema e Humanidades lança o dossiê temático &#8220;Cinema e Escritas de Si&#8221;, cuja motivação é discutir as formas através das quais o cinema autobiográfico &#8211; inscrito no regime documental e com seus diversos métodos de elaboração e encenação do eu &#8211; resiste como experiência de alteridade e convoca sua vocação política. Coordenado por Roberta Veiga, Carla Italiano e Ilana Feldman o dossiê aborda, a partir de diferentes dispositivos e contextos de autoinscrição no cinema, em artigos de autoras e autores do Brasil e de outros países, uma amostra modesta, mas confiante de que a escrita de si também é histórica. Para mais informações, acesse: https://issuu.com/revistadevires/docs/devires_cinema_e_escritas_de_si_v14_ffa898e26555fa]]></description>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="738" height="1024" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-738x1024.jpg" alt="" class="wp-image-898" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-738x1024.jpg 738w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-216x300.jpg 216w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-768x1066.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-1106x1536.jpg 1106w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-1475x2048.jpg 1475w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/12/cinema-escrita-de-si-devires-scaled.jpg 1844w" sizes="(max-width: 738px) 100vw, 738px" /></a></figure>
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<p>A Revista Devires &#8211; Cinema e Humanidades lança o dossiê temático &#8220;Cinema e Escritas de Si&#8221;, cuja motivação é discutir as formas através das quais o cinema autobiográfico &#8211; inscrito no regime documental e com seus diversos métodos de elaboração e encenação do eu &#8211; resiste como experiência de alteridade e convoca sua vocação política. Coordenado por Roberta Veiga, Carla Italiano e Ilana Feldman o dossiê aborda, a partir de diferentes dispositivos e contextos de autoinscrição no cinema, em artigos de autoras e autores do Brasil e de outros países, uma amostra modesta, mas confiante de que a escrita de si também é histórica.</p>
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<p>Para mais informações, acesse: <a href="https://issuu.com/revistadevires/docs/devires_cinema_e_escritas_de_si_v14_ffa898e26555fa">https://issuu.com/revistadevires/docs/devires_cinema_e_escritas_de_si_v14_ffa898e26555fa</a> </p>
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		<title>Leona Vingativa: explicitamente política</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2020/10/leona-vingativa-explicitamente-politica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2020 17:21:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
		<category><![CDATA[Leona]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Vingativa]]></category>
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					<description><![CDATA[Frame do vídeo &#8220;Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional, de Victor de la Rocque (2014) Por Álvaro Andrade Se apenas recentemente Felipe Neto, a maior personalidade da internet brasileira, passou a usar sua popularidade para promover pautas progressistas em que acredita, desde 2012, quando tinha apenas 13 anos, a artista paraense Leona Vingativa já tentava fazer uso de sua visibilidade nas redes com esse objetivo. Logo, não é de se espantar que, nestas eleições de 2020, ela esteja concorrendo a uma vaga na câmara municipal de Belém, em uma candidatura coletiva. O momento não poderia ser mais oportuno para (re)ver e pensar algumas de suas aparições performáticas em vídeo que têm como alvo a política institucional. Todos lançados e disponíveis no YouTube, os primeiros vídeos são de 2012, e o último, deste ano, é a primeira peça audiovisual de sua campanha. O trabalho de Vingativa sempre foi carregado de política, principalmente de políticas do corpo, expressão com a qual me refiro, grosso modo, às relações que se estabelecem pela presença dos corpos nos espaços públicos, sejam estes reais ou virtuais. Para além da compreensão de que não há um fora na política, ainda mais especificamente, refiro-me à política que se dá pelo tensionamento que um corpo provoca ao frequentar, de modo subversivo, espaços regidos por normas hegemônicas. Já em Leona Assassina Vingativa (2009), vídeo com o qual ela inicia sua trajetória como pessoa pública, sua presença disruptiva salta aos olhos. Nele, Vingativa tem apenas 11 anos, é uma criança negra, de um bairro empobrecido de Belém (PA), e encarna, contracenando com o amigo adolescente Paulo Colucci (Aleijada Hipócrita), uma mulher poderosa num típico embate dos capítulos finais de uma telenovela. Leona Assassina Vingativa (2009) A paródia é precisa no texto e na estrutura dramática da cena, mas há algo que escapa. O cenário e o figurino são mínimos, quase inexistentes, expondo a condição real da vida de quem a atua. Enquanto fabulam outras existências possíveis, certa feminilidade é performada até explodir no corpo de Vingativa. A energia excede em muito o registro telenovelesco, para além inclusive da paródia, e ultrapassa também os limites da brincadeira infantil que origina a encenação. O campo é atravessado por risadas e outros elementos vindos do extracampo, como pessoas que aparecem de soslaio nos cantos do plano, e uma força parece pulsar entre ficção e realidade. Elas se divertem enquanto atuam, e o resultado é magnético e chocante. Sua vitalidade alegre, por um lado, e o realismo ruidoso da técnica, do cenário e da caracterização que expõem corpo e contexto, por outro, sugerem em negativo os limites das normas hegemônicas: sejam sociais, referentes ao gênero, ao lugar da infância, à classe etc; sejam do audiovisual, em sua assepsia impositiva, cristalizada e disfarçada como único padrão técnico aceitável. Tudo o que vira cinzas na radicalidade incendiária da performance. Nessa seleção que proponho, a política é também essa, porém potencializada por uma dobra. São vídeos explicitamente políticos porque se direcionam ao campo da política como o senso comum a reconhece &#8211; que envolve partidos, eleições, mandatos etc &#8211; e que aqui proponho chamarmos de &#8220;a política dos políticos&#8221;. Afinal de contas, em nosso país, o mundo da política institucional está tão ou mais sequestrado do que o das imagens pelo sujeito hegemônico (homem, branco, cis, de classes médias e altas). Para se ter uma ideia, olhando apenas para o gênero, o Brasil tem menos parlamentares mulheres do que 151 países. A presença performática de Vingativa nesses vídeos, portanto, encara um duplo embate, pois tenta agir em um meio ainda mais dominado pelo oponente. Esta paródia de Marcelo Adnet ilustra bem o modelo normativo ao qual me refiro. Marcelo Adnet &#8211; Propaganda eleitoral gratuita (2014) Como assim, uma assassina vingativa engajada politicamente em causas progressistas? Nos seis vídeos listados e comentados abaixo, em imagens e sons em que se permitem sombras e ruídos, a artista contrapõe a esse modelo asséptico (na linguagem) e ascético (na tentativa de construir a imagem de heróis humildes e livres de qualquer contradição, sombra ou opacidade), o erotismo e a sensualidade como principais potências. Como afirma Audre Lorde (1984): &#8220;Há tentativas frequentes de se equiparar a pornografia e o erotismo, dois usos diametralmente opostos do sexual. Por causa de tais tentativas, se tornou recorrente separar o espiritual (psíquico e emocional) do político, vê-los como contraditórios ou antitéticos. “Como assim, uma revolucionária poética, um traficante de armas que medita?”. Da mesma forma, temos tentado separar o espiritual do erótico, e assim temos reduzido o espiritual a um mundo de afetos insípidos, do asceta que deseja sentir o nada. Mas nada está mais distante da verdade. Porque a posição ascética é uma do mais grandioso medo, da mais extrema imobilidade&#8221;. Seus primeiros trabalhos explicitamente políticos são de 2012, quando a Vingativa era apenas uma adolescente. Em três pequenos vídeos, ela aparece apoiando a candidata a vereadora DJ Gadá. Os registros sugerem seu envolvimento precoce com a política, bem como uma compreensão de comunidade (no caso, a LGBTQIA+) que tem estado presente em boa parte de seu trabalho. A preocupação com o coletivo e com a representatividade é verbalizada por ela no terceiro vídeo: &#8220;Eu tô cansada de olhar na câmera e só ver héteros. Tá na hora de mudar&#8221;. Pelo viés do gênero, Vingativa chama a atenção para o sujeito dominante na política institucional e expressa o interesse de que grupos pelos quais se sente representada ocupem e transformem esses espaços, para que se possa ver a diferença. A mudança que ela tenta promover na câmara é prefigurada na imagem, que também difere do habitual. A luminosidade insípida comum aos vídeos de campanha, frequentemente gravados de dia, aqui é substituída pelas sombras noturnas. Simbolicamente, a assunção das sombras sugere um outro lugar de enunciação, que contrapõe à luz que esconde e controla uma penumbra que revela e permite. A mensagem verbal, porém, é direta e sublinhada pelo dedo indicador apontado a quem assiste. O gesto, que remete à iconografia hegemônica de convocação à luta]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="640" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-1024x640.png" alt="" class="wp-image-877" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-1024x640.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-300x188.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04-768x480.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/10/Leona-Vingativa_EP-04.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Frame do vídeo &#8220;Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional, de Victor  de la Rocque (2014)</p>



<p>Por Álvaro Andrade</p>



<p>Se apenas recentemente Felipe Neto, a maior personalidade da internet brasileira, passou a usar sua popularidade para promover pautas progressistas em que acredita, desde 2012, quando tinha apenas 13 anos, a artista paraense Leona Vingativa já tentava fazer uso de sua visibilidade nas redes com esse objetivo. Logo, não é de se espantar que, nestas eleições de 2020, ela esteja concorrendo a uma vaga na câmara municipal de Belém, em uma candidatura coletiva. O momento não poderia ser mais oportuno para (re)ver e pensar algumas de suas aparições performáticas em vídeo que têm como alvo a política institucional. Todos lançados e disponíveis no YouTube, os primeiros vídeos são de 2012, e o último, deste ano, é a primeira peça audiovisual de sua campanha.</p>



<p>O trabalho de Vingativa sempre foi carregado de política, principalmente de políticas do corpo, expressão com a qual me refiro, grosso modo, às relações que se estabelecem pela presença dos corpos nos espaços públicos, sejam estes reais ou virtuais. Para além da compreensão de que não há um fora na política, ainda mais especificamente, refiro-me à política que se dá pelo tensionamento que um corpo provoca ao frequentar, de modo subversivo, espaços regidos por normas hegemônicas. Já em Leona Assassina Vingativa (2009), vídeo com o qual ela inicia sua trajetória como pessoa pública, sua presença disruptiva salta aos olhos. Nele, Vingativa tem apenas 11 anos, é uma criança negra, de um bairro empobrecido de Belém (PA), e encarna, contracenando com o amigo adolescente Paulo Colucci (Aleijada Hipócrita), uma mulher poderosa num típico embate dos capítulos finais de uma telenovela.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Leona - a assassina vingativa!" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/dswHQa09RZg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leona Assassina Vingativa (2009)</p>



<p>A paródia é precisa no texto e na estrutura dramática da cena, mas há algo que escapa. O cenário e o figurino são mínimos, quase inexistentes, expondo a condição real da vida de quem a atua. Enquanto fabulam outras existências possíveis, certa feminilidade é performada até explodir no corpo de Vingativa. A energia excede em muito o registro telenovelesco, para além inclusive da paródia, e ultrapassa também os limites da brincadeira infantil que origina a encenação. O campo é atravessado por risadas e outros elementos vindos do extracampo, como pessoas que aparecem de soslaio nos cantos do plano, e uma força parece pulsar entre ficção e realidade. Elas se divertem enquanto atuam, e o resultado é magnético e chocante. Sua vitalidade alegre, por um lado, e o realismo ruidoso da técnica, do cenário e da caracterização que expõem corpo e contexto, por outro, sugerem em negativo os limites das normas hegemônicas: sejam sociais, referentes ao gênero, ao lugar da infância, à classe etc; sejam do audiovisual, em sua assepsia impositiva, cristalizada e disfarçada como único padrão técnico aceitável. Tudo o que vira cinzas na radicalidade incendiária da performance.</p>



<p>Nessa seleção que proponho, a política é também essa, porém potencializada por uma dobra. São vídeos <strong>explicitamente políticos</strong> porque se direcionam ao campo da política como o senso comum a reconhece &#8211; que envolve partidos, eleições, mandatos etc &#8211; e que aqui proponho chamarmos de &#8220;a política d<strong>o</strong>s polític<strong>o</strong>s&#8221;. Afinal de contas, em nosso país, o mundo da política institucional está tão ou mais sequestrado do que o das imagens pelo sujeito hegemônico (homem, branco, cis, de classes médias e altas). Para se ter uma ideia, olhando apenas para o gênero, <a rel="noreferrer noopener" href="https://oglobo.globo.com/sociedade/brasil-tem-menos-parlamentares-mulheres-do-que-151-paises-22462336" target="_blank">o Brasil tem menos parlamentares mulheres do que 151 países</a>. A presença performática de Vingativa nesses vídeos, portanto, encara um duplo embate, pois tenta agir em um meio ainda mais dominado pelo oponente. Esta paródia de Marcelo Adnet ilustra bem o modelo normativo ao qual me refiro.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Propaganda eleitoral gratuita - Adnet" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/1Hb3uLDgfbI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Marcelo Adnet &#8211; Propaganda eleitoral gratuita (2014)</p>



<p><strong>Como assim, uma assassina vingativa engajada politicamente em causas progressistas?</strong></p>



<p>Nos seis vídeos listados e comentados abaixo, em imagens e sons em que se permitem sombras e ruídos, a artista contrapõe a esse modelo asséptico (na linguagem) e ascético (na tentativa de construir a imagem de heróis humildes e livres de qualquer contradição, sombra ou opacidade), o erotismo e a sensualidade como principais potências. Como afirma Audre Lorde (1984):</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">&#8220;Há tentativas frequentes de se equiparar a pornografia e o erotismo, dois usos diametralmente opostos do sexual. Por causa de tais tentativas, se tornou recorrente separar o espiritual (psíquico e emocional) do político, vê-los como contraditórios ou antitéticos. “Como assim, uma revolucionária poética, um traficante de armas que medita?”. Da mesma forma, temos tentado separar o espiritual do erótico, e assim temos reduzido o espiritual a um mundo de afetos insípidos, do asceta que deseja sentir o nada. Mas nada está mais distante da verdade. Porque a posição ascética é uma do mais grandioso medo, da mais extrema imobilidade&#8221;.</p>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-left" style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">Seus primeiros trabalhos explicitamente políticos são de 2012, quando a Vingativa era apenas uma adolescente. Em três pequenos vídeos, ela aparece apoiando a candidata a vereadora DJ Gadá. Os registros sugerem seu envolvimento precoce com a política, bem como uma compreensão de comunidade (no caso, a LGBTQIA+) que tem estado presente em boa parte de seu trabalho. A preocupação com o coletivo e com a representatividade é verbalizada por ela no terceiro vídeo: &#8220;Eu tô cansada de olhar na câmera e só ver héteros. Tá na hora de mudar&#8221;. Pelo viés do gênero, Vingativa chama a atenção para o sujeito dominante na política institucional e expressa o interesse de que grupos pelos quais se sente representada ocupem e transformem esses espaços, para que se possa ver a diferença.</p>



<p>A mudança que ela tenta promover na câmara é prefigurada na imagem, que também difere do habitual. A luminosidade insípida comum aos vídeos de campanha, frequentemente gravados de dia, aqui é substituída pelas sombras noturnas. Simbolicamente, a assunção das sombras sugere um outro lugar de enunciação, que contrapõe à luz que esconde e controla uma penumbra que revela e permite. A mensagem verbal, porém, é direta e sublinhada pelo dedo indicador apontado a quem assiste. O gesto, que remete à iconografia hegemônica de convocação à luta e é lembrado sobretudo na figura inquisidora do Tio Sam (I want you!), nestes vídeos deixa de servir à violência heroica e patriarcal ao ser apropriado e atualizado por uma jovem de convicções democráticas, que nos convoca a &#8220;eleger a primeira lésbica vereadora em Belém”, como se lê na descrição do YouTube.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Leonna Assassina e Vingativa Eleições 1" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/DZXdblZnAg8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="LEONNA ASSASSINA E VINGATIVA ELEIÇÕES 2" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/Q3553W2EbCI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="LEONNA ASSASSINA E VINGATIVA ELEIÇÕES 3" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/EoiGOo8X0k8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leonna Assassina e Vingativa Eleições (2012)</p>



<p>Vingativa volta a se dirigir explicitamente ao campo da política institucional em dois vídeos de 2014. Em &#8220;Leona nas eleições &#8211; eu não vou pagar essa conta&#8221;, ela faz um &#8220;gato&#8221; de energia com a justificativa de que Simão Jatene, governador do Pará à época e candidato à reeleição pelo PSDB, &#8220;vendeu a Celpa [Centrais Elétricas do Pará] por 400 milhões, e a energia subiu 34%&#8221;. A malandragem surge como sabedoria contra-hegemônica, uma contravenção para se esquivar de um processo privatista que encarece sobretudo a vida de quem, como ela, vive em áreas precarizadas. Mais uma vez, enquanto a imagem é ruidosa e a postura bem-humorada, os dados são precisos e a mensagem é direta e se expressa desde o título.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://youtu.be/JEhtLgA4Tlo
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<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leona nas eleições &#8211; eu não vou pagar essa conta (2014)</p>



<p>Em &#8220;Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional&#8221;, por sua vez, assistimos ao desbunde do corpo no espaço &#8220;sagrado&#8221; e asséptico de Brasília. O vídeo começa parodiando nos créditos iniciais a grandiloquência da política dos políticos, até que a ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, some em fade out para a entrada da dançante Frescáh no Círio, de Vingativa. Ela e Colucci chegam com as imagens e instauram a política do corpo livre, sensual e místico: a chuva que cai é a de Belém, fazendo do gramado do Congresso uma continuação de sua Av. Brasil, no bairro do Jurunas. Água, corpo e palavra conectam os espaços, enquanto elas dançam, se jogam e se divertem declarando amor e apoio a Dilma, a quem se dirigem aos gritos como &#8220;Afrodite&#8221;, &#8220;deusa do amor&#8221;, e alguém que não é &#8220;contra as bichas, é a favor&#8221;.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">&#8220;A dicotomia entre o espiritual e o político é igualmente falsa, resultante de uma atenção displicente de nosso conhecimento erótico. Porque a ponte que os conecta é formada pelo erótico – o sensual –, aquelas expressões físicas, emocionais e psíquicas do que há de mais profundo e forte e farto dentro de cada uma de nós, a ser compartilhado: as paixões do amor, em seus mais fundos significados.&#8221; (LORDE, 1984)</p>
</div>
</div>



<p>Dita para a câmera com alegria e deboche, a mensagem é ao mesmo tempo engraçada, contundente e séria. Ao ressaltar que o apoio não se deve ao Bolsa Família, pois &#8220;existem outros valores&#8221;, explicitam ainda a consciência de como certa elite avalia o voto de esquerda das camadas precarizadas.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/X0OjNkc7dr4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Leona Assassina Vingativa no Congresso Nacional (2014)</p>



<p>No vídeo deste ano, &#8220;Lançamento da Pré-candidatura Bancada Delas à Câmara de Vereadoras/es de Belém&#8221; (2020), é Vingativa quem está candidata. A estética alia certos aspectos da linguagem padrão da propaganda política, com o uso de drone, da câmera lenta, dos espaços abertos e bem iluminados e de trilha sonora reflexiva. Porém não se pode desprezar a relação entre corpos, lugares e discursos veiculados. Candidatas pelo PCdoB, a socióloga Eliana Silva, a ativista Victoria Santos e a sindicalista Roze Mafra falam de sua origem periférica e de sua luta política dentro das instituições, enquanto caminham por lugares que representam suas trajetórias. Silva, que é presidente da União da Juventude Socialista (UJS-PA), e está na universidade pública; Santos, do Movimento Feminino de Arquibancada (MFA-PA), em um estádio de futebol; já Mafra, presidente do Sindicato das Trabalhadoras/es Domésticas do Pará (SINTDAC-PA), caminha pelo centro da cidade. Esta terceira escolha de cenário é importante, pois desloca a trabalhadora doméstica do espaço privado da casa para o espaço público da rua, lugar por excelência da política no sentido aqui proposto.</p>



<p>Em um trecho de sua fala, o que Silva diz se conecta com o que as imagens tentam construir nessa relação corpo x espaço: &#8220;entendemos que ocupar a política é uma necessidade&#8221;. A compreensão de que ocupar a política é ocupar os espaços contém em si a importância da visibilidade pública e, logo, também das imagens. Nesse sentido, ao dar a ver mulheres periféricas ocupando com serena altivez lugares que a princípio repelem sua presença como protagonistas, o vídeo não opera uma mera replicação de normas. Ele incorpora a linguagem padrão e a subverte a seu favor, e não o contrário.&nbsp;Ocupar os espaços mas também as formas do audiovisual hegemônico com corpos e discursos não habituais, postos em cena em suas singularidades, subverte expectativas. Não por acaso, meu olhar viciado pelas normas, ciente de que se tratava de uma candidatura de mulheres, estranhou à primeira vista o uso da imagem imponente do monumental estádio Mangueirão, para então ser desarmado pela narração de Victoria Santos a respeito de sua luta política como líder de torcida. Preconceitos são criados pela hegemonia através dessa moldagem de expectativas, e quebrá-las é um modo de fazer política com as imagens.</p>



<p>Por fim, é a vez de Leona entrar em cena. O sobrenome Vingativa foi suprimido do material de campanha, talvez por suporem que sua conotação negativa seria inadequada ao marketing da política institucional. A entrada da artista na política dos políticos, afinal, não se daria sem tensionar ambos lados. Em seu discurso, estão presentes preocupações já cantadas em sua obra musical, temas que dialogam e outros que passam ao largo de uma identificação mais evidente: a preservação do meio ambiente e o estímulo do uso de preservativos, a necessidade de cuidar da população idosa e a defesa da vida de pessoas trans. Enquanto as demais candidatas caminham plácidas, Leona, de vestido amarelo esvoaçante e com um enorme leque na mão, desfila com passos firmes. No Jurunas, bairro onde nasceu e se criou, ela cumprimenta e tira fotos com mulheres e crianças nas portas de suas casas, são vizinhas e fãs. Tal qual no vídeo de 2012, emblematicamente, também é noite. Como uma gata parda, Leona segue infiltrando-se no mundo das imagens hegemônicas, despindo-se de rótulos e remodelando horizontes.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Lançamento da Pré-candidatura Bancada Delas à Câmara de Vereadoras/es de Belém" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/NI-sZg0SGkI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Lançamento da Pré-candidatura Bancada Delas à Câmara de Vereadoras/es de Belém (2020)</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">ALVES, Á. A. A liberdade de Vingativa: performance, performatividade e gesto. 146p. Dissertação de Mestrado em Comunicação Social. PPGCOM/UFMG. Belo Horizonte, 2019.</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">BUTLER, Judith. Vida precaria: el poder del duelo y la violencia 306 &#8211; la ed. &#8211; Buenos Aires : Paidós, 2006.</p>



<p style="font-size:clamp(14px, 0.875rem + ((1vw - 3.2px) * 0.078), 15px);px">LORDE, Audre. Use Of the erotic: The erotic as power. Tradução: Tatiana Nascimento &nbsp;In: Sister Outsider: essays and speeches. 1 ed. New York: The Crossing Press Feminist Series, 1984. p. 53 – 59</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Histórias do (não) ver</title>
		<link>https://www.poeticasdaexperiencia.org/2020/08/historias-do-nao-ver/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Poeticas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2020 23:13:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Curadorias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[não ver]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Pedro Rena o brasil não é o meu país: é meu abismo. o terreiro de minhas, nossas contradicções. é meu câncer coletivo e a força luminosa da escuridão. é nosso discurso interrompido, sufocado e arrebentador. o brasil não é o meu país: é meu veneno. é a miséria que nenhum milagre ocultou. não é a esperança discreta mas concreta e escandalosa de que tudo (ainda) pode acontecer para melhor. é a dificuldade de conscientização diante de tantos séculos de escravismo colonial. o brasil não o meu país: é meu anti-discurso. são ideias e traumas dentro e fora do lugar. são corpos em tempo de fome, mesmo assim luzindo de paixão. o brasil não é o meu país: é nossa esquizofrenia. o brasil não é o meu país: é um videotape de horror.&#160; Terceira aquarela do Brasil (1982), Jomard Muniz de Britto&#160; Quais histórias e imagens sobre o nosso país — da colonização aos dias de hoje — vemos na arte, no cinema, na mídia, no Google, no videoclipe? Quais histórias não vemos? Essa breve seleção de&#160;obras propõe uma reflexão — a partir dos gestos criativos das(os) artistas e cineastas — sobre o que vemos e o que não vemos, nas imagens, da formação histórica do Brasil, atravessando questões que enfrentamos no contemporâneo, apresentando formas de resistência e re-existência aos dispositivos de dominação do poder. Selecionamos três subconjuntos, entre muitos outros possíveis, que dialogam com a proposta maior, do ver e não ver: imagens em torno da nação, das máquinas e da noite — conjuntos que, por sua vez, estabelecem interconexões entre si. Imagem-nação Vera Cruz, Rosângela Rennó No filme Vera Cruz (2000), no ano em que se completavam 500 anos da colonização do Brasil, a artista plástica Rosângela Rennó retomou a Carta de Pero Vaz de Caminha inserida nas legendas do vídeo, montando-a com imagens de películas desgastadas, em branco. Por um lado, um documentário impossível de ser feito pela ausência de imagens do evento. Por outro, um filme que nos faz pensar na violenta história do país apagada de nosso imaginário social. Em meio ao excesso do fluxo imagens, de visibilidade e de transparência do mundo contemporâneo, Rennó instaura um espaço de interrupção, de negatividade: não ver.&#160; Como nos diz Byung-Chul Han: “Obscena é a hipervisibilidade, à qual falta qualquer traço de negatividade do oculto, do inacessível e do mistério. A absolutização do valor expositivo se expressa como tirania da visibilidade. O problemático não é o aumento das imagens em si, mas a coação icônica para tornar-se imagem. Tudo deve tornar-se visível; o imperativo da transparência coloca em suspeita tudo o que não se submete à visibilidade. E é nisso que está seu poder e sua violência.” Em nosso mundo contemporâneo — em que existe um imperativo da visibilidade e em que o conceito de nação está em crise — como criar imagens críticas sobre nossa construção nacional? Em Vera Cruz, Rosângela Rennó parece rasurar a história hegemônica do país, convocando o espectador, por sua vez, a preencher o quadro, a buscar e inventar com a sua imaginação uma outra iconografia para compor esta narrativa — como se a criação de novas imagens dependesse do apagamento daquelas outras ofuscantes. Como essa tela em branco foi preenchida, invadida, ocupada e povoada ao longo desses 500 anos? Que histórias (não) vemos nessa tela? “Silêncio! Estão ouvindo? Vamos dormir. Amanhã veremos&#8230;”. Brasil, Rogério Sganzerla No filme Brasil (1981), Rogério Sganzerla filma o encontro de João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil para gravação do disco Brasil. Enquanto escutamos a regravação de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, música que pinta a tela em branco de Vera Cruz (“Brasil, terra boa e gostosa”), as imagens de arquivo preenchem o quadro com as “maravilhas” do país, descortinando o passado que se entreabre ao filme: o cristo, a jangada, o carnaval, as praias, o povo reunido ao redor de Getúlio Vargas, a recepção do cineasta norte-americano Orson Welles, que chegava ao país para filmar suas belezas. Não sem alguma ironia, na seleção de Sganzerla vemos uma sequência de imagens-clichê da utopia nacional da Bossa Nova, de suas promessas de felicidade, daquilo que poderia nos acontecer de melhor. Como Nuno Ramos escreve, “João Gilberto canta a harmonia, suas músicas “produzem uma amálgama” afirmativa do país: “o nosso querer-ser, as promessas e decepções, infindáveis e contraditórias, que pululam em nossa história, parecem todos enfim equalizados e em loop.” bárbara balaclava, Thiago Martins Melo Em uma perspectiva contrastante com a de Brasil, Thiago Martins de Melo, no filme bárbara balaclava, colore a tela em branco de Vera Cruz — em uma outra versão da Aquarela do Brasil — narrando a história da barbárie do país, da colonização aos dias de hoje, constituída por uma série de imagens de incontáveis violências, físicas e simbólicas: genocídios, extermínios, escravidão, tortura — a brutal necropolítica que atravessa o nosso país, assim como as inúmeras lutas de resistência e sobrevivência dos diversos povos. Imagens diante séculos de escravismo colonial. Imagens hipervisíveis, obscenas e, ao mesmo tempo, imagens sobre o que está oculto. Como se em bárbara balaclava assistíssemos ao avesso das imagens e da narrativa que vimos em Brasil, de Sganzerla. Melo torna visível o que é recalcado de nossa memória coletiva, dando a ver aquilo que não é mostrado pela História oficial. O artista cria imagens para os crimes silenciados e não documentados da formação do Brasil. Nas palavras de Patrícia Mourão: Saiba mais no texto de Mourão, &#8220;Sobre algumas ruínas, uns lamentam,&#160;outros dançam: sobre a presença portuguesa na 20ª edição do Videobrasil&#8221;. Acesse aqui. “as pinturas de Thiago amalgamam uma história de violência e resistência com um gesto que equivale, em energia e ferocidade, à violência histórica a que fazem referência. São pinturas que não cabem em si mesmas, nem em ambição, nem em energia. Tematicamente, elas evocam, de modo alegórico e fragmentado, os abusos cometidos ao longo de séculos contra as populações de origem indígena e negra do Brasil e as resistências e sobrevivências desses povos,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="histórias do (não) ver" src="https://player.vimeo.com/video/451561257?dnt=1&amp;app_id=122963" width="1290" height="726" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p>Por Pedro Rena</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%"></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px"><em>o brasil não é o meu país: é meu abismo. o terreiro de minhas, nossas contradicções. é meu câncer coletivo e a força luminosa da escuridão. é nosso discurso interrompido, sufocado e arrebentador. o brasil não é o meu país: é meu veneno. é a miséria que nenhum milagre ocultou. não é a esperança discreta mas concreta e escandalosa de que tudo (ainda) pode acontecer para melhor. é a dificuldade de conscientização diante de tantos séculos de escravismo colonial. o brasil não o meu país: é meu anti-discurso. são ideias e traumas dentro e fora do lugar. são corpos em tempo de fome, mesmo assim luzindo de paixão. o brasil não é o meu país: é nossa esquizofrenia. o brasil não é o meu país: é um videotape de horror.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Terceira aquarela do Brasil </em>(1982), Jomard Muniz de Britto&nbsp;</p>
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</div>



<p>Quais histórias e imagens sobre o nosso país — da colonização aos dias de hoje — vemos na arte, no cinema, na mídia, no Google, no videoclipe? Quais histórias <em>não</em> vemos? Essa breve seleção de&nbsp;obras propõe uma reflexão — a partir dos gestos criativos das(os) artistas e cineastas — sobre o que vemos e o que <em>não</em> vemos, nas imagens, da formação histórica do Brasil, atravessando questões que enfrentamos no contemporâneo, apresentando formas de resistência e re-existência aos dispositivos de dominação do poder. Selecionamos três subconjuntos, entre muitos outros possíveis, que dialogam com a proposta maior, do <em>ver</em> e <em>não ver</em>: imagens em torno da nação, das máquinas e da noite — conjuntos que, por sua vez, estabelecem interconexões entre si.</p>



<p><strong>Imagem-nação</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Rosângela Rennó - Vera Cruz" src="https://player.vimeo.com/video/22969066?dnt=1&amp;app_id=122963" width="320" height="240" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Vera Cruz</em>, Rosângela Rennó</p>



<p>No filme <em>Vera Cruz </em>(2000), no ano em que se completavam 500 anos da colonização do Brasil, a artista plástica Rosângela Rennó retomou a Carta de Pero Vaz de Caminha inserida nas legendas do vídeo, montando-a com imagens de películas desgastadas, em branco. Por um lado, um documentário impossível de ser feito pela ausência de imagens do evento. Por outro, um filme que nos faz pensar na violenta história do país apagada de nosso imaginário social. Em meio ao excesso do fluxo imagens, de visibilidade e de transparência do mundo contemporâneo, Rennó instaura um espaço de interrupção, de negatividade: <em>não </em>ver.&nbsp;</p>



<p>Como nos diz Byung-Chul Han: “Obscena é a hipervisibilidade, à qual falta qualquer traço de negatividade do oculto, do inacessível e do mistério. A absolutização do valor expositivo se expressa como tirania da visibilidade. O problemático não é o aumento das imagens em si, mas a <em>coação icônica</em> para tornar-se <em>imagem. </em>Tudo deve tornar-se visível; o imperativo da transparência coloca em suspeita tudo o que não se submete à visibilidade. E é nisso que está seu poder e sua violência.”</p>



<p>Em nosso mundo contemporâneo — em que existe um imperativo da visibilidade e em que o conceito de nação está em crise — como criar imagens críticas sobre nossa construção nacional? Em <em>Vera Cruz, </em>Rosângela<em> </em>Rennó parece rasurar a história hegemônica do país, convocando o espectador, por sua vez, a preencher o quadro, a buscar e inventar com a sua imaginação uma outra iconografia para compor esta narrativa — como se a criação de novas imagens dependesse do apagamento daquelas outras ofuscantes. Como essa tela em branco foi preenchida, invadida, ocupada e povoada ao longo desses 500 anos? Que histórias (não) vemos nessa tela? “Silêncio! Estão ouvindo? Vamos dormir. Amanhã veremos&#8230;”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="BRASIL │ Rogerio Sganzerla (1981)" width="1290" height="968" src="https://www.youtube.com/embed/gYFAXsqoOTo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Brasil</em>, Rogério Sganzerla</p>



<p>No filme <em>Brasil </em>(1981), Rogério Sganzerla filma o encontro de João Gilberto, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil para gravação do disco <em>Brasil</em>. Enquanto escutamos a regravação de <em>Aquarela do Brasil</em>, de Ary Barroso, música que pinta a tela em branco de <em>Vera Cruz </em>(“Brasil, terra boa e gostosa”), as imagens de arquivo preenchem o quadro com as “maravilhas” do país, descortinando o passado que se entreabre ao filme: o cristo, a jangada, o carnaval, as praias, o povo reunido ao redor de Getúlio Vargas, a recepção do cineasta norte-americano Orson Welles, que chegava ao país para filmar suas belezas. Não sem alguma ironia, na seleção de Sganzerla vemos uma sequência de imagens-clichê da utopia nacional da Bossa Nova, de suas promessas de felicidade, daquilo que poderia nos acontecer de melhor. Como Nuno Ramos escreve, “João Gilberto canta<em> </em>a<em> harmonia, </em>suas músicas<em> “</em>produzem uma <em>amálgama” </em>afirmativa do país: “o nosso querer-ser, as promessas e decepções, infindáveis e contraditórias, que pululam em nossa história, parecem todos enfim equalizados e em loop.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>bárbara balaclava</em>, Thiago Martins Melo</p>



<p>Em uma perspectiva contrastante com a de <em>Brasil, </em>Thiago Martins de Melo, no filme <em>bárbara balaclava</em>, colore a tela em branco de <em>Vera Cruz </em>— em uma outra versão da <em>Aquarela do Brasil </em>—<em> </em>narrando a história da barbárie do país, da colonização aos dias de hoje, constituída por uma série de imagens de incontáveis violências, físicas e simbólicas: genocídios, extermínios, escravidão, tortura — a brutal necropolítica que atravessa o nosso país, assim como as inúmeras lutas de resistência e sobrevivência dos diversos povos. Imagens diante séculos de escravismo colonial. Imagens hipervisíveis, obscenas e, ao mesmo tempo, imagens sobre o que está oculto. Como se em <em>bárbara balaclava</em> assistíssemos ao <em>avesso</em> das imagens e da narrativa que vimos em <em>Brasil</em>, de Sganzerla. Melo torna visível o que é recalcado de nossa memória coletiva, dando a ver aquilo que não é mostrado pela História oficial. O artista cria imagens para os crimes silenciados e não documentados da formação do Brasil. Nas palavras de Patrícia Mourão: </p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-small-font-size">Saiba mais no texto de Mourão, &#8220;<em>Sobre algumas ruínas, uns lamentam,&nbsp;outros dançam</em>: sobre a presença portuguesa na 20ª edição do Videobrasil&#8221;. Acesse <a href="https://www.buala.org/pt/afroscreen/sobre-algumas-ruinas-uns-lamentam-outros-dancam-algumas-impressoes-sobre-a-presenca-portu" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">“as pinturas de Thiago <em>amalgamam uma história de violência e resistência</em> com um gesto que equivale, em energia e ferocidade, à violência histórica a que fazem referência. São pinturas que não cabem em si mesmas, nem em ambição, nem em energia. Tematicamente, elas evocam, de modo alegórico e fragmentado, os abusos cometidos ao longo de séculos contra as populações de origem indígena e negra do Brasil e as resistências e sobrevivências desses povos, frequentemente misturando lutas passadas com presentes.”</p>
</div>
</div>



<p class="has-normal-font-size"><strong>Imagem-máquina</strong></p>



<div class="wp-block-columns are-vertically-aligned-bottom is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<p class="has-small-font-size">Assista ao vídeo com a fala de Nuno Ramos sobre Drummond. Acesse <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/watch?v=j5ef6IrZOeQ" target="_blank">aqui</a>.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px"><em>A treva mais estrita já pousara</em><em><br></em><em>sobre a estrada de Minas, pedregosa,</em><em><br></em><em>e a máquina do mundo, repelida,</em></p>



<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px"><em>se foi miudamente recompondo</em></p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>A máquina do mundo</em>, Carlos Drummond de Andrade</p>



<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">&#8220;O Drummond é uma força de fusão, quer dizer, é alguém que produz uma mistura. Eu sinto as forças discrepantes nele tentando se fundir. O Drummond pega o Brasil como uma grande fazenda e vai até um Brasil industrializado, complexo, violento, ele passa por tudo, mas eu tenho a impressão que ele soube amalgamar isso, soube botar em contato coisas que sem ele ficam simplesmente isoladas.&#8221;</p>
</div>
</div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="511" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-2.jpg" alt="" class="wp-image-824" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-2.jpg 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-2-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Lígia</em>, Nuno Ramos</p>



<p>Em <em>Lígia, </em>Nuno Ramos cria uma estranha amálgama entre as reportagens do Jornal Nacional, que narraram o golpe parlamentar de 2016, com a música <em>Lígia</em> (cantada originalmente por Tom Jobim e João Gilberto). A obra foi exibida em loop no mesmo horário do Jornal Nacional — ao longo de um mês, na página web do&nbsp;<em>aarea&nbsp;</em>—, instaurando uma temporalidade e circulação das imagens paralela e contrastante com aquela da TV. Através de uma intervenção nas imagens de arquivo da Rede Globo — a emissora que apoiou a ditadura —, recortando e mixando mecanicamente as sílabas das palavras, fazendo com que os apresentadores do noticiário cantem estranhamente a música <em>Lígia</em>, contrastando a letra escapista — composta em pleno regime militar — de uma história de amor (“eu nunca sonhei com você, nunca fui ao cinema”), com o tempo presente marcado pelo retorno da extrema-direita ao poder no país. Como se a promessa utópica da Bossa Nova tivesse fracassado, se transformando, no filme, em ruído e curto-circuito; assim como as imagens do Jornal Nacional. Como se os apresentadores do jornal fossem partes de engrenagens de uma grande máquina de sucessivos golpes na nossa história.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>7FF ON¢IDIA</em>,&nbsp;Ж</p>



<p><em>7FF ON¢IDIA </em>é realizado ao redor dos megaeventos globais sediados no Brasil. As imagens digitais do mascote da Copa do Mundo são montadas com imagens analógicas em Super-8, de animais na natureza, imagens de animais como esculturas. Assistimos mais uma vez à violência policial reprimindo manifestantes que furam o boneco de plástico do Fuleco, que destroem — num gesto iconoclasta — o monumento que se impõe ostensivamente à visão. Vemos imagens dos fluxos maquínicos e invisíveis do capital financeiro mundial — capitalismo e nossa esquizofrenia. Imagens de mapas do Brasil, de animais selvagens, das notas do Real.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Nunca é noite no mapa  / It&#039;s never nighttime in the map" src="https://player.vimeo.com/video/175423925?dnt=1&amp;app_id=122963" width="1290" height="806" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Nunca é noite no mapa</em>, Ernesto Carvalho</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Se em <em>Lígia </em>Nuno Ramos se apropria e inverte as imagens da grande mídia — dessa produtora hegemônica de narrativas sobre o país —, em <em>Nunca é noite no mapa</em>, Ernesto Carvalho se apropria das imagens do Google Maps — esse imenso banco de dados imagético&nbsp; multinacional — para dar a ver a violência policial e a vertiginosa urbanização e modernização da cidade de Recife na última década, para sediar os mega-eventos mundiais, assim como <em>7FF ON¢IDIA.</em> Num gesto de contravigilância, alternando a lógica de quem vê e quem é visto, Carvalho dirige seu olhar e filma em flagrante o carro da Google (essa máquina que produz imagens com uma câmera acoplada no teto)</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="659" height="396" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-3.png" alt="" class="wp-image-825" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-3.png 659w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/ligia-nuno-ramos-3-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 659px) 100vw, 659px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="368" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/nunca-noite-ernesto.png" alt="" class="wp-image-827" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/nunca-noite-ernesto.png 588w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/08/nunca-noite-ernesto-300x188.png 300w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Nunca é noite no mapa</em>, Ernesto Carvalho</p>
</div>
</div>



<p>Ele retoma&nbsp;criticamente as imagens do aplicativo — para as quais tudo deve estar exposto e mapeado — submetidas à luz dos dispositivos de dominação de um regime de visibilidade em que <em>sempre é dia</em>, em que tudo deve ser visível. Como escreve o filósofo Byung-Chul Han, sobre a nossa sociedade da transparência: “Um mundo que consistisse apenas de informações e cuja comunicação fosse apenas circulação de informações, livre de perturbações, não passaria de uma máquina”.&nbsp;</p>



<p>Para a lógica da Google, tudo deve ser transformado em dados e informação, em prol do controle digital e do monitoramento das populações. Na sua falsa imparcialidade, porém, o dispositivo flagra a violência devastadora cometida pela polícia e pelo capital contra a cidade e as pessoas que ali re-existem. Nas palavras de Jonathan Crary, assistimos a um projeto de poder que pretende “inundar de luzes os espaços a fim de suprimir as sombras e criar condições de controle graças à visibilidade completa.”</p>



<p>Em <em>Nunca é noite no mapa</em>, Carvalho explora a operação concatenada das viaturas da polícia, do Google e do Estado; agenciando os mecanismos de poder das máquinas da repressão, da vigilância e da urbanização, que operam conjunta e violentamente na homogeneização do campo do visível e do espaço da cidade. Em seu livro <em>Maquinação do mundo, </em>José Miguel Wisnik nos diz que com a aparição da &#8220;máquina do mundo&#8221;, no poema de Drummond, em 1949, o eu-lírico entrevê &#8220;a mundialização dos dispositivos de exploração e dominação do mundo que se anunciavam no pós-guerra”. Em sua visão totalizante, Drummond anteviu os mecanismos e os dispositivos de dominação do capitalismo contemporâneo, onipresentes no nosso mundo de hoje. Sublinhando a atualidade do pensamento do poeta, Wisnik comenta que em sua “<em>máquina de produzir anti-história,</em> Drummond vislumbrava o mundo do segundo pós-guerra, momento de manifestação de uma virtualidade técnica que se atualizará posteriormente nos sistemas de satélites, no GPS e no Google Earth.” Abel Barroso nos diz que a recusa de Drummond é uma negação à <em>visão total </em>oferecida pela máquina do mundo: “Trata-se de não ver. É essa a recusa básica: baixar os olhos e não ver o que se impõe à visão.”&nbsp;</p>



<p>No prefácio do livro <em>A queda do céu</em>, de&nbsp; Davi Kopenawa e Bruce Albert, Eduardo Viveiros de Castro retoma a imagem da “máquina do mundo” constatando que, “se as profecias justificadamente pessimistas de Davi se concretizarem, só começaremos a enxergar alguma coisa quando não houver mais nada a ver. Aí então poderemos, como Drummond, ‘avaliar o que perdemos’.” Por outro lado, o antropólogo sustenta que devemos “perceber “a máquina do mundo” como um ser vivo composto de incontáveis seres vivos, um superorganismo constantemente renovado”. Se, por um lado, o Brasil é um país complexo composto por diversas máquinas — de dominação, controle, exploração, extermínio —, também é um superorganismo sempre renovado por diversos seres e sujeitos que re-existem na máquina, na sociedade, nas imagens. Filmes que são dispositivos de resistência. Imagens que interrompem o fluxo da máquina, imagens que desmontam as máquinas. Filmes que dão a ver os mecanismos de opressão que se querem invisíveis. Filmes que se negam a ver o que se impõe agressivamente à visão.</p>



<p><strong>Imagem-noite</strong></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-bottom is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="558" src="http://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-1024x558.png" alt="" class="wp-image-859" srcset="https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-1024x558.png 1024w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-300x164.png 300w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-768x419.png 768w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond-1536x837.png 1536w, https://www.poeticasdaexperiencia.org/wp-content/uploads/2020/09/imagem-pedro-drummond.png 1680w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-text-align-left has-small-font-size">Frame de <em>Action Lekking A</em>, Negro Leo e Gregorio Gananian</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right" style="font-size:14px">Escurece, e não me seduz&nbsp;<br>tatear sequer uma lâmpada.&nbsp;<br>Pois que aprouve ao dia findar,&nbsp;<br>aceito a noite.&nbsp;<br><br>E com ela aceito que brote<br>uma ordem outra de seres&nbsp;<br>e coisas não figuradas.&nbsp;<br>Braços cruzados.&nbsp;<br><br>[&#8230;] Povoações<br>surgem do vácuo.<br>Habito alguma?&nbsp;<br><br>[&#8230;]<br><br>E aquele agressivo espírito<br>que o dia carreia consigo,<br>já não oprime. Assim a paz,<br>destroçada.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em>Dissolução</em>, Drummond</p>
</div>
</div>



<p>Diversos filmes brasileiros contemporâneos — como <em>Era uma vez Brasília </em>(2017)<em>,</em> <em>Baixo centro </em>(2018)<em>,</em> <em>Sonâmbulos </em>(2018)<em>, Tremo Iê </em>(2019) e<em> Sete anos em maio </em>(2019) — são compostos predominantemente por cenas noturnas. Se, por um lado, essas imagens captam o espírito sombrio de nosso tempo tomado pelas forças reacionárias da extrema-direita, por outro, encontram na noite povoações que escapam das opressivas luzes do capitalismo, da razão, da vigilância, da mídia e do espetáculo. Como diz o filósofo Giorgio Agamben, “contemporâneo é aquele&nbsp;que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o&nbsp;escuro.” Reconhecendo essas trevas, os filmes buscam novas maneiras de ver sob outra luz. Filmes que operam em um regime de visibilidade que não é governado por luzes excessivas, por sentidos claros e homogêneos, por estereótipos hipervisíveis e super-expostos. A aceitação da noite como condição para enxergar o lampejo próprio dos corpos e dos povos. Na noite da noite escura, a aparição de constelações.&nbsp;</p>



<p>Como nos diz Jonathan Crary:<em><sup> </sup>&nbsp;</em>“Um mundo sem sombras, iluminado 24/7, é a miragem capitalista final do exorcismo da alteridade.” Ou, como escreve Drummond: “O progresso técnico teve isso de retrógrado: fez-se numa escala de massas, esquecendo-se do indivíduo, e nenhuma central elétrica de milhões de quilowatts será capaz de produzir aquilo de que precisamente cada um de nós carece na cidade excessivamente iluminada: <em>certa penumbra</em>.” A noite, pela opacidade, pela alteridade.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Adormecidos (2011)" src="https://player.vimeo.com/video/26078786?dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture"></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Adormecidos </em>(2011), Clarissa Campolina.</p>



<p>Em <em>Adormecidos </em>(2011), Clarissa Campolina filma uma cidade noturna, que sonha, onde os solitários personagens dos cartazes publicitários nos devolvem seus melancólicos olhares. Como em <em>Vera Cruz </em>de Rosângela Rennó, o filme termina com <em>outdoors</em> em branco: imagens que — a partir da escuridão e do vazio — nos convidam a imaginar e sonhar uma outra ordem de seres e coisas que ainda não existem. No livro <em>Oráculo da noite, </em>Sidarta Ribeiro nos diz que os sonhos — para além da forte relação com a memória e o passado — têm uma conexão particular com o futuro, uma função importantíssima ligada à imaginação do por vir. Um espaço onde as simulações dos possíveis, daquilo que podemos vir a ser — enquanto sujeitos e coletividades — acontecem. A memória como promessa de futuro. Sidarta Ribeiro escreve: “No seu melhor, os sonhos são a própria fonte de nosso futuro. O inconsciente é a soma de todas as nossas memórias e de todas as suas combinações possíveis. Compreende, portanto, muito mais do que o que fomos — compreende tudo o que podemos ser”. Venha, então, a noite, o sono, a fabulação.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Conte Isso Àqueles Que Dizem Que Fomos Derrotados  I MG I 23’&#039;  I 2018" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/o4u-XatEpto?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados</em>, Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito;</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Com as luzes de suas lanternas que se confundem com as luzes da cidade ao fundo, os sujeitos do filme <em>Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados </em>ocupam um território vazio da cidade, povoando a imagem, erguendo em silêncio uma bandeira vermelha e se assentando, adormecendo nas ruínas da cidade submersa. Na madrugada, luzes apontam o caminho. Como escreve Vinícius Andrade, o filme opera “na intermitência das fontes luminosas, como lanternas, responsáveis por repartir o que se vê e o que não se vê, fazendo os ocupantes assemelharem-se a uma horda de seres brilhantes trabalhando sob a escuridão”.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://vimeo.com/391125164/6e087811d9
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>A noite através, </em>Gustavo Jardim</p>
</div>
</div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>Em <em>A noite através, </em>de Gustavo Jardim, lemos a cartela de uma história Guajajara sobre a criação da noite: “A criança foi ao centro da floresta e abriu a semente da sapucaia. Num estalo, a noite saiu como um sopro por entre seus dedos. Maravilhada, a criança voou como pássaro para dentro da escuridão”.</p>
</div>
</div>



<p>Com algumas luzes ao fundo, a câmera se aproxima dos corpos que estão de braços dados povoando a imagem em meio aos ensaios para o ritual da Festa do Mel. Na indistinção da noite, as fronteiras rígidas e discerníveis entre os sujeitos se rompem para dar espaço aos gestos coletivos e às alianças entres os corpos.&nbsp;</p>



<p>Como se pergunta Georges Didi-Huberman: “Procuram-se ainda os vaga-lumes em algum lugar, falam-se, amam-se apesar de tudo, <em>apesar do todo</em> da máquina, apesar da escuridão da noite, apesar dos projetores ferozes? Há sem dúvida motivos para ser pessimista, contudo é tão mais necessário abrir os olhos na noite, se deslocar sem descanso, voltar a procurar os vaga-lumes.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ACTION LEKKING A - NEGRO LEO feat. FEZINHO PATATYY (clipe)" width="1290" height="726" src="https://www.youtube.com/embed/DXxRdqgmuSs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><em>Action Lekking A</em>, Gregorio Gananian e Negro Leo.</p>



<p>No clipe <em>Action Lekking A </em>(2017)<em>, </em>de Negro Leo, Fezinho Patatyy se desloca literalmente das sombras, onde suas fronteiras se dissolvem e multiplicam, para dançar e ocupar as ruas da cidade de São Paulo, iluminadas pelas coloridas luzes neon projetadas para o clipe. São corpos luzindo de paixão<em>.</em> Como num sonho acordado, os <em>leks</em> ganham uma alegre e rebelde visibilidade — inventam comunidades que, apesar de toda a tragédia de nosso tempo, “não morrem numa máquina, re-existem numa máquina”, como canta Negro Leo. Ou, como está escrito no manifesto do disco: “o brazyl <em>não viu</em> o óbvio. action lekking, nesse contexto, é a saída particular, subjetiva, encontrada por indivíduos ou grupos, é o delírio atuante contra corporações ou processos políticos. toda resistência do lek é action lekking.”</p>



<p>Ailton Krenak escreve, em uma de suas <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>: “Nosso tempo é especialista em criar ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar, de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta, faz chover. Então, pregam o fim do mundo como uma possibilidade de fazer a gente desistir dos nossos próprios sonhos.”</p>



<p style="font-size:14px"><strong>Agradecimentos</strong></p>



<p style="font-size:14px">O título desta curadoria faz referência ao livro <em>Histórias do não ver, </em>de Cao Guimarães.</p>



<p style="font-size:14px">Os filmes <em>Vera Cruz</em> e <em>Brasil</em> e foram exibidos na mostra <em>Vanguarda tropical</em> no Cine OP de 2018, com curadoria de Francis Vogner dos Reis e Lila Foster. Agradeço à Lila pela oportunidade de ver esses filmes no cinema e pelas conversas reveladoras nos intervalos do festival, caminhando na noite pela cidade de Ouro Preto.</p>



<p style="font-size:14px">Os filmes <em>Vera Cruz e bárbara balaclava </em>foram programados juntos na sessão “Documentos da barbárie”, com curadoria de Patrícia Mourão, na 8ª&nbsp;Semana dos realizadores. Agradeço à Patrícia pelas nossas trocas e conversas que inspiram esta proposta de curadoria.</p>



<p style="font-size:14px">Agradeço aos professores César Guimarães, André Brasil e Cláudia Mesquita pelas leituras, revisões e sugestões para este trabalho. Agradeço aos amigos e amigas pelos diálogos cotidianos e inspiradores que acompanham esta pesquisa em desenvolvimento: Urik Paiva, Laura Godoy, Luiz Fortini, João Rabelo, Luiz Fernando Moura, Gabriela Abdalla, Luís Flores, Larissa Muniz, Carina S. Gonçalves, André Elias, Arthur Costa, entre muitos outros/as.</p>



<p style="font-size:14px"><strong>Referências</strong></p>



<p style="font-size:14px">AGAMBEN, Giorgio. <em>O que é o contemporâneo</em>. Chapecó: Argos, 2009.</p>



<p style="font-size:14px">ANDRADE, Carlos Drummond de. <em>Nova reunião</em>: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.</p>



<p style="font-size:14px">ANDRADE, Carlos Drummond de. <em>Passeios na ilha. </em>São Paulo: Cosac Naify, 2011.</p>



<p style="font-size:14px">BAPTISTA, Abel Barros. <em>Drummond antimoderno</em>. Lisboa: Angelus Novus, 2010.</p>



<p style="font-size:14px">CRARY, Johnathan. <em>Capitalismo tardio e o fim dos sonhos. </em>São Paulo: Cosac Naify, 2015.</p>



<p style="font-size:14px">DIDI-HUBERMAN, Georges. <em>A sobrevivência dos vaga-lumes. </em>Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011.</p>



<p style="font-size:14px">KRENAK, Ailton. <em>Ideias para adiar o fim do mundo</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.</p>



<p style="font-size:14px">KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. <em>A queda do céu.</em> São Paulo: Companhia das Letras, 2015.</p>



<p style="font-size:14px">MOURÃO, Patrícia. <em>Sobre algumas ruínas, uns lamentam,&nbsp;outros dançam</em>: algumas impressões sobre a presença portuguesa na 20ª edição do Videobrasil. &nbsp;</p>



<p style="font-size:14px">HAN, Byung-Chul. <em>Sociedade da transparência. </em>Rio de Janeiro:<em> </em>Editora Vozes, 2012.</p>



<p style="font-size:14px">HAN, Byung-Chul. <em>Psicopolítica.</em> Veneza: Editora Âyne, 2018.</p>



<p style="font-size:14px">OLIVEIRA, Vinicius Andrade. Quando vaga-lumes entraram em cena: In:&nbsp;<em>Catálogo do 22º Festival do filme documentário e etnográfico</em>&nbsp;– forumdoc. Glaura Cardoso Vale; Junia Torres; Carla Italiano. (Org.). Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2018.</p>



<p style="font-size:14px">RAMOS, Nuno. <em>Verifique se o mesmo</em>. São Paulo: Todavia, 2019.</p>



<p style="font-size:14px">RIBEIRO, Sidarta. <em>O oráculo da noite</em>. São Paulo: Companhia das letras, 2019.</p>



<p style="font-size:14px">WISNIK, José Miguel. <em>Maquinação do mundo</em>: Drummond e a mineração. São Paulo: Cia das Letras, 2018.</p>
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